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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Vila Joya, 2 Estrelas Michelin

 

“Bem-vindo ao Paraíso.”

 

Foi assim que fomos recebidos naquele que foi recentemente considerado como o 22º melhor restaurante do mundo pela “The World’s 50 Best Restaurants”, e que tem conseguido a magnífica proeza de manter duas estrelas Michelin desde 1999.

 

 

O prinicipal responsável pelo sucesso do Vila Joya é o austríaco Dieter Koschina, que combina produtos locais com técnicas de cozinha do Norte da Europa, num restaurante com uma das melhores vistas que Portugal pode ter.


As expetativas eram bem elevadas e, desde cedo, que foi possível perceber que, se não estávamos efetivamente no Paraíso, esse não estava muito longe.

   

  

Instalado numa vivenda de estilo mourisco, o restaurante Vila Joya encanta imediatamente quem lá entra, com a sua arquitetura e decoração bem cuidada, e uma receção simpática e atenciosa.

 

 

A vista das mesas é tão bonita como relaxante e toda a envolvência com as árvores, o mar a perder de vista, o som das ondas a bater nas rochas e os pássaros a chilrear, transportam-nos para uma realidade paradisíaca, tal como pretendido.

 

Começando pelo serviço, este demonstrou ser muito competente, em sintonia com o patamar em que o restaurante se encontra.

 

 

Quanto à comida, foram-nos apresentadas duas hipóteses: menu de degustação do dia (€105 sem bebidas) ou menu à la carte.

 

 

Apesar dos nomes dos pratos virem, surpreendentemente, bem reduzidos no menu de degustação, contrariando a tendência atual para descrever extensivamente o que é servido, optámos pelo menu de degustação. Opção esta que revelou ser bem acertada.

 

Antes dos pratos do menu, foram-nos servidos alguns amuse-bouche, como habitual nestes restaurantes.

 

 

Praliné fígado de ganso com geleia de beterraba e folha de ouro e praliné de cocktail de maçã, rábano picante e flor de amor-perfeito. Ambas explosivas na boca, as primeiras foram, no nosso entender, as menos conseguidas de toda a refeição. Já as segundas, conquistaram-nos com um cocktail de maçã refrescante.

 

 

Cone com ovas de salmão e crepe de pepino com wasabi. Eram os dois bons, mas o cone com ovas de salmão era delicioso.

 

 

Crepe de pistáchio e amendoim falso. Ambos agradáveis, principalmente o amendoim que, de facto, parecia um amendoim, e sabia a amendoim, mas não o era. Unico defeito para o sal a mais do falso amendoim.

 

 

 Batata frita de arroz com creme de enguia. 

 

 

Espeto de chá príncipe com filete de enguia e ameixa, envolvido em bacon, e foie gras. 

 

Para além destes 9 amuse-bouche, foi-nos ainda apresentada uma bandeja com 4 tipos de pão (pão algarvio, pão com azeitonas, baguete e ciabatta), quadrados de verdadeira manteiga e um prato com azeite do Romeu para molhar o pão. A escolha do azeite transmontano não podia ter sido mais acertada. De realçar ainda que a manteiga foi substituída assim que acabou, tal como o pão.

 

 

Após uma hora de serviço, chegou então o primeiro prato do menu de degustação - Lavagante do Atlântico, couve-flor, caviar imperial e raviolis de aipo. Sabor, no geral, muitíssimo bom, com o lavagante bem fresco e saboroso. Destaque especial para os raviolis de massa fina, cozinhados na perfeição e recheio maravilhoso.

 

 

Seguidamente, foi servido o linguado com trufa negra e crocante de queijo, que levantou alguns questões quanto à sintonia do prato. Se é verdade que o prato pedia algo crocante, também é verdade que a intensidade do sabor do crocante de queijo acabou por omitir por completo o sabor dos outros ingredientes. Por outro lado, o sabor do peixe não era muito percetível, em parte devido ao crocante, o que fez com que fosse um prato bom, mas não extraordinário, como poderia ser.

 

 

O escolha do Chef para o prato de carne foi certeira. Duo de novilho americano (bife e bochecha) com cantarelos, cenoura baby e polenta de pimenta (e não de pimentos, como constava do menu, comprovando uma das críticas de outros clientes - erros na tradução - o que não se compreende). Se a carne estava divinal, principalmente o bife, a polenta, apesar de saborosa e suficientemente picante, graças ao wasabi, foi apresentada de forma quase líquida, misturada no molho. Tirando a parte da consistência da polenta, este duo de novilho americano foi um dos heróis da refeição.

 

 

O gelado de manga e kumquat, tapioca e côco falso (gelado de côco com casca de chocolate) conferiu um final refrescante ao equilibrado e inteligente menu de degustação. Destaque positivo para o delicioso gelado de manga e para a inovação do côco falso. Destaque negativo para as pequenas esferas brancas, que não chegámos a descobrir o que eram, mas que não sabiam bem, e para a tapioca, que nada acrescentou ao prato, a não ser uma textura e temperatura diferente.

  

Como nem tudo é o que parece nestes restaurantes galardoados com estrelas Michelin, a sobremesa não correspondeu, efetivamente, ao final da refeição, com mais umas surpresas a serem apresentadas pelo Chef.

 

 

Gelado de frutos silvestres com espuma de soro de leite.

 

 

After Eight desconstruído - o gelado de menta era irrepreensível, o que fez desta sobremesa o ponto alto dos pratos doces.

 

 

Sabayon de queijo fresco.

 

 

Caramelo com mousse de kumquat.

 

 

 

Trufas de chocolate.

 

 

Por último, bolachas caseiras para acompanhar o café.

 

 

E assim terminou um serviço de 3 horas e 19 pratos, que pecou somente na parte final, com uma demora excessiva em servir os últimos pratos e apresentar a conta. Conta esta que revelou aquilo que já se esperava: todos os amuse-bouche, couvert e surpresas do Chef encontravam-se já incluídos nos €105 de preço de menu. Por outro lado, os €4,50 por café e €9,50 por garrafa de água têm de ser vistos como preços exageradamente inflacionados, independentemente do restaurante.

 

 

Antes de sair do restaurante, foi-nos ainda oferecida uma lembrança: um batom comestível de chocolate branco e azuleta.

 

 

Em jeito de conclusão, foi uma experiência extremamente positiva e inesquecível. Compreende-se a referência ao Paraíso aquando da nossa chedada, as 2 estrelas Michelin mantidas há quase 15 anos, e o destaque do “The World’s 50 Best Restaurants” ao atribuir-lhe o título de 22º melhor restaurante do mundo.

 

 

Mesmo assim, e só entre nós, não podemos deixar de considerar que o Belcanto, do Chef José Avillez, com a sua criatividade e qualidade, consegue, com "apenas" uma estrela Michelin e nenhuma vista, superar a grandeza do Vila Joya.

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