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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

12
Jul17

Criticado por não ajudar o Banco Alimentar

Só entre nós

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Eu já ajudei o Banco Alimentar por alguns anos. Tanto na sede em Lisboa, a separar as doações, como à porta dos supermercados. Tirando isso, contribuo sempre que há uma campanha. Normalmente comprando produtos no supermercado, mas já comprei vales e ajudei online. 

 

Seja como for, nem eu nem ninguém é obrigado a ajudar. Nem ninguém tem de comprar produtos no supermercado, como ninguém tem de ir ajudar a recolher produtos. 

 

Porém, nesta última campanha do Banco Alimentar, fui criticado por não ajudar. Quando na realidade tinha acabado de ajudar.

 

Fui ao Lidl com o meu filho, enchi um dos sacos do Banco Alimentar com produtos pedidos, e entreguei-o à saída. 

 

Imediatamente a seguir, fui ao Continente (mesmo em frente) comprar mais coisas, onde também estava uma equipa do Banco Alimentar que, com certeza por distração, nem me perguntou se queria um saco para contribuir. 

 

Quando ia a sair, com o meu filho ao colo, vem um menino na minha direção para recolher um saco que pensou que eu tinha no carrinho.

 

Antes de poder dizer alguma coisa, ouvi o homem que parecia ser o responsável por aquele grupo dizer ao miúdo:

 

"Não vale a pena que esse senhor não quis ajudar."

 

Apeteceu-me ir ter com ele e explicar que tinha acabado de dar noutro supermercado.

 

Apeteceu-me dizer que mesmo que não o tivesse feito, ninguém é obrigado a dar.

 

Apeteceu-me mandá-lo à merda.

 

Limitei-me, talvez erradamente, a respirar fundo e seguir em frente com o meu filho, fingindo que não tinha ouvido aquilo.

 

Percebo, porque também já estive no seu lugar, que o que mais queremos é encher carrinhos com sacos. Mas foi muito triste ouvir aquela acusação totalmente desnecessária e injusta.

03
Jul17

Um país onde ninguém pode morrer

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Era uma vez uma senhora de 100 anos que fez uma fratura grave e teve de ser levada para o hospital.

 

A senhora de 100 anos foi operada e apanhou uma pneumonia durante o seu internamento. Algo normal quando se mistura num mesmo copo alguém idoso e debilitado num ambiente hospitalar.

 

Ao saber da pneumonia da senhora com 100 anos, uma familiar foi ao hospital e ameaçou tudo e todos com processos judiciais. Porquê? Porque a senhora de 100 anos tinha entrado no hospital bem (!!!) e agora tinha uma pneumonia. E se ela morresse, seriam todos processados. Todos. 

 

Ou seja, a senhora de 100 anos, que tinha sido levada para o hospital na sequência de uma fratura muito grave (mas tinha entrado bem no entender da familiar) não podia morrer. Sob pena de todos aqueles que fazem (bem) o seu trabalho serem processados.

 

Faz sentido, não faz? É o país que temos. Onde ninguém pode morrer, mas onde também muitos dos familiares de idosos que vão para o hospital ficam tristes quando esses têm alta e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para adiar a alta.

 

Porque os idosos não podem morrer, mas depois de irem para o hospital também não podem regressar a casa.

 

Era uma vez uma sociedade podre num país chamado de Portugal.

01
Jun17

Uma criança pediu-me comida na rua...

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Como sucede frequentemente, os dias de X acabam por se tornar meramente numa data de consumismo, sem se atender ao verdadeiro sentido do dia. Com o dia mundial da criança aconteceu o mesmo. Porém, este dia 1 de junho não serve somente para dar presentes às crianças. Não foi esse o objetivo aquando da sua criação, mas sim sensibilizar o mundo para os problemas que afligem milhões de crianças e, dessa forma, pensar em formas de solucioná-los. Os números são avassaladores. E, infelizmente, a miséria e os problemas que assolam as crianças não são exclusivos de países estrangeiros. Dentro de Portugal temos vários casos de crianças que são mal tratadas, impedidas de ter acesso a coisas básicas ou de crianças que passam fome. Como uma que conheci na semana passada.

 

Estava a andar pelas ruas de Lisboa (perto do Saldanha) quando vi uma criança ao longe que interpelava as pessoas que passavam por ele, ao mesmo tempo que apontava para o fundo da rua. Fui caminhando na sua direção, enquanto observava como todas as pessoas se afastavam e recusavam a ajudar.

 

Não sou hipócrita, por isso confesso que o meu primeiro pensamento foi: Que chatice, lá vem agora um miúdo pedir alguma coisa. Se toda a gente se afasta, vou ver se também arranjo uma forma de escapar.

 

No entanto, como não dava para "fugir", continuei a andar, convencido que o que ele estava a fazer era perguntar por indicações e ninguém lhe sabia responder. 

 

Quando me aproximei, ouvi:

"Desculpe, mas estou cheio de fome, não me podia dar dinheiro para comer?"

 

Infelizmente este não é um discurso novo para mim, nem para aqueles que andam todos os dias pelas ruas de Lisboa. Mas nunca me tinha sido dito por uma criança.

 

"Tenho 11 anos... Já estou aqui há muito tempo, mas ninguém me dá nada... Eu só queria uma torrada e um leite com chocolate. Já fui ali ao café", e apontou para o tal sítio ao fundo da rua, "mas não me quiseram dar porque não tenho dinheiro. Mas estou mesmo com fome..."

 

Senti-me mais pequenino do que ele e triste. Sempre fui muito sensível, mas depois de ter um filho tudo o que tenha a ver com crianças afeta-me muito mais. 

 

"Não te preocupes.", respondi. "Só queres mesmo a torrada e o leite?"

"Sim."

"Então vamos ao café e eu compro-te o que queres."

"Mas tem dinheiro?", perguntou-me, admirado.

"Penso que sim, mas se não tiver eu resolvo.

 

Fui então com ele até ao café, pedi ao empregado a torrada e leite com chocolate, paguei o que tinha a pagar e despedi-me do miúdo quando lhe deram a comida. 

 

Apeteceu-me perguntar onde estavam os pais dele ou porque é que não estava na escola. Mas não tive coragem. Limitei-me a perguntar se precisava de mais alguma coisa e de me afastar, deixando-o para trás sozinho.

 

Já me disseram que devia ter chamado a polícia. Talvez devesse ter feito, mas naquela altura só pensei em tirar a fome ao miúdo... Não sei se agi bem ou não, mas sei que este é um dia em que todos devemos pensar nestas situações, em vez de nos limitarmos a comprar presentes para as crianças que nos rodeiam.

30
Jan17

O teu carro começa a arder e os vizinhos... fogem

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Os vizinhos são uma m3rd@!

 

Durante a noite, um carro começou a arder no meio da rua e o carro dos meus sogros, que infelizmente estava estacionado mesmo ao lado, foi também consumido pelas chamas. 

 

Quando a GNR tocou à campainha da casa deles para os alertar do sucedido, a situação não só já era irremediável como, estranhamente, não havia carros à volta. Parecia daquelas noites de festa, ou noites em meses de férias, onde há mais lugares livres do que ocupados.

 

Mas não era nenhum desses casos. Os vizinhos dos meus sogros aperceberam-se do que estava a acontecer, foram retirar os seus carros da rua para não serem apanhados pelas chamas, e nunca foram tocar à campainha deles para os avisar. Sim, nunca...

 

Pergunta/resposta:

  • Mas será que eles não sabiam a quem pertencia o carro?
  • Sabiam perfeitamente. O carro tinha quase dois anos, por isso não era novo, naquela zona (como normalmente em todo o lado) toda a gente sabe tudo sobre todos, todos se conhecem e a GNR foi tocar à campainha porque alguém disse que era ali que moravam os donos de um dos carros.

 

  • Se calhar eles quiseram salvar primeiro os seus carros, o que até é legítimo, e depois apareceu a GNR e decidiram deixar que eles fossem avisar. É capaz de ter sido isso, não?
  • É claro que se eu visse carros a arder na rua, também ia tirar o meu carro de lá o quanto antes. Mas se visse que dava para esperar dois segundos e a casa do vizinho fosse mesmo em frente, como era o caso, pelo menos ia lá tocar à campainha que nem um louco e depois ia tratar do meu carro. E convenhamos, quase ninguém mora sozinho... Enquanto um ia tirar o carro, o outro podia perfeitamente ir avisar.

 

  • Mas se calhar quando os vizinhos viram o incêndio já não havia nada a fazer com o carro dos teus sogros. 
  • Aparentemente não foi nada disso. O primeiro carro começou a arder, os vizinhos aperceberam-se do que estava a acontecer, foram tirar os carros e no entretanto o fogo alastrou-se aos dois que estavam ao lado. A diferença é que o que estava de um dos lados ainda tem salvação porque o dono conseguiu tirá-lo a tempo. Já o dos meus sogros...

 

Perante isto tudo, só consigo concluir duas coisas:

  • Cada vez mais se comprova como a nossa sociedade está podre, com os valores todos trocados, onde a cabeça já não consegue deixar de olhar para o seu umbigo;
  • E aquela história de que é muito bom não viver isolado porque assim podemos contar com a ajuda dos nossos vizinhos se for preciso em alguma emergência, é mesmo uma treta.
15
Jul16

Recordando Nice, com lágrimas nos olhos

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*** Post publicado a 04/11/2015 ***
 
Nice nunca esteve nos meus planos de viagem. Como nunca tinha ouvido ninguém a elogiar ou criticar a cidade, nunca pensei em visitá-la. No entanto, e por motivos profissionais, acabei por lá ir uns dias e não foi preciso muito para ficar rendido à sua beleza.

 

 

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Toda a Promenade des Anglais é maravilhosa, com destaque para a arquitetura tão cuidada dos prédios, com vista para o mar, e para a extensa e limpa praia, já considerada como uma das melhores praias de cidade do mundo.
 

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Mas não é só a Promenade que justifica uma visita à cidade.
 

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Vieille Ville - Zona antiga da cidade com ruas sinuosas, mercados de rua e lojas de antiguidades. Não faltam também restaurantes e cafés com boa comida, pequenas praças históricas e igrejas. Para visitar os mercados, onde poderão encontrar todo o tipo de recordações de Nice e da Provença, é aconselhável ir logo pela manhã, quando há menos turistas.
 

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Parc du Château - Pulmão verde da cidade, de onde se conseguem as melhores vistas. Tanto para o centro da cidade, como para a Promenade des Anglais, praia ou para a bonita marina. Vale a pena subir a pé, conhecer os diversos miradouros e cascata, e depois aproveitar o elevador para descer.
 

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Place Masséna - Praça perto da Vieille Ville, onde começa a Avenue Jean Médecin e onde se encontram algumas das melhores, e mais caras, lojas.
 

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Avenue Jean Médecin - Uma das principais avenidas da cidade, repleta de lojas e locais turísticos.
 

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Basílica Notre-Dame de Nice - antiga e linda por fora e por dentro. Sem dúvida, um bom local para descansar e meditar.
 

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Nice apresentou-se como uma cidade tranquila, bonita, bem cuidada, limpa, cheia de vida e história. Bastam dois dias para conhecer bem a cidade, mas justificam-se mais uns dias para poder desfrutar de toda a sua beleza.