Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Tatuagens, piercings, rastas e bebé

 

Há uns dias no comboio estava um homem com roupas rasgadas, os braços repletos de tatuagens, piercings espalhados pela cara e rastas. Ao seu lado, estava um lindo bebé de poucos meses, deitado no seu carrinho, loirinho e de olhos azuis, que atraía a atenção de todos os presentes.

 

Por duas vezes, aquele homem, pai do bebé perfeito, precisou de ajuda. Para subir os degraus do comboio com o carrinho e para sair da carruagem. A mãe do bebé, estrangeira, também estava com ele, e também tinha o mesmo aspeto que o companheiro, mas não podia ajudar porque levava duas enormes mochilas.

 

Das duas vezes que pediu ajuda, não faltaram pessoas disponíveis para o ajudar. E, em ambas as ocasiões, o homem demonstrou extrema educação, contrariando todos os estereótipos criados nas cabeças dos outros por causa do seu aspeto.

 

Agora pergunto: se não houvesse nenhum bebé, e fosse somente aquele homem simpático e educado, mas com aquele mau aspeto (aos olhos da maioria), será que ele conseguiria ajuda de alguém para subir as escadas e sair da carruagem?

 

Imaginemos que ele tinha dificuldade em andar, como tantos idosos que andam de comboio, e não conseguia sair do comboio sem ajuda de outro. Será que, se pedisse ajuda, sem qualquer bebé, conseguiria a mesma simpatia?

 

A minha resposta é negativa. Não sou hipócrita, nem vou dizer que claro que ajudava. Honestamente, não sei, mas o seu aspeto descuidado não me inspiraria muita confiança. E para quem, como eu, já foi assaltado mais do que uma vez, e já assistiu a um assalto no comboio, não é de admirar a desconfiança. Por isso, o mais certo era ficar à espera que outra alma mais caridosa se dispusesse a ajudar.

 

Perante tamanha simpatia, o homem virou-se para a companheira e disse, em inglês, que os portugueses eram todos assim. Extremamente simpáticos... Pois, pois... Até podemos ser todos muito simpáticos, mas continuo a acreditar que, se não houvesse bebé, não haveria tanta gente disposta a ajudá-lo a sair do comboio. Se é que haveria alguém...

{#emotions_dlg.blink}