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Só entre nós

Só entre nós

O adeus a um dos melhores restaurantes de Portugal...

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Quem acompanha o blog Só entre nós sabe bem como gostamos do restaurante Esporão, em Reguengos de Monsaraz, que nos últimos três anos teve como Chef responsável Pedro Pena Bastos. Foram muitas as nossas visitas (e respetivos posts e partilhas nas redes sociais) e a sensação final foi sempre a mesma. A de que tínhamos acabado de ter uma das melhores refeições que se podia ter em Portugal.

 

Um exagero? Para alguns imagino que sim, mas muitos compreendem e concordam connosco. Espaço bem decorado, vista magnífica para a Herdade, serviço muito profissional e simpático, menus em constante evolução (chegámos a ir com poucas semanas de intervalo e havia sempre algo diferente), criatividade sempre presente e ao mais alto nível, pratos lindíssimos (dos empratamentos mais bonitos que já vi), produtos de alta qualidade, perfeição nas confeções e sabores irrepreensíveis. 

 

Porém, tudo isto está prestes a acabar.

O Esporão vai encerrar as suas portas este mês, Pedro Pena Bastos seguirá o seu caminho profissional noutro projeto (certamente com sucesso), parte da sua equipa deixará também o restaurante, e em janeiro começará um novo projeto no Esporão.

 

Só entre nós, já sabemos alguns pormenores sobre o futuro. E até não são nada desanimadores. Mas isso permanecerá, para já, em segredo. Seja como for, tal não impediu que ficássemos tristes com o fim deste ciclo.

 

E foi com uma sensação de nostalgia que fomos pela última vez a este projeto do Esporão.

 

A receção foi "calorosa", como sempre, como se fôssemos da casa (e confesso que depois de tantas visitas, já me sinto mesmo um pouco da casa). Para despedida, optámos pelo menu mais completo e longo.

 

Não me alongarei em adjetivos porque tal seria extremamente repetitivo ou redutor. Em jeito de resumo, estava tudo perfeito. E escrevo isto de forma totalmente imparcial, como sempre. Não houve uma temperatura errada, um ponto de confeção ao lado, um ingrediente que não estivesse em harmonia no prato, um empratamento que não fosse magnífico, um sabor que destoasse negativamente... Além disso, não houve um único momento no serviço que falhasse. Se tivesse que dar uma nota final a esta refeição, seria 10.

 

Antes de passar aos pratos, uma nota importante. O sucesso e qualidade de um restaurante não se deve unicamente ao seu Chef. Ele é fundamental, como é evidente, mas os braços direitos (e esquerdos) e toda a equipa de sala e cozinha, mais os fornecedores e todos os terceiros envolvidos, conseguem ser igualmente fundamentais. E neste restaurante notava-se algo que nem sempre acontece. Quando Pedro Pena Bastos não estava na cozinha, o serviço era igualmente perfeito. Felizmente tivemos quase sempre a sorte de ter alguém da cozinha a cumprimentar-nos. O Chef Pedro Pena Bastos, o Sous Chef Carlos de Albuquerque ou outro elemento. Mas se isso não acontecesse, era impossível para mim detetar através do serviço quem é que estava ao comando da cozinha. E isso é incrível, não é?

 

Por isso, e para não deixar os parabéns e votos de felicidade para o fim, quero dar os parabéns a toda a equipa e agradecer pelos fantásticos momentos que nos proporcionaram ao longo destes anos. Para não esquecer ninguém, estendo os agradecimentos a todos, desde a cozinha, à sala, passando pela receção e terminando no campo.

 

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Começando então com a refeição (que desta vez foi acompanhada pelo pairing de sumos), tivemos o já habitual e soberbo couvert,

 

E a um conjunto de entradas antes do menu:

 

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Espetada de lagostim do rio marinada em miso e sésamo com flor de brócolos e creme com as cabeças de lagostim do rio e granizado de maçã e brócolos.

 

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Tarteletes de ervilha doce e iogurte de ovelha.

 

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Torresmo de grão e algas com lingueirão.

 

 

Mexilhão com tinta de choco e couve fermentada.

 

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Cabeça de xara em croquete com alcachofra de Jerusalém.

 

 

Seguiu-se a bariga de atum rabilho, tomate e caldo fumado.

 

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Gamba rosa, batatas e lavanda.

 

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Pastel de ervas e ovo, trufa de verão e capuchinhas.

 

 

Ostra de 4 anos, espargos brancos e vinagre de algas.

 

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Salmonete, ameijoas, courgette e amêndoas verdes.

 

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Cenoura (nunca aponto o resto...)

 

 

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"Ode ao Alentejo", borrego merino, grão, folhas de trincadeira e levístico.

 

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Vazia de vitela velha maturada por 80 dias, espigos, nabo e cantarelos.

 

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Leite de ovelha, ruibarbo e amaranto.

 

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Figos de verão.

 

Os sumos servidos foram:

Infusão de camomila, hortelá e chá verde.

Sumo de morango.

Sumo de laranja, cenoura e zimbro.

 

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Para terminar, as mignardises.

 

Tudo impecável, tudo perfeito. E por isso mesmo ainda custou mais dizer adeus. Custou olhar para trás e pensar que este Esporão que tanto nos fez feliz não voltará. Mas vem aí uma nova fase. Tanto no Esporão, ocomo num futuro projeto do Pedro Pena Bastos.

 

Em janeiro estaremos no Esporão para conhecer o novo projeto. E certamente que estaremos no novo projeto do Pedro Pena Bastos, seja ele qual for.

 

Boa sorte para todos os envolvidos e obrigado.

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