Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Só entre nós

Só entre nós é um blog para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, aquilo de que gostamos ou não, sobre bons e maus momentos, restaurantes fantásticos, viagens fabulosas ou nem tanto... No fundo, sobre tudo.

Só entre nós

Só entre nós é um blog para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, aquilo de que gostamos ou não, sobre bons e maus momentos, restaurantes fantásticos, viagens fabulosas ou nem tanto... No fundo, sobre tudo.

Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 - A amamentação

amamentar.jpg

 

Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 A amamentação

 

Bem antes de engravidar, já tinha lido sobre o tema da amamentação em vários blogs. Fui percebendo que há quem seja a favor, quem seja indiferente, quem seja contra mesmo sem experimentar e, ainda, quem seja totalmente fundamentalista e não veja outra possibilidade que não a amamentação em exclusivo até aos 20 anos do seu bebé!

 

Confesso que apenas me divertia enquanto lia os posts e respetivos comentários. Nunca pensei muito a sério no assunto. Para mim, era lógico que tendo mamas capazes de produzirem leite, caso tivesse um bebé iria amamentá-lo até voltar ao trabalho. Não pela ideia romântica da amamentação como forma única de criar laços entre mãe e filho, mas simplesmente porque sei, como toda a gente sabe, que o leite materno tem propriedades únicas que fazem dele o melhor alimento que cada mãe pode dar ao seu filho.

 

Já durante a gravidez, procurei informar-me melhor sobre o assunto. Li alguns livros e artigos a este respeito. Concluí que amamentar não seria assim tão simples quanto pôr a maminha de fora e deixar o bebé beber o leite até não querer mais. Comecei a perceber que o leite e a sua produção se vão alterando ao longo do tempo. Comecei a perceber que algumas etapas poderiam ser mais difíceis do que eu antevia, sobretudo quando li sobre a subida do leite e as mastites e por aí adiante... A verdade é que não fiz nenhum curso de preparação para o parto, por considerar (agora reconheço que estupidamente) que qualquer mulher nasce preparada para o parto. Se isto tem um fundo de verdade, certo é que hoje percebo que não há mal nenhum em prepararmo-nos o melhor possível para o parto e, sobretudo, para o pós-parto.

 

Ainda assim, para mim seria impensável não tentar amamentar. Se tivesse leite, deveria dá-lo ao meu filho. E em todo o lado li sempre que o segredo para o sucesso da amamentação é, precisamente, amamentar. Nunca desistir, insistir sempre e manter a calma. Pensei que não seria assim tão complicado. Afinal, há muitos milhares de anos que as mulheres amamentam os seus filhos sem aparentes dificuldades de maior. Nunca, nas minhas relações mais próximas, ouvi alguma mulher queixar-se das agruras da amamentação. Não. Pelo contrário, sempre ouvi (às poucas que falaram disso) que tinham adorado amamentar.

 

O momento da verdade chegou pouco depois do parto. Ainda na sala onde o meu filho veio à luz, de parto normal, rápido e sem complicações, uma enfermeira perguntou-me se queria amamentar. Já tinha decidido que não havia outra hipótese, pelo que respondi logo que sim. Mal chegámos à sala de recobro, veio então a enfermeira apertar-me o mamilo e enfiá-lo na boquinha do meu filho recém-nascido, que de imediato lhe pegou e começou a sugar com toda a força! Como pode um récem-nascido ter tanta força?! Chamem-me ingénua ou mal preparada ou o que quiserem, mas a minha surpresa foi enorme! Não me queixei a ninguém, exceto ao pai da criança, e continuei a fazer o mesmo de três em três horas, conforme me disseram que fizesse. Durante a primeira noite, em vez daquela ligação especial ente mãe e filho prometida por qualquer defensora da amamentação, o que sentia era dor e uma vontade enorme de que cada mamada terminasse tão depressa quanto possível, para que o pai do meu filho pudesse por fim tirá-lo dos meus braços para eu respirar... No dia seguinte já tinha dores insuportáveis de cada vez que amamentava e os mamilos começaram a gretar, mesmo com o kit amamentação que levei para a maternidade e apliquei desde o primeiro momento (creme anti-fissuras e conchas protetoras, aos quais rapidamente juntei também os discos de hidrogel). A isto junta-se um bebé pequenino que acorda de dia e de noite de hora a hora e as visitas que se sucedem e não saem do quarto no momento da amamentação... No dia da alta, já a minha cabeça estava naufragada em sofrimento físico e pura exaustão psíquica.

 

Ao chegar a casa, as coisas complicaram-se ainda mais. Por um lado, deixou de haver ajuda de enfermeiras e auxiliares, deixou de haver serviço de refeições a horas certas, deixou de haver uma campainha para chamar alguém mais experiente no meio da noite quando o bebé chora desalmadamente e nós não sabemos porquê nem o que fazer para o acalmar... Por outro lado, as visitas mantêm-se, as nossas rotinas são completamente alteradas e deixamos de ter horas mais ou menos certas para tomar banho, para comer, para dormir... E no meio disto tudo, lidamos com o descontrolo hormonal do pós-parto que só nos dá vontade de chorar. Para complicar ainda mais, o bebé mama de duas em duas horas, de noite e de dia, e fica a mamar uma hora de cada vez. Isto faz com que o intervalo entre mamadas, para dormir, para comer ou para tomar banho, se resuma a uma hora, na melhor das hipóteses!!! Quando se percebe que o bebé chora inconsolável no final de cada mamada porque ficou com fome, então a amamentação perde não o encanto (que para mim nunca teve), mas a sua função primordial de alimentar o meu filho recém-nascido que já saiu da maternidade com menos 10% do peso que tinha ao nascer.

 

Apesar de ter tido muita vontade, ainda não tive coragem de desistir totalmente da amamentação, mesmo tendo que oferecer sempre suplemento depois do meu leite, que é realmente pouco. E não desisti porque comecei o processo e agora vou deixar que seja a natureza a encarregar-se de o suprimir quando tiver que ser. Mas não é fácil, não é agradável e, para mim, não é bonito. Quando, ainda por cima, o leite não chega, e é necessário usar o leite da lata para que o bebé engorde, então torna-se inglório. Agora que sei o que é isto da amamentação na prática, não só não critico quem opta por não amamentar à partida, como eu própria sei agora que não amamentarei, para lá do colostro dos primeiros dias, nunca mais na vida, caso venha a ter outro filho. Podem crucificar-me. No fundo, sei agora que o vínculo inicial entre mim e o meu filho seria muito mais forte se tivesse começado logo com biberão e sem sofrimento. E o bem estar da mãe reflete-se no bem estar do bebé, suplantando para mim qualquer uma das maravilhosas vantagens do leite materno, sobretudo sabendo que este não é suficiente, o que faz com que o bebé acabe por beber muito mais leite artificial do que materno...

18 comentários

Comentar post