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Toda a verdade sobre recém-nascidos #3 - Quem tem medo do lobo mau?

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Ainda se lembram da história dos três porquinhos? Cada um com a sua casinha, uma de palha, outra de madeira e outra de tijolo, permanentemente ameaçados pelo lobo mau... Pois bem, nesta vida de recém-pais, o bebé é o lobo mau e nós somos o porquinho da casinha de palha...

 

Tenho bem presente a primeira noite que passámos com o nosso filho na maternidade. Imersa na escuridão da madrugada, tive a sensação de que o pequeno berço, onde o bebé dormia tranquilamente, tinha a dimensão de um camião gigante, que parecia ocupar o quarto todo! Estranho, não acham? Para mim, o bebé assumiu desde essa noite uma dimensão gigantesca, como se os seus 3 quilos fossem uns 300! Em casa continuei a sentir exatamente o mesmo, ainda que, com o passar do tempo, as dimensões do bebé e do seu berço tenham vindo a diminuir progressivamente. Bem sei que passo por maluca, o que, provavelmente,  é verdade, e que ninguém mais se identifica com esta alucinação. O meu marido não entendeu nada disto quando lhe contei o que sentia uns dias depois, já em casa. Obviamente. 

 

Não sou psicóloga, nem quero armar em tal, mas a explicação que encontro para este meu estranho sentimento é simples: o bebé assumiu na minha vida proporções enormes, ocupou um espaço maior do que alguma vez imaginei que fosse possível, mesmo que me custe admitir isso. Talvez por isso mesmo, a presença dele foi interpretada pelo meu subconsciente como se fosse uma pessoa gigante, ainda que imaginária, porque a imagem real corresponde, afinal, a um bebé minúsculo.

 

Por isso, utilizo esta imagem do lobo mau, prestes a demolir a nossa casinha, que é como quem diz toda a nossa estrutura que pensávamos ser tão sólida. Demolir com tamanha doçura, com o despertar de um novo amor, com o cansaço de dias e noites de exigências sem fim, com a dura realidade de que a vida mudou para sempre (ainda que possa ter mudado para melhor, por enquanto é cedo para percebermos bem isso), com a ameaça de toda uma nova e enorme responsabilidade que vem para ficar, para a vida inteira... 

 

E afinal, um mês depois, percebo que foi bom o lobo mau ter demolido a casinha de palha, para que possamos, finalmente, construir uma casa de betão armado e tijolo, sólida e forte como deve ser, à prova de ventos ciclónicos e tempestades tropicais. Uma casa a sério, para uma família completa. 

 

Leia também:

Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 - A amamentação

Toda a verdade sobre recém-nascidos #2 - As noites

 

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