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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

03
Jul17

Um país onde ninguém pode morrer

Só entre nós

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Era uma vez uma senhora de 100 anos que fez uma fratura grave e teve de ser levada para o hospital.

 

A senhora de 100 anos foi operada e apanhou uma pneumonia durante o seu internamento. Algo normal quando se mistura num mesmo copo alguém idoso e debilitado num ambiente hospitalar.

 

Ao saber da pneumonia da senhora com 100 anos, uma familiar foi ao hospital e ameaçou tudo e todos com processos judiciais. Porquê? Porque a senhora de 100 anos tinha entrado no hospital bem (!!!) e agora tinha uma pneumonia. E se ela morresse, seriam todos processados. Todos. 

 

Ou seja, a senhora de 100 anos, que tinha sido levada para o hospital na sequência de uma fratura muito grave (mas tinha entrado bem no entender da familiar) não podia morrer. Sob pena de todos aqueles que fazem (bem) o seu trabalho serem processados.

 

Faz sentido, não faz? É o país que temos. Onde ninguém pode morrer, mas onde também muitos dos familiares de idosos que vão para o hospital ficam tristes quando esses têm alta e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para adiar a alta.

 

Porque os idosos não podem morrer, mas depois de irem para o hospital também não podem regressar a casa.

 

Era uma vez uma sociedade podre num país chamado de Portugal.

12
Jun17

A Nespresso e o cliente mentiroso (eu...)

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Há uns dias passei numa Nespresso para comprar um kit de descalcificação para a minha máquina. E foi com surpresa que ouvi o seguinte:

 

"Kit não temos. Mas porque é que não compra uma máquina nova? Temos agora uma promoção em que a máquina fica apenas por €40. É uma excelente oportunidade."

 

A sério? A minha máquina é recente, está a funcionar bem, e só precisa de um kit de descalcificação. Nada relevante. Porque é que haveria de gastar muito mais dinheiro do que um kit para comprar uma máquina nova, quando tenho uma recente que funciona bem?

 

E que formação é esta que dão aos funcionários para tentar convencer os clientes a comprar máquinas novas?

 

Mas para terminar em beleza:

"Já provou os nossos novos cafés?"

"Sim, comprei esta semana."

"Não, estes ainda não provou!", garantiu, como se soubesse todos os cafés que tinha provado nos últimos dias. 

"Sim, provei! São aqueles cafés especiais e raros do Laos e de outro sítio qualquer. Já comprei."

"Deixe-me ver.", disse, olhando para o computador, sem acreditar no que lhe estava a dizer. "Não, da última vez comprou X, não comprou estes."

"Garanto-lhe que comprei! Não foi nesta Nespresso mas comprei. E se não foi na última compra então foi na anterior. Mas foi esta semana. Esta semana já é a terceira vez que passo numa Nespresso."

Não satisfeita, a empregada continuou a mexer no computador até que:

"Tem razão, já comprou estes cafés novos. Mas não foi na última compra."

 

Perante isto, não dava vontade de mandar esta empregada a um sítio menos próprio? Não acreditou que já tinha provado o café e desconfiou sempre até ao fim. O que é que isso interessava? Bastava perguntar ao cliente se já tinha provado e acreditar no que ele tinha dito. Se fosse mentira, paciência. 

 

Lamentável...

05
Jun17

Traições e a merda de sociedade em que vivemos

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Continuando com o post sobre o divórcio estar banalizado (que podem ler aqui), que merda de sociedade é esta em que o traidor, homem, é quem sai em grande de um divórcio?

 

Desculpem a palavra merda, mas desconheço outra melhor para caracterizar esta sociedade triste e machista que temos. 

 

Temos portanto um homem casado, que se "apaixona" por outra, e decide trair a sua mulher durante longos meses até ser descoberta a traição. E o que é que acontece?

 

- Muitas pessoas, homens e mulheres, ouvem a história e comentam: será que ela também não tinha outro homem?

- Quase todos aqueles que são próximos apoiam o traidor. Se estava apaixonado, fez muito bem em terminar o casamento. Esquecem-se, no entanto, que não foi ele quem terminou o casamento, mas sim que este só terminou porque a mulher descobriu a traição ao fim de longos meses.

- Muitos afastam-se da mulher, como se fosse tóxica, depois de dezenas de anos de convívio.

- No caso de festas onde era suposto estar o traidor e a traída, a traída vai e o traidor recusa-se a ir porque a "amante" pode sentir-se mal por estar numa festa com a ex-mulher. E o mais engraçado é que há quem concorde com esta atitude.

 

Mas serei eu que estou louco? Porque é que é a mulher quem tem de ficar por baixo? Porque é que assumem logo que foi ela que traiu? Porque é que expulsam a traída da sua vida, e acolhem com celebração o traidor?

 

E se fosse ao contrário? Se fosse a mulher a trair e o homem traído? Pior ainda!! O homem ainda seria mais consolado. Quando trai, já é coitadinho porque não estava feliz no casamento. Quando é traído, ela é uma p#%& e ele um desgraçado que foi traído e abandonado.

 

Portanto, se ela trair é uma grande p#%&. Se for traída, é só uma p#%&.

 

Ou seja, traída ou traidora, a mulher é sempre uma p#%&, o elo mais fraco. E porquê? Porque vivemos numa merda de sociedade machista e estúpida.

 

E sim, é um homem quem assina este post.

30
Jan17

O teu carro começa a arder e os vizinhos... fogem

Só entre nós

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Os vizinhos são uma m3rd@!

 

Durante a noite, um carro começou a arder no meio da rua e o carro dos meus sogros, que infelizmente estava estacionado mesmo ao lado, foi também consumido pelas chamas. 

 

Quando a GNR tocou à campainha da casa deles para os alertar do sucedido, a situação não só já era irremediável como, estranhamente, não havia carros à volta. Parecia daquelas noites de festa, ou noites em meses de férias, onde há mais lugares livres do que ocupados.

 

Mas não era nenhum desses casos. Os vizinhos dos meus sogros aperceberam-se do que estava a acontecer, foram retirar os seus carros da rua para não serem apanhados pelas chamas, e nunca foram tocar à campainha deles para os avisar. Sim, nunca...

 

Pergunta/resposta:

  • Mas será que eles não sabiam a quem pertencia o carro?
  • Sabiam perfeitamente. O carro tinha quase dois anos, por isso não era novo, naquela zona (como normalmente em todo o lado) toda a gente sabe tudo sobre todos, todos se conhecem e a GNR foi tocar à campainha porque alguém disse que era ali que moravam os donos de um dos carros.

 

  • Se calhar eles quiseram salvar primeiro os seus carros, o que até é legítimo, e depois apareceu a GNR e decidiram deixar que eles fossem avisar. É capaz de ter sido isso, não?
  • É claro que se eu visse carros a arder na rua, também ia tirar o meu carro de lá o quanto antes. Mas se visse que dava para esperar dois segundos e a casa do vizinho fosse mesmo em frente, como era o caso, pelo menos ia lá tocar à campainha que nem um louco e depois ia tratar do meu carro. E convenhamos, quase ninguém mora sozinho... Enquanto um ia tirar o carro, o outro podia perfeitamente ir avisar.

 

  • Mas se calhar quando os vizinhos viram o incêndio já não havia nada a fazer com o carro dos teus sogros. 
  • Aparentemente não foi nada disso. O primeiro carro começou a arder, os vizinhos aperceberam-se do que estava a acontecer, foram tirar os carros e no entretanto o fogo alastrou-se aos dois que estavam ao lado. A diferença é que o que estava de um dos lados ainda tem salvação porque o dono conseguiu tirá-lo a tempo. Já o dos meus sogros...

 

Perante isto tudo, só consigo concluir duas coisas:

  • Cada vez mais se comprova como a nossa sociedade está podre, com os valores todos trocados, onde a cabeça já não consegue deixar de olhar para o seu umbigo;
  • E aquela história de que é muito bom não viver isolado porque assim podemos contar com a ajuda dos nossos vizinhos se for preciso em alguma emergência, é mesmo uma treta.
07
Dez16

À frase "Bom dia" responde-se...

Só entre nós

À frase "Bom dia" responde-se... ... ... ... Silêncio. 

 

aqui escrevi sobre este mal que ataca a nossa Humanidade, num post dedicado aos vizinhos:

Espécie vulgar de vizinhos, que padece de um mal - surdez - que só se manifesta fora de casa e, em particular, nas zonas públicas de um prédio.

 

Segundo relatos de quem convive com esta espécie, mesmo que se diga, olhos nos olhos, bom dia três vezes, esta espécie de vizinhos nunca responde. Tal facto não se deve à hora madrugadora do cumprimento pois, como descrito em diversos estudos internacionais, também não é dada resposta aos desejos de boa tarde ou boa noite.

 

Infelizmente, as conclusões dos estudos são inconclusivas quanto ao motivo para a surdez, apontando, porém, para a má educação como causa mais provável.

 

Continuar a ler aqui.

 

Mas infelizmente isto não se aplica unicamente a vizinhos... Onde é que está a mais básica boa educação? O que é que custa ser educado e responder a um cumprimento tão banal? Ninguém está a perguntar nada, ou a pedir a opinião sobre a situação política mundial... É, única e exclusivamente, um cumprimento. Bom dia, boa tarde, boa noite... O que é que se está a passar?

 

Não podem ser todos surdos. Até porque não falta publicidade a minúsculos aparelhos invisíveis que resolvem este problema.

 

Também não podem ser todos estrangeiros. Bem sei que há cada vez mais turistas em Lisboa, mas até esses acabam por responder numa espécie de português.

 

Então qual é a justificação para que se diga bom dia a alguém (e essa pessoa ouve perfeitamente o cumprimento) e não se receba qualquer cumprimento de volta?

 

É triste, mas talvez a solução seja muito simples. Entrar no jogo e deixar de cumprimentar. Acabam-se os cumprimentos de uma vez por todas e ponto final.