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Está tudo louco na estrela Michelin Alentejana

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As minhas experiências no L'And, o único restaurante com um estrela Michelin no Alentejo, nunca foram extraordinárias (último post aqui). 

 

Mas a reconquista da estrela dava curiosidade em ir ver como estava entretanto o serviço e a criatividade na cozinha. 

 

Telefonei para lá e fiquei a saber:

  • que o restaurante não está aberto para o público todos os dias;
  • e que mesmo nos dias em que supostamente está aberto, depende da ocupação do hotel onde está inserido o L'And.

 

Em concreto, foi-me dito que no dia que queria ir o restaurante supostamente estaria aberto, mas como o hotel estava com quase todos os quartos reservados, não podiam aceitar reservas para o restaurante por parte de não hóspedes. Tinham de ter mesas disponíveis para os hóspedes.

 

Mais fiquei a saber que para aquele dia ainda não havia reservas de hóspedes para o restaurante, mas podia vir a haver, por isso não dava para mim. 

 

Ou seja, no L'And preferem passar um dia inteiro com a sala praticamente vazia, para poderem ter mesas para hóspedes que não sabem se querem ou não comer lá, em vez de garantirem logo casa cheia com quem quiser reservar. 

 

Não sei se os responsáveis pelo L'And estão loucos, ou se eu que estou errado, mas sei que por mim não contam comigo para lá voltar. Principalmente depois de ouvir:

"Faça assim. Vá telefonando para saber como está a ocupação do hotel e assim pode ser que consiga um dia para cá vir comer."

 

Começo a recear que isto se alastre aos outros restaurantes de hotéis (se é que já não acontece algo semelhante noutros locais). É que bloquear mesas para hóspedes, até faz sentido. Mas bloquear uma sala inteira já é demais. 

Michelin 2017 - E a montanha pariu um rato

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Antes de mais, sempre me disseram que era feio queixar-me de barriga cheia. Mas não resisto a perguntar: Afinal o que é que se passou com o Guia Michelin Portugal 2017?

 

Em primeiro lugar, o que era expectável era que 2017 trouxesse apenas mais uma ou duas estrelas para o céu Michelin português, tendo em conta o triste histórico português neste campo gastronómico. E já não seria nada mau!

 

Eis senão quando o próprio Guia Michelin Portugal Espanha, de forma oficial e na pessoa de Ángel Pardo, vem comunicar a toda a imprensa que este seria um ano bombástico para Portugal. 17 estrelas novas, garantiu por telefone ao Miguel Pires, do Mesa Marcada. Nem mais, nem menos!

 

De imediato se fizeram sentir os efeitos desta declaração, com gritos de felicidade em muitas cozinhas portuguesas, sonhos (quase) concretizados e um sentimento de justiça (finalmente) no coração de quem se interessa por este mundo. Ao mesmo tempo, começaram as previsões. Quais eram essas 17 estrelas? Quem ia subir? Quem devia subir? Muitos deram os seus palpites, incluindo eu, com o Tiago do Ovo Cru a fazer, e muito bem, um resumo de algumas previsões.

 

Porém, e contra tudo o que se poderia antever, no dia da divulgação do guia é anunciado pelo próprio Ángel Pardo (que recordo tinha anunciado 17 estrelas), que afinal haveria 9 novas estrelas. E não 17.

 

Por isso retomo a minha pergunta. O que é que se passou afinal? Só vejo três hipóteses, sendo todas bastante plausíveis:

1- Confirma-se que Portugal não tem qualquer relevância no mundo Michelin e que os responsáveis do guia nem sabem bem quantas estrelas existem ou quantas vão surgir. No fundo o que interessa é Espanha;

 

2- O único objetivo foi criar um hype e gerar uma explosão de publicidade;

 

3- Alguém estava cheio de fome e pôs-se a comer estrelas (Das três hipóteses esta é, sem dúvida, a mais provável. Malditos espanhóis esfomeados...).

 

Pondo de lado esta vergonha (não encontro outra palavra), é claro que fiquei (ficámos) satisfeitos com as 9 estrelas novas. Mas eu não consegui ficar plenamente satisfeito. Desde logo porque sinto que fui enganado. E se se fizeram justiças, há coisas que não consigo perceber...

 

Comecemos pela parte boa...

1 - LOCO ganhou a estrela. Merecida, sem qualquer sombra de dúvida. E espero que agora se calem de vez com aquela treta de que os restaurantes novos, ou muito inovadores, não podem ganhar estrelas;

 

2 - O Alma ganhou a estrela. De todas as estrelas foi a que me deixou mais emocionado. É o nosso restaurante preferido, o Henrique Sá Pessoa é uma pessoa espetacular e um profissional incrível, e todo o seu árduo trabalho só podia resultar numa estrela;

 

3 - O The Yeatman conseguiu a segunda estrela. Não fazia qualquer sentido só ter uma;

 

4 - O L'And reconquistou a estrela. Apesar de não concordar totalmente, de acordo com a nossa última visita lá, fico feliz por eles e conto voltar lá em breve;

 

5 - A estrela para a Casa de Chá da Boa Nova é tremendamente justa. Um dos melhores restaurantes nacionais. Grande Rui Paula;

 

6 - O Antiqvvm ganhou uma estrela, com Vítor Matos a conquistar estrelas por onde vai passando. Não fiquei apaixonado quando lá estive há pouco tempo, mas enfim...

 

Quantos às injustiças:

1 - O que é que aconteceu ao Feitoria? A sério, alguém me responda... O "guia" estava doente quando lá foi? Têm alguma embirração com o João Rodrigues? Não foram lá este ano? O Feitoria não é um restaurante de 1 estrela, é claramente de 2, e confesso que foi a minha maior surpresa/desilusão deste ano com este guia;

 

2 - O Ferrugem continua a ser marginalizado;

 

3 - E o Esporão, inacreditavelmente também...

 

Em resumo, temos portanto mais 9 estrelas. Excelente, muito bom, uma tristeza, uma desilusão (é mais ou menos assim o meu pensamento). Estamos ainda muito longe de um cenário perfeito, mas estamos sem dúvida no bom caminho.

 

Os nossos parabéns a todos aqueles que trabalham nos novos estrelados, mas também a todos aqueles que mantiveram as suas estrelas (um desafio muitas vezes menosprezado, mas mais difícil do que conseguir a primeira). 

  

Esperemos que 2018 seja ainda melhor. Aqui fica a lista definitiva:

 

2 estrelas:

Belcanto, Lisboa, José Avillez (análise aqui)

Vila Joya, Albufeira, Dieter Koschina (análise aqui)

Ocean, Alporchinhos, Hans Neuner

The Yeatman, Vila Nova de Gaia, Ricardo Costa (análise aqui)

Il Gallo d'Oro, Funchal, Benoît Sinthon

 

1 estrela:

Alma, Lisboa, Henrique Sá Pessoa (análise aqui)

LOCO, Lisboa, Alexandre Silva (análise aqui)

Feitoria, Lisboa, João Rodrigues (análise aqui)

Largo do Paço, Amarante, André Silva (análise aqui)

Eleven, Lisboa, Joachim Koerper (análise aqui)

Fortaleza do Guincho, Cascais, Miguel Rocha Vieira (análise aqui)

William, Funchal, Luís Pestana e Joachim Koerper

Casa de Chá da Boa Nova, Leça da Palmeira, Rui Paula (análise em breve)

Antiqvvum, Porto, Vítor Matos (análise em breve)

L'And, Montemor-o-Novo, Miguel Laffan (análise aqui)

LAB, Sintra, Sergi Arola e Milton Anes

Henrique Leis, Almancil, Henrique Leis

Pedro Lemos, Porto, Pedro Lemos

São Gabriel, Almancil, Leonel Pereira

Willie's, Vilamoura, Willie Wurger

Bon Bon, Carvoeiro, Rui Silvestre

Conclusões gastronómicas de 2015

A surpresa (nacional)

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Ferrugem, Portela (Vila Nova de Famalicão) 

 

A certeza

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Eleven, Lisboa

 

O melhor (nacional)

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Alma, Lisboa

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The Yeatman, Vila Nova de Gaia

 

A desilusão (nacional)

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L'And, Montemor-o-Novo

 

A surpresa (internacional)

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Bodega 1900, Barcelona

 

O melhor (internacional)

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El Celler de Can Roca, Girona

 

A desilusão (internacional)

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Osteria Francescana, Modena

Estrelas Michelin Portugal 2016 - previsões

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Pequena pausa na semana da Osteria Francescana para comentar um dos assuntos do dia.

 

Não passam de previsões, mas não queria deixar de tentar antever parte do que vai acontecer hoje à noite, aquando da divulgação do Guia Michelin Portugal e Espanha para 2016:

 

- Belcanto, de José Avillez - apesar de merecer a terceira estrela, por estar ao mesmo nível que outros restaurantes com três estrelas, apesar de Lisboa "merecer" um três estrelas, e de não faltarem rumores nesse sentido, acredito que ainda não será este o ano. É injusto, mas seria uma ascensão muito repentina. Seja como for, já temos reservas feitas para celebrar uma eventual terceira estrela, ou a manutenção da segunda. Críticas ao restaurante aqui.

 

- L'And, de Miguel Laffan - o restaurante é bonito e a comida é boa, mas fiquei um pouco desiludido da última vez. Para além de que o serviço deixa muito a desejar. Por isso, prevejo a queda da estrela. Críticas ao restaurante aqui.

 

- Esporão, de Pedro Pena Bastos - um restaurante de altíssimo nível, que ganhou ainda mais com a entrada de Pedro Pena Bastos. Uma estrela Michelin seria mais do que merecida, e creio que poderá ser este o ano, mantendo-se desta forma uma estrela no Alentejo. Críticas ao restaurante aqui.

 

- Ferrugem, de Renato e Dalila Cunha - não há nada que justifique que o Ferrugem não tenha uma estrela. Serviço impecável, boa comida com alta criatividade, espaço agradável e nem a localização pode ser um entrave (quantos não são os estrelados que estão em sítios "improváveis"). Crítica ao restaurante aqui.

 

- The Yeatman, de Ricardo Costa - a vista é maravilhosa, mas a comida ainda é melhor, pelo que deverá receber a sua segunda estrela. Crítica ao restaurante aqui.

 

Outras previsões: fala-se na queda da estrela do Largo do Paço (crítica ao restaurante aqui) e da Fortaleza do Guincho, na terceira estrela para o Vila Joya (crítica ao restaurante aqui) ou ainda nas estrelas para o Gusto, Vista e Casa de Chá da Boa Nova.

 

Teremos de aguardar por logo à noite, mas espero sinceramente que Portugal receba o protagonismo (no que respeita a estrelas Michelin) que merece.

Restaurante L'and Vineyards, 1 estrela Michelin (2ª visita)

 

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Depois de uma ótima experiência no final do ano passado no restaurante do L'and Vineyards, um wine resort em Montemor-o-Novo, pertencente aos Small Luxury Hotels of the World, e detentor da única estrela Michelin no Alentejo, cuja análise completa podem ler aqui, decidimos regressar para atestar se a qualidade demonstrada da primeira vez se mantinha. E qual foi a conclusão?

 

Passemos primeiro pelos pratos.

 

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Couvert €6 - Azeite biológico de baixa acidez, paio de porco alentejano, salada de três pimentos e queijo de ovelha amanteigado. Para acompanhar quatro variedades de pão - alfarroba, sementes, rústico e bolo do caco.

 

Apesar de se tratar de um bom couvert, há uns "problemas" que se mantêm. O pão, apresentado à mesa apenas por uma vez, não é suficiente para acompanhar o couvert, uma vez que os quatro elementos são, em princípio, degustados com pão, e a salada de pimentos continua a não convencer, o que é pena. 

 

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Sopa de peixe da costa vicentina com lagostim braseado e croquete cremoso de ostra €18,50 - talvez tenha sido problema meu, mas não consegui descortinar o sabor da ostra no croquete... Quanto ao resto, sopa de sabor rico e lagostim no ponto. Muito agradável.

 

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Vieira e cogumelo silvestre da estação num “À Brás” trufado com tosta fina de pão Alentejano €19,50 - A mesma entrada comida da última vez, e as mesmas emoções, pelo que reproduzo as minhas palavras: A vieira estava no ponto e os cogumelos e "à Brás" estava muito bom. Suave, delicado, trazendo as memórias do tradicional "à Brás", com o toque delicioso dos cogumelos. O crocante da tosta, e o apontamento da tinta de choco, completaram na perfeição este prato.

 

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Salmonete de Setúbal com açorda de berbigão, lulas salteadas e caldo de caldeirada com salada crocante €29,50 - Salmonete perfeito, tal como a açordam mas uma maior dose de açorda (sem exagero, claro), seria aconselhável.

 

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Arroz de Polvo com bivalves da costa alentejana €28,20 - O sabor do arroz de polvo "tradicional", enriquecido pelos bivalves da costa alentejana, juntamente com crocante, conquistou. Muito bom.

 

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Lombo de vaca maturada com duxelle de cogumelos, alface romana grelhada e gnocchis de batata com toucinho fumado e jus do assado - €29,40 - Desta vez o ponto da carne veio perfeito, o que combinado com uma duxelle de cogumelos deliciosa, alface grelhada impecável e maravilhosos "gnocchis", faz deste um prato vencedor.

 

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Cachaço de porco preto montanheiro, guacamole, batata e uma sinfonia de legumes jovens - €29,70 - O ponto alto foi o cachaço, que era verdadeiramente delicioso, mas os outros elementos conseguiram estar à altura.

 

Antes da sobremesa, houve tempo para uma "pré-sobremesa", oferta do Chef - Leite creme de fava tonka com coulis de frutos vermelhos - Muito agradável.

 

Passando para o campo das sobremesas, infelizmente nenhuma deslumbrou. A apresentação é impecável, como todos os pratos de Laffan, mas os sabores, bons, não eram extraordinários. Nota mesmo assim mais positiva para a delícia de morangos.

 

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Brownie de caramelo e flor de sal, calda de chocolate branco e manjericão e um sorbet de Yuzu  €11,50 - A palavra "brownie" devia vir assim, entre aspas...

 

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Duo de cenoura sobre terra de pistacho com espuma de açafrão e gengibre e gelado de mel €11,70 - Não posso deixar de comentar a espuma de açafrão, que sabia, simplesmente, a água com um leve sabor a açafrão. Ora se era isto o pretendido (espero que tenha sido um erro), então considero que este elemento falhou redondamente.

 

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Delicia de morangos sobre biscoitos de amareto e sorbet de ruibardo €11,50

 

Em jeito de conclusão, tenho de ser totalmente honesto e confessar que fiquei ligeiramente desiludido. O espaço é impecável, e ir ao L'and é, e acredito que continuará a ser, uma excelente opção. Mas existe melhor, e perante isso, a vontade de regressar deixa de ser tão grande.

 

O serviço é simpático e atencioso, mas fraco (principalmente face à estrela), sem especial cuidado com a forma como os pratos são servidos e com trocas nos mesmos (apesar do restaurante estar vazio), para além de ser demorado.

 

E os pratos são bons, é certo, e muitíssimo bem apresentados. Mas isso não é tudo. Tem de haver um factor "uau", e isso nem sempre acontece, ou até acontece o inverso, como se verificou com as sobremesas. 

 

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Perante tudo isto, segue a minha nota:

Pontuação de 0 a 10

Cozinha (50%) - 8

Serviço (25%) - 7

Ambiente (25%) - 8

Pontuação final - 7,75

Restaurante L'and Vineyards, 1 estrela Michelin

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Após mais um passeio pelo nosso tão adorado Alentejo, e já a caminho de casa, passámos pelo L'and Vineyards, um wine resort em Montemor-o-Novo pertencente aos Small Luxury Hotels of the World, cujo restaurante, sob a batuta do Chef Miguel Laffan conquistou, há um ano, a primeira estrela Michelin para um restaurante no Alentejo.

  

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A primeira impressão do resort não foi a esperada, com a sensação de que o projeto inicial (talvez demasiado ambicioso durante uma crise internacional) não saiu totalmente do papel. Porém, se a envolvência não é a mais agradável, tudo passa para um segundo plano assim que se entra na receção do resort.

  

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De arquitetura moderna, a relembrar alguns traços da Casa da Música, no Porto, a receção do resort mostrou ser bastante acolhedora, com uma escolha muito interessante de peças de design e atendimento atencioso e educado.

  

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Separado da receção por um curto corredor, o restaurante premiado com uma estrela Michelin em 2013 mantém a decoração moderna e elegante, com destaque para as dezenas de candeeiros

 

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O ponto alto são as amplas janelas com vista para uma paisagem tipicamente alentejana em toda a sua plenitude, transmitindo paz e tranquilidade aos clientes.