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Só entre nós

Só entre nós é um blog para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, aquilo de que gostamos ou não, sobre bons e maus momentos, restaurantes fantásticos, viagens fabulosas ou nem tanto... No fundo, sobre tudo.

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O corpo da mulher depois da gravidez - Toda a verdade sobre recém-nascidos #6

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A propósito desta notícia do Observador, lembrei-me de escrever sobre este assunto, tão banal quanto abafado na sociedade ocidental dos nossos dias.

 

É verdade que há mulheres (poucas) que conseguem rapidamente voltar à forma pré-gravidez, ou ainda melhor, sem estragos de maior. Ou seja, não só perdem o peso e a barriga, como ainda exibem essa mesma barriga sem estrias e umas belas coxas sem celulite. Exemplos de raridades como estas há muitas, como a modelo da Vogue, mas assim mais perto temos a Carolina Patrocínio, a Fernanda Velez (Blog da Carlota) ou a recém-mamã Maria Guedes (Stylista). Mas estas senhoras são a exceção que confirma a regra. Claro que isto não lhes tira o mérito de aumentarem pouco de peso na gravidez e de se esforçarem a sério para regressarem depressa à forma física que tinham antes.

 

Mas, falo agora por experiência própria, o corpo da mulher sofre, de facto, grandes modificações com a gravidez. E voltar ao estado anterior não só é difícil, como, muitas vezes, impossível. A maioria de nós sofre com esta questão no pós-parto, de uma forma mais ou menos acentuada. A juntar à angústia de lidar com o desconhecido, ao drama da amamentação, das noites mal dormidas, do choro inconsolável, há ainda a imagem ao espelho que não perdoa. Mesmo depois dos primeiros quilos perdidos com o parto e nos dias a seguir, quando finalmente conseguimos dois minutos para olhar para nós, aquilo que vemos é terrível: a barriga de quatro meses, agora flácida e cheia de estrias, a anca larga e as coxas com celulite, os derrames nas pernas, os tornozelos e as mãos ainda inchados, os cabelos baços e a começarem a cair, as borbulhas no queixo... Enfim, para muitas de nós, lidar com um trambolhão hormonal, um corpo desfigurado e um recém-nascido nos braços de uma só vez, não é fácil e leva a momentos de algum desespero e muitas lágrimas.

 

Infelizmente, não sou a única a passar por isto (embora às vezes pense que sou). A propósito deste tema, e porque o mal de muitos é conforto, há até um blog criado a pensar no drama da maioria das mulheres ao ver o seu reflexo no espelho depois do parto - chama-se "The Shape of a Mother" e vale a pena visitar quando acharem que são as únicas.

 

Truques para lidar com este problema? Ainda estou muito verde neste tema, mas o que resultou melhor comigo foi começar uma dieta a sério quando o meu filho fez um mês. Claro que ajudou ter deixado de amamentar nessa altura e, assim, poder fazer dieta à vontade. Ao mesmo tempo, pude começar a fazer exercício físico, sobretudo grandes caminhadas ao ar livre, o que ajuda muito. Agora resta esperar que tudo isto resulte e que, pelo menos, o peso volte ao normal. O resto das mazelas ficam para recordar os nove meses mais belos da minha vida.

Toda a verdade sobre recém-nascidos #5 - Viver em surdina

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Depois do bebé nascer, parece que o volume sonoro, em geral, aumentou. Soa estranho?

 

Eu explico melhor... A televisão, com o volume no mínimo, berra (e não apenas com a Cristina Ferreira no ecrã). Arrumar a loiça lavada (sobretudo os talheres) perfura qualquer tímpano. Os vizinhos de cima, que nem sabíamos que existiam, agora deixam cair tudo a cada passo. O microondas, a esterilizar biberões em loop, é pior que um avião em pleno voo. Os vidros duplos das janelas deixaram de abafar os sons da rua. O toque do telefone soa a concerto de rock. Uma torneira aberta é uma cascata. A descarga do autoclismo é um autêntico dilúvio. Os chinelos de quarto fazem mais barulho que botas de salto alto.

 

Isto constitui um problema enorme nas nossas vidas... Porquê? É que depois da árdua tarefa de adormecer o bebé e pousá-lo no berço sem que se desperte, qualquer esforço é válido na tentativa de que aguente assim até à próxima mamada. Se tiver de ser, desliga-se a televisão, sussurra-se em vez de falarmos normalmente, adia-se a lavagem da roupa, dispensa-se o banho (em último caso), aguenta-use o xixi e partilham-se as descargas do autoclismo para fazer barulho de uma só vez, fecham-se todas as janelas (nem que o ar ambiente esteja irrespirável e lá fora sopre uma brisa refrescante), põem-se os telemóveis em modo voo (não há mais chamadas urgentes), desliga-se a campainha, andamos descalços, se possível até levitamos... E, se pudéssemos, comprávamos o prédio todo só para não haver mais nenhum barulho da vizinhança.

 

E depois deste esforço todo, verificamos que, quando o bebé dorme de verdade, não há barulho que o perturbe. No carro, a música pode estar aos berros que ele não ouve. Na rua, os carros podem buzinar à vontade. Quando temos visitas, podem falar alto e todos ao mesmo tempo. Quando dorme de verdade, nem um tremor de terra o abala!!! Só entre nós, estamos mesmo maluquinhos de todo...

 

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Toda a verdade sobre recém-nascidos #4 - Viver na penumbra

Toda a verdade sobre recém-nascidos #4 - Viver na penumbra

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Durante o dia, a nossa vida é até bastante iluminada. Abrimos os estores da casa toda, logo bem cedo pela manhã, deixamos entrar o sol sem medos e o nosso bebé dorme relativamente bem, sobretudo se estiver ao colo.

 

Com o cair da noite, o caso muda de figura. Ao que nos parece, este bebé já percebeu bem a diferença entre o dia e a noite, o que até é muito positivo, uma vez que a partir das 9 horas da noite deixa-se pousar tranquilamente no seu bercinho (o que dificilmente acontece de dia) e dorme bem, nos intervalos em que não está a comer...

 

O que acontece é que a partir desta hora não podemos acender luzes que ele possa detetar. Porquê? Simples. Porque receamos acordar a ferinha adormecida. Temos medo que, com luzes acesas, ele entenda que é de dia e acorde a pedir colo (o que, atualmente, é como quem diz a berrar desalmadamente). Então, a partir das 9 da noite, vivemos às escuras cá em casa. Ou tão às escuras quanto possível. Entramos na cozinha às escuras, fechamos a porta e acendemos a luz. Na sala, acendemos uma luz fraquinha  (aqui mais tranquilos porque estamos mais afastados do quarto). Não usamos a casa de banho do quarto, mas sim a social e no mesmo esquema da cozinha. No hall, as luzes embutidas no teto deixaram de ter utilidade (logo agora que tínhamos mudado tudo para LED, percebemos que afinal a maior poupança consistia em desligá-las porque, como se vê, não fazem falta). E, finalmente, quando queremos ir para a cama, junto à qual ele dorme a sono solto no seu berço, usamos a luz do telemóvel, discretamente.

 

Resta-nos esperar que, assim como foi rápido a perceber a diferença entre o dia e a noite (na questão da luminosidade, com certeza, porque no que toca à comida ainda não percebeu nada), possa também depressa compreender a diferença entre a luz solar e a luz elétrica...

 

 

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Toda a verdade sobre recém-nascidos #3 - Quem tem medo do lobo mau?

Toda a verdade sobre recém-nascidos #3 - Quem tem medo do lobo mau?

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Ainda se lembram da história dos três porquinhos? Cada um com a sua casinha, uma de palha, outra de madeira e outra de tijolo, permanentemente ameaçados pelo lobo mau... Pois bem, nesta vida de recém-pais, o bebé é o lobo mau e nós somos o porquinho da casinha de palha...

 

Tenho bem presente a primeira noite que passámos com o nosso filho na maternidade. Imersa na escuridão da madrugada, tive a sensação de que o pequeno berço, onde o bebé dormia tranquilamente, tinha a dimensão de um camião gigante, que parecia ocupar o quarto todo! Estranho, não acham? Para mim, o bebé assumiu desde essa noite uma dimensão gigantesca, como se os seus 3 quilos fossem uns 300! Em casa continuei a sentir exatamente o mesmo, ainda que, com o passar do tempo, as dimensões do bebé e do seu berço tenham vindo a diminuir progressivamente. Bem sei que passo por maluca, o que, provavelmente,  é verdade, e que ninguém mais se identifica com esta alucinação. O meu marido não entendeu nada disto quando lhe contei o que sentia uns dias depois, já em casa. Obviamente. 

 

Não sou psicóloga, nem quero armar em tal, mas a explicação que encontro para este meu estranho sentimento é simples: o bebé assumiu na minha vida proporções enormes, ocupou um espaço maior do que alguma vez imaginei que fosse possível, mesmo que me custe admitir isso. Talvez por isso mesmo, a presença dele foi interpretada pelo meu subconsciente como se fosse uma pessoa gigante, ainda que imaginária, porque a imagem real corresponde, afinal, a um bebé minúsculo.

 

Por isso, utilizo esta imagem do lobo mau, prestes a demolir a nossa casinha, que é como quem diz toda a nossa estrutura que pensávamos ser tão sólida. Demolir com tamanha doçura, com o despertar de um novo amor, com o cansaço de dias e noites de exigências sem fim, com a dura realidade de que a vida mudou para sempre (ainda que possa ter mudado para melhor, por enquanto é cedo para percebermos bem isso), com a ameaça de toda uma nova e enorme responsabilidade que vem para ficar, para a vida inteira... 

 

E afinal, um mês depois, percebo que foi bom o lobo mau ter demolido a casinha de palha, para que possamos, finalmente, construir uma casa de betão armado e tijolo, sólida e forte como deve ser, à prova de ventos ciclónicos e tempestades tropicais. Uma casa a sério, para uma família completa. 

 

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Toda a verdade sobre recém-nascidos #2 - As noites

 

Toda a verdade sobre recém-nascidos #2 - As noites

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Qual a diferença entre o dia e a noite? De dia faz sol e de noite está escuro. Certo. De dia estamos acordados e à noite dormimos. Errado. Esta última premissa só é verdadeira até ao dia em que nasce o nosso filho.

 

Sim, não me venham dizer que no último trimestre da gravidez já se dorme mal porque o organismo se prepara para o pós-parto. Para mim, isso é treta. Eu dormi bem todas as noites das 39 semanas em que estive grávida. Enfim, claro que numas dorme-se melhor que noutras, mas isso também acontecia antes da gravidez.

 

Mas, subitamente, o tempo passou e eis senão quando chega o grande dia e, consequentemente, a primeira noite a três. Bom, nessa noite dormimos mal. Mas mais por nossa causa, uma vez que o bebé teve de ser acordado para mamar a cada três horas e nos intervalos dormia pacificamente enquanto nós estávamos acordados a olhar para ele e a confirmar se respirava convenientemente...

 

A dura realidade veio a partir da segunda noite, ainda na maternidade. Aí começámos a perceber que entre uma mamada e outra, com mudança de fralda e tempo para adormecer o bebé, praticamente sobrava-nos uma horinha para dormir alguma coisa, sempre em sobressalto para ouvirmos o bebé a respirar, claro! Assim, de noites de oito horas de sono rapidamente passamos para quatro.

 

Já em casa, ao fim de alguns dias, começamos a perceber que não há duas noites iguais, e se hoje dormimos cinco horas, amanhã podemos perfeitamente dormir apenas três. Nunca se sabe. Se hoje dormimos bem entre a uma e as três, amanhã podemos não pregar olho até às quatro. Nunca se sabe. Se hoje o bebé parece um anjinho que come e dorme, amanhã pode chorar a noite inteira, sem sabermos porquê.

 

As noites passam, pois, a ser uma continuação do dia: mamadas de três em três horas, mudança de fralda, adormecer o bebé. E rezar. Rezar para que fique no berço, calminho, e para que durma pelo menos uma horinha seguida. Alguma vantagem nesta confusão entre o dia e a noite? Claro que sim, há que ver sempre o copo meio cheio, ainda que isso me pareça difícil às quatro da manhã... A principal vantagem, para mim, é que posso viajar já amanhã para Tóquio sem sentir o habitual jet lag, uma vez que esse é o meu estado habitual hoje em dia.

 

Mas há mais vantagens: já descobri que há vizinhos acordados no prédio em frente às mesmas horas da madrugada (é sempre consolo o mal não ser só nosso), já descobri que o camião do lixo passa aqui na rua às três da manhã (demorei oito anos para descobrir, mas mais vale tarde do que nunca) e já tive oportunidade de ver os mais belos nasceres do sol de verão de toda a minha vida (no inverno já estou habituada a ver nascer o sol a caminho do trabalho, mas no verão ainda não tinha acontecido)!

 

Portanto, só entre nós, nem tudo é mau. E há-de passar, como todos me dizem ultimamente. Espero, sinceramente, que sim. O meu filho não há-de pedir comida e colo até à adolescência... Pois não?

 

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Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 - A amamentação

Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 - A amamentação

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Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 A amamentação

 

Bem antes de engravidar, já tinha lido sobre o tema da amamentação em vários blogs. Fui percebendo que há quem seja a favor, quem seja indiferente, quem seja contra mesmo sem experimentar e, ainda, quem seja totalmente fundamentalista e não veja outra possibilidade que não a amamentação em exclusivo até aos 20 anos do seu bebé!

 

Confesso que apenas me divertia enquanto lia os posts e respetivos comentários. Nunca pensei muito a sério no assunto. Para mim, era lógico que tendo mamas capazes de produzirem leite, caso tivesse um bebé iria amamentá-lo até voltar ao trabalho. Não pela ideia romântica da amamentação como forma única de criar laços entre mãe e filho, mas simplesmente porque sei, como toda a gente sabe, que o leite materno tem propriedades únicas que fazem dele o melhor alimento que cada mãe pode dar ao seu filho.

 

Já durante a gravidez, procurei informar-me melhor sobre o assunto. Li alguns livros e artigos a este respeito. Concluí que amamentar não seria assim tão simples quanto pôr a maminha de fora e deixar o bebé beber o leite até não querer mais. Comecei a perceber que o leite e a sua produção se vão alterando ao longo do tempo. Comecei a perceber que algumas etapas poderiam ser mais difíceis do que eu antevia, sobretudo quando li sobre a subida do leite e as mastites e por aí adiante... A verdade é que não fiz nenhum curso de preparação para o parto, por considerar (agora reconheço que estupidamente) que qualquer mulher nasce preparada para o parto. Se isto tem um fundo de verdade, certo é que hoje percebo que não há mal nenhum em prepararmo-nos o melhor possível para o parto e, sobretudo, para o pós-parto.

 

Ainda assim, para mim seria impensável não tentar amamentar. Se tivesse leite, deveria dá-lo ao meu filho. E em todo o lado li sempre que o segredo para o sucesso da amamentação é, precisamente, amamentar. Nunca desistir, insistir sempre e manter a calma. Pensei que não seria assim tão complicado. Afinal, há muitos milhares de anos que as mulheres amamentam os seus filhos sem aparentes dificuldades de maior. Nunca, nas minhas relações mais próximas, ouvi alguma mulher queixar-se das agruras da amamentação. Não. Pelo contrário, sempre ouvi (às poucas que falaram disso) que tinham adorado amamentar.

 

O momento da verdade chegou pouco depois do parto. Ainda na sala onde o meu filho veio à luz, de parto normal, rápido e sem complicações, uma enfermeira perguntou-me se queria amamentar. Já tinha decidido que não havia outra hipótese, pelo que respondi logo que sim. Mal chegámos à sala de recobro, veio então a enfermeira apertar-me o mamilo e enfiá-lo na boquinha do meu filho recém-nascido, que de imediato lhe pegou e começou a sugar com toda a força! Como pode um récem-nascido ter tanta força?! Chamem-me ingénua ou mal preparada ou o que quiserem, mas a minha surpresa foi enorme! Não me queixei a ninguém, exceto ao pai da criança, e continuei a fazer o mesmo de três em três horas, conforme me disseram que fizesse. Durante a primeira noite, em vez daquela ligação especial ente mãe e filho prometida por qualquer defensora da amamentação, o que sentia era dor e uma vontade enorme de que cada mamada terminasse tão depressa quanto possível, para que o pai do meu filho pudesse por fim tirá-lo dos meus braços para eu respirar... No dia seguinte já tinha dores insuportáveis de cada vez que amamentava e os mamilos começaram a gretar, mesmo com o kit amamentação que levei para a maternidade e apliquei desde o primeiro momento (creme anti-fissuras e conchas protetoras, aos quais rapidamente juntei também os discos de hidrogel). A isto junta-se um bebé pequenino que acorda de dia e de noite de hora a hora e as visitas que se sucedem e não saem do quarto no momento da amamentação... No dia da alta, já a minha cabeça estava naufragada em sofrimento físico e pura exaustão psíquica.

 

Ao chegar a casa, as coisas complicaram-se ainda mais. Por um lado, deixou de haver ajuda de enfermeiras e auxiliares, deixou de haver serviço de refeições a horas certas, deixou de haver uma campainha para chamar alguém mais experiente no meio da noite quando o bebé chora desalmadamente e nós não sabemos porquê nem o que fazer para o acalmar... Por outro lado, as visitas mantêm-se, as nossas rotinas são completamente alteradas e deixamos de ter horas mais ou menos certas para tomar banho, para comer, para dormir... E no meio disto tudo, lidamos com o descontrolo hormonal do pós-parto que só nos dá vontade de chorar. Para complicar ainda mais, o bebé mama de duas em duas horas, de noite e de dia, e fica a mamar uma hora de cada vez. Isto faz com que o intervalo entre mamadas, para dormir, para comer ou para tomar banho, se resuma a uma hora, na melhor das hipóteses!!! Quando se percebe que o bebé chora inconsolável no final de cada mamada porque ficou com fome, então a amamentação perde não o encanto (que para mim nunca teve), mas a sua função primordial de alimentar o meu filho recém-nascido que já saiu da maternidade com menos 10% do peso que tinha ao nascer.

 

Apesar de ter tido muita vontade, ainda não tive coragem de desistir totalmente da amamentação, mesmo tendo que oferecer sempre suplemento depois do meu leite, que é realmente pouco. E não desisti porque comecei o processo e agora vou deixar que seja a natureza a encarregar-se de o suprimir quando tiver que ser. Mas não é fácil, não é agradável e, para mim, não é bonito. Quando, ainda por cima, o leite não chega, e é necessário usar o leite da lata para que o bebé engorde, então torna-se inglório. Agora que sei o que é isto da amamentação na prática, não só não critico quem opta por não amamentar à partida, como eu própria sei agora que não amamentarei, para lá do colostro dos primeiros dias, nunca mais na vida, caso venha a ter outro filho. Podem crucificar-me. No fundo, sei agora que o vínculo inicial entre mim e o meu filho seria muito mais forte se tivesse começado logo com biberão e sem sofrimento. E o bem estar da mãe reflete-se no bem estar do bebé, suplantando para mim qualquer uma das maravilhosas vantagens do leite materno, sobretudo sabendo que este não é suficiente, o que faz com que o bebé acabe por beber muito mais leite artificial do que materno...