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Só entre nós

Só entre nós

Euromilhões - o que (não) fazer? E vocês?

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Chega a terça e sexta feira e milhões de pessoas começam a pensar - É hoje!!!

 

É hoje que vou ficar super rico! Amanhã já mando todos à m@%& e passo mas é o resto da minha vida no bem bom!

 

Bem, eu pelo menos penso assim... Tenho tudo planeado:

Uma % para os meus pais, uma % para os meus sogros, outra para solidariedade, algum para despesas certas (casa e dois carros novos) e o grande bolo vai para o(s) banco(s) render alguma coisa (sem riscos, até porque mais vale preservar os milhões do que tentar multiplicá-los - com tantos milhões não há necessidade). E depois, é aproveitar a vida sem preocupações com dinheiro.

 

E, se não ficou claro, deixava de trabalhar. Mas, curiosamente, nem todos pensam assim. Daí a razão deste post. É que existe quem diga que continuava a trabalhar como normal. Que não eram capazes de passar o resto da vida ativa em casa. E vocês?

 

Eu até não desgosto do que faço, mas não tenho qualquer dúvida de que largava tudo imediatamente. Não me interessa se só tenho 32 anos. A vida é demasiado curta, e se temos a sorte de ter a oportunidade de passá-la como mais queremos, porque é que não haveremos de aproveitar? 

Mais de 40 crianças adotadas foram devolvidas num ano

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Mais de 40 crianças adotadas foram devolvidas num ano

Das 43 crianças, duas tinham problemas graves de saúde e seis problemas ligeiros, todas as outras era saudáveis.

Notícia aqui.

 

Tão triste... É claro que ninguém pode ser obrigado a nada, mas voltar a ser abandonado, depois de já se ter sido abandonado pelos pais biológicos... Não quero entrar em grandes polémicas, até porque não sei o que se passou em cada caso. Até podem ter sido algumas crianças que não se deram bem com os pais adotivos e quiseram regressar (ou inviabilizaram uma relação). Não sei. Mas sei que é uma situação horrível.

Uma criança pediu-me comida na rua...

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Como sucede frequentemente, os dias de X acabam por se tornar meramente numa data de consumismo, sem se atender ao verdadeiro sentido do dia. Com o dia mundial da criança aconteceu o mesmo. Porém, este dia 1 de junho não serve somente para dar presentes às crianças. Não foi esse o objetivo aquando da sua criação, mas sim sensibilizar o mundo para os problemas que afligem milhões de crianças e, dessa forma, pensar em formas de solucioná-los. Os números são avassaladores. E, infelizmente, a miséria e os problemas que assolam as crianças não são exclusivos de países estrangeiros. Dentro de Portugal temos vários casos de crianças que são mal tratadas, impedidas de ter acesso a coisas básicas ou de crianças que passam fome. Como uma que conheci na semana passada.

 

Estava a andar pelas ruas de Lisboa (perto do Saldanha) quando vi uma criança ao longe que interpelava as pessoas que passavam por ele, ao mesmo tempo que apontava para o fundo da rua. Fui caminhando na sua direção, enquanto observava como todas as pessoas se afastavam e recusavam a ajudar.

 

Não sou hipócrita, por isso confesso que o meu primeiro pensamento foi: Que chatice, lá vem agora um miúdo pedir alguma coisa. Se toda a gente se afasta, vou ver se também arranjo uma forma de escapar.

 

No entanto, como não dava para "fugir", continuei a andar, convencido que o que ele estava a fazer era perguntar por indicações e ninguém lhe sabia responder. 

 

Quando me aproximei, ouvi:

"Desculpe, mas estou cheio de fome, não me podia dar dinheiro para comer?"

 

Infelizmente este não é um discurso novo para mim, nem para aqueles que andam todos os dias pelas ruas de Lisboa. Mas nunca me tinha sido dito por uma criança.

 

"Tenho 11 anos... Já estou aqui há muito tempo, mas ninguém me dá nada... Eu só queria uma torrada e um leite com chocolate. Já fui ali ao café", e apontou para o tal sítio ao fundo da rua, "mas não me quiseram dar porque não tenho dinheiro. Mas estou mesmo com fome..."

 

Senti-me mais pequenino do que ele e triste. Sempre fui muito sensível, mas depois de ter um filho tudo o que tenha a ver com crianças afeta-me muito mais. 

 

"Não te preocupes.", respondi. "Só queres mesmo a torrada e o leite?"

"Sim."

"Então vamos ao café e eu compro-te o que queres."

"Mas tem dinheiro?", perguntou-me, admirado.

"Penso que sim, mas se não tiver eu resolvo.

 

Fui então com ele até ao café, pedi ao empregado a torrada e leite com chocolate, paguei o que tinha a pagar e despedi-me do miúdo quando lhe deram a comida. 

 

Apeteceu-me perguntar onde estavam os pais dele ou porque é que não estava na escola. Mas não tive coragem. Limitei-me a perguntar se precisava de mais alguma coisa e de me afastar, deixando-o para trás sozinho.

 

Já me disseram que devia ter chamado a polícia. Talvez devesse ter feito, mas naquela altura só pensei em tirar a fome ao miúdo... Não sei se agi bem ou não, mas sei que este é um dia em que todos devemos pensar nestas situações, em vez de nos limitarmos a comprar presentes para as crianças que nos rodeiam.

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