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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

14
Set17

Embaixadas em Portugal e o desconhecimento da língua portuguesa...

Só entre nós

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Eu sei que uma embaixada, enquanto sede da representação diplomática de um Estado, é uma pequena parcela desse território estrangeiro. No entanto, não faria sentido que os seus funcionários, ou pelo menos alguns dos seus funcionários, falassem a língua do país onde a embaixada está?

 

Caso concreto, mas sem revelar países.

 

Há uns meses tive de contactar a embaixada de um país nórdico sediada em Lisboa. Atenderam-me na língua desse país. Tentei falar em português, mas não foi possível. Tentei falar em inglês e foi muito difícil mas lá consegui colocar a minha dúvida.

 

Ontem telefonei para a embaixada de um país árabe em Lisboa e a funcionária que atendia sabia português, mas nenhum dos restantes funcionários com quem falei sabia português ou inglês. Insistiam, num inglês bastante sofrido, que tinha de saber falar árabe. 

 

Ora eu até sei falar algumas línguas, mas não sei árabe. Resultado? Só à quarta chamada, e depois de muita insistência, é que consegui falar com o Embaixador. Que, por sorte, falava inglês.

 

Isto tudo para perguntar: por estarem em Portugal, não deviam saber falar em português? Não seria o mínimo? Ou então inglês, uma vez que é a língua universal.

 

Percebo que a maioria dos interessados em falar com uma embaixada sejam os locais desse país representado. Mas a verdade é que os portugueses também podem querer tratar de assuntos lá... Questões com viagens, vistos...

 

Não posso jurar, mas sou tentado a apostar que nas embaixadas de Portugal espalhadas pelo mundo, não só falam a língua do país onde estão, como ainda falam inglês. Sina de um povo que tem a mania de se esforçar por saber comunicar com todos.

14
Ago17

Ágata (e seu soutien) a Vice Presidente!!!

Só entre nós

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Não quero ofender ninguém, mas tenho de perguntar: Isto é mesmo a sério???


Em primeiro lugar, a foto escolhida para o comunicado... Ar sério, até algo presidencial. Um ar preocupado com os habitantes. Com os seus problemas. E depois... Um soutien rendado à mostra. A Ágata até pode querer passar a imagem de política, mas acaba por sair um pouco (muito) ao lado. 

 

E depois o texto. Primeiro o slogan super banal - Todos Por Castanheira. Faz logo gritar, O povo, unido, jamais será vencido!! Poderia ser bem mais original, pegando nalgum refrão de uma das suas músicas.

"Maldita Castanheira que me enlouqueces, às vezes pareces que fazes bruxedo."

 

Depois do slogan, a preocupação com o feminino e masculino. Afinal temos política!! O soutien está só a disfarçar. Grande Ágata, que nunca se esquece dos "as" e dos "os" na vida!!

 

Depois vem a desgraça. Mas pode ser do teclado (há sempre quem dê essa desculpa). "Á" "Ás"...

Ai, Ágata, Ágata... Tens um problema com os acentos, não é? Parece que fogem para o lado errado? Já dizia a outra:

"Sai, sai da minha vida! Vai, não te quero ver!"

Malditos acentos (e hífen)...

 

Esquecendo os sacanas dos acentos e erros ortográficos, chegam duas grandes revelações:

A Ágata afirma ser um ser humano. Graças a Deus, senão não podia concorrer.

E a Ágata diz não perceber nada de política.

 

Não te preocupes, querida Ágata. Não és a única. Há muitos que não percebem um #$%"!= de política. E não é por causa disso que deixam de se candidatar.

 

Ágata diz ainda que quer dar alegrias. Esperam-se concertos em breve, de certeza. Ou mais fotos com este ar profissional e soutien à mostra.

 

Para terminar, a maior pérola. "Disse" Sem ponto e sem mais nada. Apenas, "Disse".

 

Mas disse o quê?? Disse? Tal como, "tenho dito"? Encerrar de comunicado brilhante. Melhor, só mesmo a revelação da capa do novo álbum de Ágata.

 

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Título - Irmãs separadas à nascença.

 

Só resta saber se o nome para votar será Ágata ou Maria Fernanda. É que sem foto, com ou sem soutien, ninguém sabe quem é a Maria.

 

Disse

25
Jul17

Traduções ridículas e surreais no Google Translate!!

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Como é que se escreve Lisboa em espanhol? Madrid.

 

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É isso mesmo. Vão ao Google Translate, escolham Português-Espanhol e escrevam Lisboa. A tradução do Google de Lisboa para espanhol é Madrid. 

 

Descobri ao fazer a tradução de um texto de português para espanhol com a ajuda do Google Translate.

 

Fiquei tão admirado, que decidi fazer mais experiências.

 

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Porto = Puerto Rico. Bem me parecia que a Invicta tinha uns ares de Porto Rico...

 

O problema parece estar só no espanhol...

 

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 E português?

 

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Español, claro. Já o contrário está bem.  

 

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Como se não fosse suficientemente surpreendente, decidi escrever Portugal.

 

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Penso que fomos conquistados por Espanha e nem sabíamos de nada.

 

E as sugestões? Portugal está de luto???

 

Já agora, o contrário não acontece.

 

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Invertendo as línguas, tudo fica bem.

 

Resta-me dizer:

Adiós y gracias.

 

 

30
Jun17

Portugal não presta. Mas posso ser Português??

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No âmbito da minha profissão, lido com diversos estrangeiros que pretendem vir viver para Portugal (ou pelo menos adquirir a nacionalidade portuguesa). "Fogem" de países politicamente instáveis, de economias que poderiam ser muito mais fortes e de uma sensação de insegurança. Chegam à procura do Paraíso, confiantes numa economia (aparentemente) mais estável e com perspetivas positivas, e num país bem mais seguro. São atraídos pelas diversas ações de marketing que o Turismo de Portugal desenvolve no estrangeiro, pelo clima e pelas pessoas.

 

Tudo faz sentido, é legítimo, e cá estaremos para recebê-los de braços abertos, tal como desejamos que façam os habitantes dos países para onde os nossos portugueses emigram.

 

No entanto, há algo que não consigo compreender ou aceitar - as críticas ao país que os vai acolher. Sem querer generalizar, mas partindo da minha experiência, já não é o primeiro brasileiro que, ao falar comigo, critica Portugal e sua burocracia, dizendo até que somos nós, Portugueses, os responsáveis pelo mal que funciona a burocracia e política no Brasil. Porque, no fundo, fomos nós que levámos tudo para lá.

 

Já foram vários os brasileiros que me disseram: "Agora entendo porque é que o Brasil não funciona. Aprenderam com vocês."

 

Profissionalmente estou impedido de o fazer, mas a resposta que mereciam era:

- aprenderam connosco, mas foram incapazes de alterar o mal e melhorar o que têm;

- e se somos tão maus, se Portugal funciona assim tão mal, então porque é que querem vir para cá?

 

Mas isto não é uma questão exclusiva do Brasil. Já ouvi outros estrangeiros, interessados em vir para Portugal, criticando severamente o país que os vai acolher, defendendo como o país de origem é melhor.

 

Ora então porque é que escolhem Portugal???

 

Eu fico satisfeito que venham para cá, e tenho um enorme prazer em mostrar tudo o que a minha cidade e o meu país tem de tão bom. Mas não me venham dizer que isto não presta e que onde vivem é muito melhor. Para isso fiquem lá, pois assim é como alguém a morrer à fome e criticar o tipo de comida que lhe oferecem.

 

Sempre ouvi dizer que quem está bem não se muda. Ou que só se muda para melhor. 

30
Mai17

What do you quer? No plate? Pão?

Só entre nós

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Quando vou a um food court, se houver um h3 é muito provável que acabe por comer lá. Os hambúrgueres são bons e apesar das filas muitas vezes terem longos metros, a espera compensa.

 

E a avaliar pelo movimento sempre intenso, e pela quantidade de h3 que já abriram, não sou o único a pensar o mesmo. Mas não só os portugueses que gostam de passar pelo h3. Cada vez vejo mais turistas nas filas.

 

Algo perfeitamente normal, atendendo ao aumento de turistas em Lisboa e Portugal. O que já não acho normal é ver a incapacidade que alguns empregados do h3 têm para falar outras línguas.

 

O normal seria que um estrangeiro se esforçasse por tentar dizer algumas palavras no idioma do país que está a visitar, tal como nós portugueses fazemos assim que saímos do país. Mas em Portugal isso raramente acontece. São poucos aqueles que se esforçam minimamente. Os outros, ou seja nós, é que têm de saber falar a língua deles ou uma língua mais universal.

 

Talvez por isso haja quem defenda com unhas e dentes que não devíamos ceder. Aqueles que nos visitam é que têm de se esforçar por se fazer entender. E eu em parte até concordo. 

 

Mas a verdade é que para um negócio funcionar bem, dá jeito atrair todos os clientes possíveis. E isso implica saber receber os estrangeiros e saber, pelo menos minimamente, comunicar com eles.

 

Porém, no h3 mais perto do meu trabalho, onde cada vez há mais turistas, já presenciei por 2 vezes cenas lamentáveis com turistas. O título deste post é mesmo verdadeiro. 

 

"What do you quer? No plate? Pão?"

 

Sim, eu ouvi mesmo isto. E nenhum dos outros 4 empregados ao balcão foi capaz de ajudar, apesar dos pedidos de ajuda da funcionária aos colegas.

 

Nenhum dos 5 funcionários do balcão do h3 sabia perguntar coisas básicas em inglês. Tive que ser eu a fazer de tradutor. Mas não foi caso único. Umas semanas depois deparei-me com a mesma situação. Um francês, e respetiva família, não percebiam nada sobre o ponto da carne. E a funcionária (diferente da situação anterior), bastante nervosa, só dizia para os colegas:

 

"Eu nem sei dizer em inglês, quanto mais em francês..."

 

Do nada, surgiu entretanto uma funcionária da cozinha que falava francês na perfeição e conseguiu falar com os clientes.

 

Mas atenção que este não é um problema exclusivo do h3 perto de mim. Já assisti a outro caso semelhante no h3 do Corte Inglés.

 

Este post não é uma crítica a nenhum funcionário do h3. Até porque em parte concordo com a teoria de que os outros é que têm de fazer um esforço por comunicar. Eles é que nos estão a visitar. Mas era essencial que, pelo menos, os empregados soubessem fazer aquelas perguntas básicas em inglês. Pelo menos na "língua universal". Não é preciso saber discutir os temas da atualidade. E por isso esta é uma crítica ao próprio h3, que devia, até para seu bem, proporcionar aos seus funcionários uma breve formação em inglês.

 

Não me venham com teorias de custos para a empresa. Em último caso, bastava simplesmente distribuírem um guião em inglês pelos funcionários. E se houvesse dúvidas, era só olhar para lá (ou mostrar aos clientes). Caso isto já aconteça, então peço desculpa ao h3 mas não é isso que parece.

 

Por fim, acredito piamente que isto não é um "problema" exclusivo do h3. Eu é que nunca presenciei situação semelhante noutro local. Bem pelo contrário.

 

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16
Fev16

Bom português?! (RTP)

Só entre nós

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Há anos que a RTP transmite no programa Bom dia Portugal a rúbrica "Bom Português", e eu habituei-me a vê-la diariamente.

 

Infelizmente, há já algum tempo que apenas transmitem "episódios" repetidos, alguns até poucos dias depois, mas bem pior do que isso é cometer erros. 

 

Na frase "Na casa onde nasceu Miguel Torga", é questionado se o correto é "onde" ou "aonde". A pergunta é fácil, ou pelo menos deveria ser, mas a resposta que surge como correta é "aonde". Apesar de a locutora dizer que o certo é "onde".

 

Como se tudo isto já não fosse suficiente, o "episódio" tem sido insistentemente repetido, e ainda não foi corrigido o erro. Já estava na altura de corrigirem o erro... Só entre nós, de certeza que Miguel Torga nunca escreveria "aonde".

13
Mai15

O novo acordo ortográfico

Só entre nós - she

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A partir de hoje passa a ser obrigatório o uso do novo acordo ortográfico. Até agora, já lá vão seis anos desde a entrada em vigor deste acordo em Portugal, era facultativo (período de adaptação).

 

Dizer novo acordo ortográfico é um enorme eufemismo, uma vez que a assinatura deste  acordo remonta a 1990. Sim, o "novo" acordo, a aplicar obrigatoriamente a partir de hoje, dia 13 de maio de 2015, tem afinal 25 anos! Enfim, talvez só seja velho lá para os 80 ou mais...

 

Claro que, quando se diz obrigatório, estamos a falar de organismos estatais, Diário da República ou instituições de ensino, onde, de resto, já está a ser aplicado há alguns anos de forma, necessariamente, obrigatória.

 

Obviamente, ninguém, na sua vidinha banal, será obrigado (no sentido mais lato do termo) a usar o acordo ortográfico. Ou seja, não há na lei nenhuma sanção prevista para quem não usar o acordo ortográfico nas cartas de amor, na lista do supermercado, nas reclamações no livro amarelo das finanças ou do hospital, nem mesmo no discurso para se candidatarem à presidência da Junta de Freguesia lá da terra. Ufa... Que alívio! Imaginem que a partir de hoje quem não escrevesse corretamente, segundo o novo acordo ortográfico, seria multado ou punido de alguma outra forma. O terror que isto causaria não tem nada a ver com o novo acordo mas sim com o escrever corretamente. É que encontrar quem escreva sem erros segundo o antigo acordo já não é fácil, quanto mais segundo o novo... Seria uma tragédia andar à caça de tanta gente...

 

Penso que já consegui tranquilizar muito boa gente que não pretende nunca vir a usar este novo acordo. Ou então talvez comecem a usá-lo quando ele for velho e já haja um novo assinado para aí há uns 10 anos... Os argumentos são muitos e todos muito válidos. Uns porque não gostam da nova ortografia, outros porque já estão velhos para mudar a forma como escrevem, ou porque sempre escreveram assim, ou porque não querem escrever como os brasileiros (faz de conta que é disso que se trata)... Em relação a este último argumento, a maioria ainda dá o exemplo brilhante do fato/facto, o que traduz o total desconhecimento do acordo e das suas regras mais básicas. Nem me dou ao trabalho de explicar, mas, de facto, é muito triste perceber que nem isto perceberam.

 

Só entre nós, eu não sou contra nem a favor deste novo acordo. Limito-me a acatar e a querer escrever corretamente de acordo com as regras em vigor. Sempre fui assim, desde os saudosos tempos em que a minha professora da escola primária me ensinou a escrever. Gosto de escrever sem erros ortográficos. E gosto de estar em consonância com a evolução da língua portuguesa. Imaginem se, nos dias de hoje, houvesse ainda quem escrevesse com a mesma ortografia usada por Camões para escrever Os Lusíadas... Talvez o Latim não fosse uma língua morta se a resistência à mudança tivesse sido sempre assim tão grande.