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Vida "childfree"

 

Será moda? Será egoísmo? Será assim tão diferente, tão sem sentido, tão estranho?

 

Foi tema de capa da revista Sábado há pouco tempo e já fez capa da Time. É cada vez mais um tema importante e um debate interessante. A vida "childfree" ou sem filhos por opção é, no fundo, tão simples como a vida com filhos. É uma mera opção.

 

Naturalmente, as consequências poderão ser boas ou menos boas e, como em todas as escolhas, o arrependimento é sempre possível. Quem escolhe ser jornalista pode mais tarde arrepender-se de não ter sido advogado. Quem escolhe ser professor pode vir a arrepender-se ainda antes de começar a dar aulas, porque simplesmente não consegue emprego... Quem escolhe viver na cidade pode arrepender-se por causa da poluição ou da confusão, mas quem escolhe o campo pode arrepender-se por estar longe das superfícies comerciais, dos serviços ou dos museus. E quem escolhe ter filhos também pode arrepender-se de os ter tido.

 

Imaginem, por exemplo, pais de uma criança com paralisia cerebral que terá de ficar numa cadeira de rodas totalmente dependente durante toda a sua vida. Ou os pais de uma criança que nasce aparentemente normal e depois é autista. Ou os pais de uma criança com cancro, que têm de a ver sofrer com a doença e os tratamentos, e depois disso ainda acabam por perdê-la. Ou os pais que vêem os filhos destruídos pela droga. Ou aqueles que imaginaram para os seus filhos um futuro risonho e acabam por vê-los sem emprego, dependentes dos pais até aos quarenta anos. Ou ainda aqueles pais que depois de terem feito tudo o que podiam e não podiam pelos seus filhos, acabam velhos e sozinhos, completamente abandonados, como se não tivessem mais ninguém.

 

Depois destes exemplos todos, acho difícil não percebermos que todas as decisões podem gerar arrependimento. Por isso, é óbvio que escolher não ter filhos também pode levar a arrependimento. Ainda assim, acredito que nunca será tão duro uma pessoa sem filhos arrepender-se de não os ter tido, do que uma pessoa com filhos arrepender-se de os ter tido.

 

Razões para escolher ser "childfree"? São mais que muitas. Basta fazer uma simples pesquisa no Google para perceber que há vários argumentos e centenas de razões. O egoísmo não é uma delas. Num mundo como este em que vivemos actualmente, é maior o egoísmo de ter filhos sem saber o que o futuro lhes reserva. A menos, claro, que tenhamos uma boa fortuna para lhes deixar ou sejamos Príncipes de Inglaterra... Manter um casamento feliz, no qual os dois membros do casal são a prioridade máxima um do outro (no fundo é por quererem viver juntos que duas pessoas se casam). Viver livremente, sem uma espada em cima da cabeça, sem estar constantemente preocupado a pensar se teremos dinheiro suficiente para tudo o que um filho precisa, se teremos a saúde de ferro necessária para educar uma criança até ao fim da faculdade, se teremos a estabilidade profissional necessária para podermos viver sempre no mesmo sítio e não perturbar a escolaridade da criança, o seu meio e as suas amizades. Viajar nas melhores alturas do ano para cada destino, sem pensar no calendário escolar ou no dinheiro que teremos de gastar vezes três ou quatro ou cinco. Viajar para o destino que nos apetecer em cada momento, sem pensar que temos de ir para a praia porque é saudável, ou à EuroDisney porque as crianças gostam, ou à torre Eiffel ou ao Coliseu de Roma ou ver o Big Ben só porque tem de ser, quando afinal queríamos ir à Ilha da Páscoa ou à Patagónia. Chegar a casa, tomar banho e atirar-nos para cima do sofá só porque sim, só porque estamos cansados e não nos apetece fazer mais nada. Jantar cereais com leite porque não queremos comer mais nada e não nos apetece cozinhar nem sair para jantar fora. Ou sair para jantar fora sem pensar na hora de deitar ou nos testes do dia seguinte. Ou simplesmente, dormir a noite toda, sem sobressaltos, ano após ano.

 

Como sempre, há pros e contras. Como sempre, há quem defenda uma e outra opção com unhas e dentes. Como sempre, há bons argumentos dos dois lados. Só entre nós, é o assunto do dia.

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