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Só entre nós

Só entre nós

Estou farto disto!!

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Por quanto mais tempo vamos tolerar um guia espanhol a atribuir estrelas a restaurantes nacionais? Ah, espera, o guia não é espanhol. É espanhol e português. E os inspetores são espanhóis e portugueses. E os critérios são os mesmos nos dois países. Ah, espera, não são não.

 

Por quanto mais tempo vamos ficar satisfeitos com uma miséria de estrelas entregues, como se isso fosse espetacular? 3 novos estrelados. Yeah!! Espanha tem muito mais, mas também é muito maior. A sério?! Se vamos fazer medições de áreas, então como é que há cidades com mais estrelas que vários países juntos?

 

Não me levem a mal. Parabéns aos 3 novos estrelados, que ainda não conheço, e muitos parabéns a um dos meus Chefs preferidos, Henrique Sá Pessoa, pela fantástica conquista da segunda estrela para o Alma, restaurante que já visitei por 6 vezes e que figura entre os meus preferidos por Lisboa.

 

Mas e os outros? Há injustiças inacreditáveis. Também as há noutros países? Sim. Também há injustiças em Espanha? Sem dúvida que sim. Mas em Portugal, que é no fundo o que nos interessa, há coisas de arrancar os cabelos. E que me fazem pura e simplesmente desistir do Guia Michelin em Portugal (desistir entre aspas, porque não deixa de ser uma referência e de ser extremamente bom para quem entra no guia). Mas em bom português, deixem-se de merdas.

 

Não foram com a cara do João Rodrigues? É porque é sportinguista?! Deixem-se de merdas de uma vez por todas. Então o Feitoria não merece a segunda estrela?

Ah e tal fica num hotel. O quê? Quantos multi estrelados são restaurantes de hotéis? DiverXO?? Ou em Portugal, Yeatman?? Vila Joya??

Ok, mas fica junto ao parque de estacionamento. A sério? Mesmo a sério? Essa é uma das razões?

 

E a comida? E o serviço do caraças? Querem melhor? Há vários uma estrela em Portugal e mesmo duas estrelas em Portugal que não têm o serviço que o Feitoria tem.

 

E fazendo comparações, se o L’And e a Fortaleza do Guincho têm uma estrela, por exemplo, então o Feitoria tem de ter duas. Ou então os outros não podem ter a estrela. Se o Alma, que adoro, tem duas, então o Feitoria tem de ter duas.

Qual é, afinal, a razão para o Feitoria não ter a segunda estrela?

 

E qual a razão para o Euskalduna não ter duas estrelas? Ah, desculpem, estava a ser demasiado justo. Qual a razão para não ter uma estrela? Abriu há pouco tempo? Cof cof cof. Quantos restaurantes em Espanha, e mesmo em Portugal, receberam uma estrela de rajada? Alma, LOCO…

 

É por não terem empregados de mesa? Por serem os cozinheiros a fazer tudo? Por não ter um serviço de estrela? Mais uma vez, deixem-se de merdas que há por aí estrelados que têm serviço à mesa que é mil vezes pior do que o serviço dos cozinheiros no Euskalduna.

 

Espera. Não é isso. Afinal é porque não gostam do espaço. É muito pequeno. O que vale é que os restaurantes estrelados em Espanha e Portugal são todos gigantes.

 

E outras injustiças? Epur? Hello? Não é hotel, tem uma vista do caraças, serviço 5 estrelas, comida mesmo boa e de estrela, e um Chef já conhecido do Guia. E então?? Ah, abriu em maio. Sim, sim, mais uma vez, deixem-se de merdas.

 

Para terminar, se é mesmo a comida que interessa para alcançar a primeira estrela, então metam no mesmo saco também o Prado, o Pesca, o JNcQUOI e outros. Ah, espera, estamos em Portugal.

 

Amanhã é Natal (Conto de Natal)

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A convite da Chiado Books, escrevi um pequeno conto de Natal para fazer parte da primeira coletânea de contos de Natal do Grupo Editorial Chiado. A obra, intitulada "Natal em palavras", será apresentada ao público já no próximo dia 15 de dezembro e contará com diversos contos de Natal, incluindo o meu.  Com um limite de 500 palavras, deixo-vos o meu conto de Natal, agradecendo o convite da Chiado Books. É com muita satisfação que recebo todos os anos os vossos convites, e é orgulho que vejo os meus trabalhos publicados. 

 

Amanhã é Natal

Andam depressa pela rua, correndo sem destino mas com uma clara missão. Comprar presentes para todos que amanhã já é Natal. Menos para mim. É Natal, mas mesmo nesta altura do ano, permaneço invisível aos olhos de todos. Não passo de uma velha, com roupas velhas e rasgadas, que já devem ter pertencido a alguém novo e bonito. Não passo de uma miserável, sentada à porta daqueles que, quentes no seu lar, nem têm tempo nos seus dias agitados para ir à janela ver quem, gelado, se encosta à parede imaginariamente quente do seu prédio. Daqueles que fingem olhar para o telemóvel, ou para o céu, quando chegam a casa e procuram as chaves que dão acesso a algo que já tive, não tenho, e não voltarei a ter. É Natal. E o máximo que receberei será uma sopa morna feita por alguém que, estranhamente, decidiu usar um pouco do seu tempo para ajudar aqueles que, aos olhos de muitos, nem mereciam um olhar. Porque para muitos, não passamos de uns falhados. Como se a culpa de estarmos na rua fosse exclusivamente nossa. Como se fôssemos uns fracos que deixámos que o destino brincasse connosco ao ponto de nos retirar família, amigos, emprego, casa e comida. Como se gostássemos de passar os dias ao relento, com frio mesmo no verão, com fome porque o estômago nunca se habitua à falta de alimento, e com o constante, penetrante e inquisidor olhar daqueles que passam diariamente por nós e ousam desviar o olhar por um segundo, abanando imediatamente a cabeça certos de que com eles isto nunca aconteceria. Sou um velha, com roupas velhas e rasgadas. Uma velha que sente a dor regressar ao seu corpo sempre que sente o cheiro a álcool, recordando-se, involuntariamente, de tudo a que foi sujeita nas mãos de bêbados que partilham a mesma sina de ter as ruas como casa. Uma velha que já nem na polícia pode encontrar segurança, porque viver na rua não dá direito a isso. Uma velha que há muito deixou de acreditar num futuro, porque o passado e presente trataram de o destruir. É Natal, mas não para mim. Enquanto me perco nos pensamentos, um homem aproxima-se demasiado de mim. Parece querer ganhar coragem para perguntar onde fica o centro comercial mais próximo, para cumprir a missão de comprar presentes para quem não precisa. Mas afinal não. Cheira a roupa lavada. Ao calor de uma casa. À comida servida por baixo de um teto. É tão velho como eu, mas não cheira a miséria. Pergunta se quero passar o Natal com ele. A minha boca, calada há anos, responde em silêncio que sim. Porque não? Mesmo que seja mentira, ou mesmo que apenas dure umas horas, sabe bem sonhar por segundos com uma realidade que há muito deixou de me pertencer. Não passo de uma velha, com roupas velhas e rasgadas, invisível aos olhos de quase todos. Amanhã é Natal. E parece que também vai ser para mim.

 

 

Guia Michelin Portugal 2019 (Apostas?)

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Já há uns anos que é tradição no Só entre nós fazer previsões para o Guia Michelin de Portugal. Este ano não poderia ser exceção. Depois das:

Apostas em 2017 / Apostas em 2016 / Apostas em 2015

Chegou a vez de fazer as previsões para o Guia Michelin Portugal 2019.

Antes de mais, eis a lista atual das estrelas Michelin 2018:

**
- Belcanto (Lisboa), José Avillez 
- Il Gallo d’Oro (Funchal, Madeira) - Benoît Sinthon
- Ocean (Armação de Pêra), Hans Neuner
- The Yeatman (Vila Nova de Gaia), Ricardo Costa
- Vila Joya (Albufeira), Dieter Koshina

*
- Gusto by Heinz Beck (Almancil), Heinz Beck e Daniele Pirillo
- Vista Restaurant (Portimão), João Oliveira
- Alma (Lisboa), Henrique Sá Pessoa
- Antiqvvm (Porto), Vitor Matos
- Bon Bon (Carvoeiro), Louis Anjos
- Largo do Paço (Amarante), Tiago Bonito
- Casa de Chá da Boa Nova (Leça da Palmeira), Rui Paula
- Eleven (Lisboa), Joachim Koerper
- Feitoria (Lisboa), João Rodrigues
- Fortaleza do Guincho (Cascais), Miguel Vieira
- Henrique Leis (Almancil), Henrique Leis
- LAB (Penha Longa, Sintra), Sergi Arola
- L’And Vineyards (Montemor-o-Novo, Alentejo), Miguel Laffan
- Loco (Lisboa), Alexandre Silva
- Pedro Lemos (Porto), Pedro Lemos
- São Gabriel (Almancil), Leonel Pereira
- William ( Funchal, Madeira), Luís Pestana
- Willie’s (Vilamoura), Willie Wurger

 

E agora as previsões:

- Belcanto - Uma das maiores dúvidas do ano respeita a uma eventual terceira estrela Michelin. Dos 2 estrelas existentes, não conheço o Il Gallo d'Oro nem o Ocean, mas pelo que posso ler só dois é que estão mais próximos de alcançar a terceira estrela - Ocean e Belcanto. Quanto ao Belcanto, o único destes dois que conheço, já tive a oportunidade de lá ir algumas vezes e, face ao apresentado e em comparação com outros 3 estrelas, não me espantaria se o Belcanto recebesse a terceira estrela. Nem seria injusto. A questão nem é se vai receber, é mais quando. E tendo em conta que Portugal nunca teve tanto na moda como agora, e o guia será finalmente apresentado por Portugal, parece-me fazer sentido que este fosse o ano em que o Avillez conseguia o feito de ter o primeiro restaurante com 3 estrelas em Portugal. Porém, e pelas declarações que encontrei recentemente na internet, este não será o ano. Como tal, aposto que não existirão upgrades nos 2 estrelas atuais.

- Feitoria - Para mim é a maior injustiça do guia Michelin em Portugal. E sei que não sou o único a pensar desta forma. A sério que gostava de saber quais as razões para não ter a segunda estrela. Ou mesmo a terceira. Para mim é o melhor restaurante em Portugal e tem o melhor Chef. Comida e serviço ao mais alto nível e está vários degraus acima de muitos restaurantes nacionais com 1 estrela (e até nacionais com 2 estrelas). Se o Feitoria só merece uma estrela, então há restaurantes nacionais que têm de a perder. Assim não faz sentido. Dizem os rumores que o Feitoria vai permanecer com 1 estrela. Pois eu não acredito e aposto na segunda, fazendo-se justiça.

- Euskalduna - 1ª estrela para o Euskalduna. Experiência excecional. Dizem que não recebe, mas contrario a previsão e aposto na conquista da estrela.

- Epur consegue, apesar da recente abertura, a estrela.

- Tal como o Prado.

- Não devem constar dos possíveis estrelados, mas a meu ver, e em comparação com outros restaurantes distinguidos, entendo que tanto o Pesca, como a Taberna Fina, poderiam receber igualmente 1 estrela pela qualidade do que é servido. 

- Quanto a perdas, existem dois 1 estrela que, a meu ver, não apresentam qualidade suficiente para entrar neste campeonato, mas duvido que as percam.

E vocês, o que acham? Será a apresentação do guia em Portugal um sinal de que este será um ano excecional para Portugal? Ou foi apenas o resultado da pressão cada vez maior, e do destaque que Portugal tem tido internacionalmente, sem que isso signifique grandes mudanças no guia?

Acima de tudo o que eu mais gostava era que as estrelas fizessem sentido. Que todos os 1 estrela estivessem no mesmo campeonato, o que não acontece. Que todos aqueles que têm comida com qualidade para receber a primeira estrela a recebessem, independentemente do tipo de serviço ou do espaço. Que houvesse realmente os mesmos critérios em Portugal e Espanha. E nos outros países (em vez de termos restaurantes de banca de rua na Ásia com uma estrela e depois termos cá restaurantes espetaculares em qualquer estrela). 

Já só falta uma semana para ser tudo desvendado. Vamos a apostas? 

*A foto que ilustra o post foi tirada no Esporão, restaurante que acabou por não receber a estrela o ano passado, ao contrário do que achava. Com as "recentes" mudanças, não coloco o Esporão na lista de possíveis estrelados deste ano. Mas não restam dúvidas que o Carlos de Albuquerque está cada vez mais forte, e que os pratos servidos são muitíssimo bons, criativos e muito bonitos. Quem sabe para o ano...