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Só entre nós

Só entre nós

Bom português?! (RTP)

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Há anos que a RTP transmite no programa Bom dia Portugal a rúbrica "Bom Português", e eu habituei-me a vê-la diariamente.

 

Infelizmente, há já algum tempo que apenas transmitem "episódios" repetidos, alguns até poucos dias depois, mas bem pior do que isso é cometer erros. 

 

Na frase "Na casa onde nasceu Miguel Torga", é questionado se o correto é "onde" ou "aonde". A pergunta é fácil, ou pelo menos deveria ser, mas a resposta que surge como correta é "aonde". Apesar de a locutora dizer que o certo é "onde".

 

Como se tudo isto já não fosse suficiente, o "episódio" tem sido insistentemente repetido, e ainda não foi corrigido o erro. Já estava na altura de corrigirem o erro... Só entre nós, de certeza que Miguel Torga nunca escreveria "aonde".

Vista Alegre é "from" Portugal

 

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A Vista Alegre é uma empresa portuguesa e um exemplo de sucesso nacional e internacional, levando o nome do nosso país pelo mundo fora. Mas por mais internacional que seja, não deixa de ser portuguesa. Certo?

 

Em princípio sim, mas começo a julgar que não. Como sugestão de prenda para o dia dos namorados que se celebra hoje, a Vista Alegre sugere a peça "Love Birds" (um nome já bastante português). E a frase que acompanha o produto é:

"Deposite uma mensagem terna e simples neste gift e surpreenda o seu amor de forma original."

 

E agora pergunto: "neste gift"?!

 

A nossa língua tem sofrido diversas alterações nos últimos anos, e existem várias palavras novas nos dicionários, mas gift?

 

Convencido de que tinha sido um lapso, continuei a ler, percebendo que estava enganado:
"Cada pássaro tem um pergaminho que permite escrever uma mensagem personalizada, sendo um excelente gift para se oferecer a quem nos é mais próximo. (...) Um gift original e contemporâneo"

 

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Faço então nova pergunta: qual era a dificuldade de escrever "neste presente/prenda"? É menos fino do que "neste gift"? Deve ser isso.

 

Se é isso, então sugiro que utilizem esta metodologia em todas as frases que forem usadas no futuro. Ao estilo de emigrante português que passados poucos meses já mistura palavras estrangeiras com portuguesas na mesma frase.

 

Que tal:
"Vista Alegre, uma brand portuguesa"
Ou "Find na Vista Alegre o melhor gift"
E porque é que tem de ser em inglês? Que tal ser ainda mais fino e misturar palavras em alemão ou dinamarquês? Por exemplo, "Ofereça este fantástico geschenk"?

 

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Muito posh, não acham? Perfeito, só se mudarem o nome da marca para outra língua:
Happy view, em inglês?
Vista allegro, em italiano?
Hilarem faciem, em latim?
Vrolijk gezicht, em holandês?

 

Qualquer uma delas é muito melhor do que o português. "Vista Alegre" já é muito old fashion...

Não me apetece pagar e não me podem obrigar!

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De vez em quando ando de comboio, e são raras as vezes em que não tenho alguma história para contar. Recentemente, o revisor aproximou-se de um adolescente, com não mais de 16 anos, e pediu-lhe o bilhete.

 

"Não tenho.", respondeu o adolescente, 

"Como?"

"Não tenho.", reafirmou, encolhendo os ombros, sem demonstrar qualquer sentimento de receio ou vergonha.

 

A sua atitude era de alguém nada preocupado com o que se estava a passar. De tal forma que o adolescente poderia ter saído na estação anterior, porque já tinha visto o revisor na carruagem a pedir os bilhetes, mas decidiu ficar. Não tinha bilhete, e isso não era um problema dele.

 

Naquele instante, convenci-me que o revisor ia passar-lhe uma multa. Afinal, existe cada vez menos tolerância, e já vi mais do que uma pessoa a ser multada somente porque não validou o seu bilhete (que tinha dinheiro para várias viagens).

 

Para minha grande surpresa, o revisor limitou-se a dizer:

"Está bem, mas então tens de sair na próxima."

 

E o que é que aconteceu a seguir? Sim, ele não saiu. Só quatro estações depois é que saiu. Nesse entretanto, esteve tranquilamente a olhar para a janela, ao mesmo tempo que o revisor, de pé ao lado dele, ia jogando no telemóvel.

 

Ou seja, o revisor não só não passou multa, como disse para ele se ir embora e ele só saiu na estação que queria.

 

Falta ainda referir que o adolescente tinha "bom aspeto", não representando o seu aspeto físico, e o medo do que poderia acontecer, qualquer justificação para a atitude do revisor. 

 

No fim, nem o rapaz quis comprar um bilhete, andando de comboio sem qualquer preocupação, nem o revisor quis exigir nada ao rapaz.

 

E porque é que isto me chateia? Por eu, e a larga maioria dos passageiros, tem de pagar os bilhetes, tem o cuidado de validá-los e, se não o fizer um dia por engano, leva logo com uma multa, independentemente da justificação. É triste, não é?