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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

05
Jul17

Está tudo louco na estrela Michelin Alentejana

Só entre nós

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As minhas experiências no L'And, o único restaurante com um estrela Michelin no Alentejo, nunca foram extraordinárias (último post aqui). 

 

Mas a reconquista da estrela dava curiosidade em ir ver como estava entretanto o serviço e a criatividade na cozinha. 

 

Telefonei para lá e fiquei a saber:

  • que o restaurante não está aberto para o público todos os dias;
  • e que mesmo nos dias em que supostamente está aberto, depende da ocupação do hotel onde está inserido o L'And.

 

Em concreto, foi-me dito que no dia que queria ir o restaurante supostamente estaria aberto, mas como o hotel estava com quase todos os quartos reservados, não podiam aceitar reservas para o restaurante por parte de não hóspedes. Tinham de ter mesas disponíveis para os hóspedes.

 

Mais fiquei a saber que para aquele dia ainda não havia reservas de hóspedes para o restaurante, mas podia vir a haver, por isso não dava para mim. 

 

Ou seja, no L'And preferem passar um dia inteiro com a sala praticamente vazia, para poderem ter mesas para hóspedes que não sabem se querem ou não comer lá, em vez de garantirem logo casa cheia com quem quiser reservar. 

 

Não sei se os responsáveis pelo L'And estão loucos, ou se eu que estou errado, mas sei que por mim não contam comigo para lá voltar. Principalmente depois de ouvir:

"Faça assim. Vá telefonando para saber como está a ocupação do hotel e assim pode ser que consiga um dia para cá vir comer."

 

Começo a recear que isto se alastre aos outros restaurantes de hotéis (se é que já não acontece algo semelhante noutros locais). É que bloquear mesas para hóspedes, até faz sentido. Mas bloquear uma sala inteira já é demais. 

24
Nov16

Michelin 2017 - E a montanha pariu um rato

Só entre nós

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Antes de mais, sempre me disseram que era feio queixar-me de barriga cheia. Mas não resisto a perguntar: Afinal o que é que se passou com o Guia Michelin Portugal 2017?

 

Em primeiro lugar, o que era expectável era que 2017 trouxesse apenas mais uma ou duas estrelas para o céu Michelin português, tendo em conta o triste histórico português neste campo gastronómico. E já não seria nada mau!

 

Eis senão quando o próprio Guia Michelin Portugal Espanha, de forma oficial e na pessoa de Ángel Pardo, vem comunicar a toda a imprensa que este seria um ano bombástico para Portugal. 17 estrelas novas, garantiu por telefone ao Miguel Pires, do Mesa Marcada. Nem mais, nem menos!

 

De imediato se fizeram sentir os efeitos desta declaração, com gritos de felicidade em muitas cozinhas portuguesas, sonhos (quase) concretizados e um sentimento de justiça (finalmente) no coração de quem se interessa por este mundo. Ao mesmo tempo, começaram as previsões. Quais eram essas 17 estrelas? Quem ia subir? Quem devia subir? Muitos deram os seus palpites, incluindo eu, com o Tiago do Ovo Cru a fazer, e muito bem, um resumo de algumas previsões.

 

Porém, e contra tudo o que se poderia antever, no dia da divulgação do guia é anunciado pelo próprio Ángel Pardo (que recordo tinha anunciado 17 estrelas), que afinal haveria 9 novas estrelas. E não 17.

 

Por isso retomo a minha pergunta. O que é que se passou afinal? Só vejo três hipóteses, sendo todas bastante plausíveis:

1- Confirma-se que Portugal não tem qualquer relevância no mundo Michelin e que os responsáveis do guia nem sabem bem quantas estrelas existem ou quantas vão surgir. No fundo o que interessa é Espanha;

 

2- O único objetivo foi criar um hype e gerar uma explosão de publicidade;

 

3- Alguém estava cheio de fome e pôs-se a comer estrelas (Das três hipóteses esta é, sem dúvida, a mais provável. Malditos espanhóis esfomeados...).

 

Pondo de lado esta vergonha (não encontro outra palavra), é claro que fiquei (ficámos) satisfeitos com as 9 estrelas novas. Mas eu não consegui ficar plenamente satisfeito. Desde logo porque sinto que fui enganado. E se se fizeram justiças, há coisas que não consigo perceber...

 

Comecemos pela parte boa...

1 - LOCO ganhou a estrela. Merecida, sem qualquer sombra de dúvida. E espero que agora se calem de vez com aquela treta de que os restaurantes novos, ou muito inovadores, não podem ganhar estrelas;

 

2 - O Alma ganhou a estrela. De todas as estrelas foi a que me deixou mais emocionado. É o nosso restaurante preferido, o Henrique Sá Pessoa é uma pessoa espetacular e um profissional incrível, e todo o seu árduo trabalho só podia resultar numa estrela;

 

3 - O The Yeatman conseguiu a segunda estrela. Não fazia qualquer sentido só ter uma;

 

4 - O L'And reconquistou a estrela. Apesar de não concordar totalmente, de acordo com a nossa última visita lá, fico feliz por eles e conto voltar lá em breve;

 

5 - A estrela para a Casa de Chá da Boa Nova é tremendamente justa. Um dos melhores restaurantes nacionais. Grande Rui Paula;

 

6 - O Antiqvvm ganhou uma estrela, com Vítor Matos a conquistar estrelas por onde vai passando. Não fiquei apaixonado quando lá estive há pouco tempo, mas enfim...

 

Quantos às injustiças:

1 - O que é que aconteceu ao Feitoria? A sério, alguém me responda... O "guia" estava doente quando lá foi? Têm alguma embirração com o João Rodrigues? Não foram lá este ano? O Feitoria não é um restaurante de 1 estrela, é claramente de 2, e confesso que foi a minha maior surpresa/desilusão deste ano com este guia;

 

2 - O Ferrugem continua a ser marginalizado;

 

3 - E o Esporão, inacreditavelmente também...

 

Em resumo, temos portanto mais 9 estrelas. Excelente, muito bom, uma tristeza, uma desilusão (é mais ou menos assim o meu pensamento). Estamos ainda muito longe de um cenário perfeito, mas estamos sem dúvida no bom caminho.

 

Os nossos parabéns a todos aqueles que trabalham nos novos estrelados, mas também a todos aqueles que mantiveram as suas estrelas (um desafio muitas vezes menosprezado, mas mais difícil do que conseguir a primeira). 

  

Esperemos que 2018 seja ainda melhor. Aqui fica a lista definitiva:

 

2 estrelas:

Belcanto, Lisboa, José Avillez (análise aqui)

Vila Joya, Albufeira, Dieter Koschina (análise aqui)

Ocean, Alporchinhos, Hans Neuner

The Yeatman, Vila Nova de Gaia, Ricardo Costa (análise aqui)

Il Gallo d'Oro, Funchal, Benoît Sinthon

 

1 estrela:

Alma, Lisboa, Henrique Sá Pessoa (análise aqui)

LOCO, Lisboa, Alexandre Silva (análise aqui)

Feitoria, Lisboa, João Rodrigues (análise aqui)

Largo do Paço, Amarante, André Silva (análise aqui)

Eleven, Lisboa, Joachim Koerper (análise aqui)

Fortaleza do Guincho, Cascais, Miguel Rocha Vieira (análise aqui)

William, Funchal, Luís Pestana e Joachim Koerper

Casa de Chá da Boa Nova, Leça da Palmeira, Rui Paula (análise em breve)

Antiqvvum, Porto, Vítor Matos (análise em breve)

L'And, Montemor-o-Novo, Miguel Laffan (análise aqui)

LAB, Sintra, Sergi Arola e Milton Anes

Henrique Leis, Almancil, Henrique Leis

Pedro Lemos, Porto, Pedro Lemos

São Gabriel, Almancil, Leonel Pereira

Willie's, Vilamoura, Willie Wurger

Bon Bon, Carvoeiro, Rui Silvestre

14
Jul16

Previsões para o Guia Michelin 2017

Só entre nós

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No seguimento do anúncio da data de 23 de novembro para a divulgação do Guia Michelin 2017 Portugal e Espanha, muitos são aqueles que têm feito as suas previsões. Como tal, deixo aqui as minhas previsões (bastante otimistas) para o Guia Michelin 2017, tendo sempre por base as minhas experiências:

 

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3 estrelas

Portugal continua a não ter um restaurante 3 estrelas e, para mim, isso só acontece porque é Portugal- o "patinho feio" do guia. Porém, a verdade é que com o passar dos anos e com a consequente evolução gastronómica (bastante positiva) em Portugal, dificilmente poderemos continuar a ser um "patinho feio". Há limites para tudo e julgo que não deveremos ter de aguardar muito para a tão esperada terceira estrela.

 

Como é evidente, o campeonato para a terceira estrela resume-se aos atuais 2 estrelas: Belcanto, Ocean e Vila Joya. Como nunca fui ao Ocean, não me posso pronunciar, mas pelo que consta tem tudo para conseguir, finalmente, a terceira. Este ano ou no próximo.

 

Relativamente ao Vila Joya, estive lá em 2014 e, apesar dos trambolhões nos 50 World Best, penso que nem perderá a segunda estrela nem conseguirá a terceira.

 

Quanto ao Belcanto, aposto na conquista da terceira estrela. Os prémios não o largam, foram feitas obras recentes (tendo em vista a terceira estrela) e a qualidade apresentada é de um 3 estrelas (em comparação com outros 3 estrelas internacionais). A questão de ainda ser cedo para mim não faz sentido, pois a segunda estrela foi alcançada no guia de 2015 e dificilmente se poderá continuar a justificar a falta da terceira estrela.

 

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2 estrelas

Mantendo-se o Vila Joya com 2 estrelas (e eventualmente o Ocean e o Belcanto com 3, se bem que acho impossível que o "poupado" guia atribua logo duas 3 estrelas num só ano, pelo que aposto apenas no Belcanto), considero que existem dois fortes candidatos à desejada segunda estrela. O Feitoria e o The Yeatman. Nem um nem outro são restaurantes de 1 estrela. E tenho a certeza que se estes dois restaurantes fossem espanhóis já tinham a segunda estrela. Nem dá para entender como é que estes dois restaurantes só têm uma estrela, em comparação com os outros estrelados portugueses.

 

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1 estrela

No campeonato de restaurantes com 1 estrela, e escrevendo apenas sobre os que conheço, considero que o Largo do Paço e o Eleven manterão a estrela (sendo que o Eleven está mais perto de uma eventual segunda). O mesmo deverá acontecer com a Fortaleza do Guincho, apesar de todas as mudanças que ocorreram (Chef, pratos, conceito...).

 

Para novos 1 estrela, aposto no Alma, LOCO, Ferrugem e Esporão. Mais uma vez, são restaurantes que se fossem espanhóis já tinham a estrela. Se o Alma e o LOCO não receberem a sua primeira estrela já este ano, será uma enorme injustiça. Mais uma vez, não interessa se abriram recentemente ou não, pois não faltam restaurantes estrangeiros que conseguem logo a estrela assim que abrem.

 

Igualmente injusto seria a não atribuição da estrela ao Ferrugem e Esporão, se bem que se tiver de ter em conta a "poupança" do Guia, aposto apenas no Alma e LOCO (devido à localização e Chefs).

 

Consta que a Casa de Chá Boa Nova e o LAB também podem alcançar a primeira estrela. Esperemos que sim, mas como não conheço não posso fazer apostas.

 

Quero acreditar que não haverá perdas de estrelas e apesar de ter estado pela última vez no L'And mesmo antes de perder a estrela, não acredito que a recupere este ano.

 

O Guia Michelin Portugal 2017 ficaria então assim:

 

3 estrelas:

Belcanto (análise aqui)

 

2 estrelas:

Vila Joya (análise aqui)

Ocean

Feitoria (análise aqui)

The Yeatman (análise aqui)

 

1 estrela:

Alma (análise aqui)

LOCO (análise aqui)

Largo do Paço (análise aqui)

Eleven (análise aqui)

Fortaleza do Guincho (análise aqui)

Henrique Leis

Il Gallo d'Oro

Pedro Lemos

São Gabriel

Willie's

Bon Bon

Herdade do Esporão (análise aqui)

Ferrugem (análise aqui)

01
Jan16

Conclusões gastronómicas de 2015

Só entre nós

A surpresa (nacional)

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Ferrugem, Portela (Vila Nova de Famalicão) 

 

A certeza

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Eleven, Lisboa

 

O melhor (nacional)

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Alma, Lisboa

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The Yeatman, Vila Nova de Gaia

 

A desilusão (nacional)

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L'And, Montemor-o-Novo

 

A surpresa (internacional)

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Bodega 1900, Barcelona

 

O melhor (internacional)

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El Celler de Can Roca, Girona

 

A desilusão (internacional)

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Osteria Francescana, Modena

25
Nov15

Estrelas Michelin Portugal 2016 - previsões

Só entre nós

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Pequena pausa na semana da Osteria Francescana para comentar um dos assuntos do dia.

 

Não passam de previsões, mas não queria deixar de tentar antever parte do que vai acontecer hoje à noite, aquando da divulgação do Guia Michelin Portugal e Espanha para 2016:

 

- Belcanto, de José Avillez - apesar de merecer a terceira estrela, por estar ao mesmo nível que outros restaurantes com três estrelas, apesar de Lisboa "merecer" um três estrelas, e de não faltarem rumores nesse sentido, acredito que ainda não será este o ano. É injusto, mas seria uma ascensão muito repentina. Seja como for, já temos reservas feitas para celebrar uma eventual terceira estrela, ou a manutenção da segunda. Críticas ao restaurante aqui.

 

- L'And, de Miguel Laffan - o restaurante é bonito e a comida é boa, mas fiquei um pouco desiludido da última vez. Para além de que o serviço deixa muito a desejar. Por isso, prevejo a queda da estrela. Críticas ao restaurante aqui.

 

- Esporão, de Pedro Pena Bastos - um restaurante de altíssimo nível, que ganhou ainda mais com a entrada de Pedro Pena Bastos. Uma estrela Michelin seria mais do que merecida, e creio que poderá ser este o ano, mantendo-se desta forma uma estrela no Alentejo. Críticas ao restaurante aqui.

 

- Ferrugem, de Renato e Dalila Cunha - não há nada que justifique que o Ferrugem não tenha uma estrela. Serviço impecável, boa comida com alta criatividade, espaço agradável e nem a localização pode ser um entrave (quantos não são os estrelados que estão em sítios "improváveis"). Crítica ao restaurante aqui.

 

- The Yeatman, de Ricardo Costa - a vista é maravilhosa, mas a comida ainda é melhor, pelo que deverá receber a sua segunda estrela. Crítica ao restaurante aqui.

 

Outras previsões: fala-se na queda da estrela do Largo do Paço (crítica ao restaurante aqui) e da Fortaleza do Guincho, na terceira estrela para o Vila Joya (crítica ao restaurante aqui) ou ainda nas estrelas para o Gusto, Vista e Casa de Chá da Boa Nova.

 

Teremos de aguardar por logo à noite, mas espero sinceramente que Portugal receba o protagonismo (no que respeita a estrelas Michelin) que merece.

31
Ago15

Restaurante L'and Vineyards, 1 estrela Michelin (2ª visita)

Só entre nós

 

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Depois de uma ótima experiência no final do ano passado no restaurante do L'and Vineyards, um wine resort em Montemor-o-Novo, pertencente aos Small Luxury Hotels of the World, e detentor da única estrela Michelin no Alentejo, cuja análise completa podem ler aqui, decidimos regressar para atestar se a qualidade demonstrada da primeira vez se mantinha. E qual foi a conclusão?

 

Passemos primeiro pelos pratos.

 

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Couvert €6 - Azeite biológico de baixa acidez, paio de porco alentejano, salada de três pimentos e queijo de ovelha amanteigado. Para acompanhar quatro variedades de pão - alfarroba, sementes, rústico e bolo do caco.

 

Apesar de se tratar de um bom couvert, há uns "problemas" que se mantêm. O pão, apresentado à mesa apenas por uma vez, não é suficiente para acompanhar o couvert, uma vez que os quatro elementos são, em princípio, degustados com pão, e a salada de pimentos continua a não convencer, o que é pena. 

 

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Sopa de peixe da costa vicentina com lagostim braseado e croquete cremoso de ostra €18,50 - talvez tenha sido problema meu, mas não consegui descortinar o sabor da ostra no croquete... Quanto ao resto, sopa de sabor rico e lagostim no ponto. Muito agradável.

 

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Vieira e cogumelo silvestre da estação num “À Brás” trufado com tosta fina de pão Alentejano €19,50 - A mesma entrada comida da última vez, e as mesmas emoções, pelo que reproduzo as minhas palavras: A vieira estava no ponto e os cogumelos e "à Brás" estava muito bom. Suave, delicado, trazendo as memórias do tradicional "à Brás", com o toque delicioso dos cogumelos. O crocante da tosta, e o apontamento da tinta de choco, completaram na perfeição este prato.

 

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Salmonete de Setúbal com açorda de berbigão, lulas salteadas e caldo de caldeirada com salada crocante €29,50 - Salmonete perfeito, tal como a açordam mas uma maior dose de açorda (sem exagero, claro), seria aconselhável.

 

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Arroz de Polvo com bivalves da costa alentejana €28,20 - O sabor do arroz de polvo "tradicional", enriquecido pelos bivalves da costa alentejana, juntamente com crocante, conquistou. Muito bom.

 

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Lombo de vaca maturada com duxelle de cogumelos, alface romana grelhada e gnocchis de batata com toucinho fumado e jus do assado - €29,40 - Desta vez o ponto da carne veio perfeito, o que combinado com uma duxelle de cogumelos deliciosa, alface grelhada impecável e maravilhosos "gnocchis", faz deste um prato vencedor.

 

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Cachaço de porco preto montanheiro, guacamole, batata e uma sinfonia de legumes jovens - €29,70 - O ponto alto foi o cachaço, que era verdadeiramente delicioso, mas os outros elementos conseguiram estar à altura.

 

Antes da sobremesa, houve tempo para uma "pré-sobremesa", oferta do Chef - Leite creme de fava tonka com coulis de frutos vermelhos - Muito agradável.

 

Passando para o campo das sobremesas, infelizmente nenhuma deslumbrou. A apresentação é impecável, como todos os pratos de Laffan, mas os sabores, bons, não eram extraordinários. Nota mesmo assim mais positiva para a delícia de morangos.

 

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Brownie de caramelo e flor de sal, calda de chocolate branco e manjericão e um sorbet de Yuzu  €11,50 - A palavra "brownie" devia vir assim, entre aspas...

 

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Duo de cenoura sobre terra de pistacho com espuma de açafrão e gengibre e gelado de mel €11,70 - Não posso deixar de comentar a espuma de açafrão, que sabia, simplesmente, a água com um leve sabor a açafrão. Ora se era isto o pretendido (espero que tenha sido um erro), então considero que este elemento falhou redondamente.

 

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Delicia de morangos sobre biscoitos de amareto e sorbet de ruibardo €11,50

 

Em jeito de conclusão, tenho de ser totalmente honesto e confessar que fiquei ligeiramente desiludido. O espaço é impecável, e ir ao L'and é, e acredito que continuará a ser, uma excelente opção. Mas existe melhor, e perante isso, a vontade de regressar deixa de ser tão grande.

 

O serviço é simpático e atencioso, mas fraco (principalmente face à estrela), sem especial cuidado com a forma como os pratos são servidos e com trocas nos mesmos (apesar do restaurante estar vazio), para além de ser demorado.

 

E os pratos são bons, é certo, e muitíssimo bem apresentados. Mas isso não é tudo. Tem de haver um factor "uau", e isso nem sempre acontece, ou até acontece o inverso, como se verificou com as sobremesas. 

 

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Perante tudo isto, segue a minha nota:

Pontuação de 0 a 10

Cozinha (50%) - 8

Serviço (25%) - 7

Ambiente (25%) - 8

Pontuação final - 7,75

22
Abr15

Bebés Gourmet - Sim ou não?

Só entre nós

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Como sou uma pessoa que gosta de planear tudo com antecedência, já ando a reservar idas a alguns restaurantes especiais (leia-se com estrelas Michelin) com mais de seis meses de antecedência. Porém, e agora que tenho o meu primeiro filho a caminho, tenho de passar a pensar também nele. Nomeadamente, se posso ou não levá-lo comigo para os restaurantes onde quero ir. Sim, eu sou daqueles que acredita que, mesmo com um bebé de meses, é possível manter algumas das atividades pré-bebé, como ir jantar fora, mesmo que seja aos melhores restaurantes do país e do mundo.

 

O normal seria nem ter de colocar essa questão, porque em princípio um restaurante aceita que se leve um bebé, mas tratando-se de restaurantes Michelin, mais vale confirmar se é ou não possível. Até porque, pela nossa experiência, não é costume ver bebés neste tipo de restaurantes.

 

Dos meus contactos feitos até agora, posso informar que não há qualquer problema em levar um bebé ao El Celler de Can Roca (3 estrelas Michelin, em Girona), ao Vila Joya (2 estrelas Michelin, em Albufeira) ou ao Diverxo (3 estrelas Michelin, em Madrid). Aliás, ao fazer a pergunta nos dois primeiros restaurantes, perguntaram-me logo se não queria que disponibilizassem uma cadeira para o bebé. No L'and Vineyards também sei que não há problemas, pois quando lá estivemos havia algumas crianças pequenas.

 

Porém, e infelizmente, nem todos são assim. O Ocean (2 estrelas Michelin, em Alporchinhos) não aceita que se leve um bebé. Nem uma criança até aos 12 anos, o que é lamentável. Compreendo que cada restaurante tenha uma política diferente, mas quando restaurantes similares (em notoriedade, prémios, estilo e localização) aceitam tão facilmente que se leve um bebé, é pena que haja um restaurante que se recusa a aceitá-lo.

 

O que me leva a perguntar - devem ou não os restaurantes aceitar crianças e bebés, independentemente das estrelas que tenham?

 

Na minha opinião - devem. E não é porque eu quero levar um bebé de meses para o, atualmente, segundo melhor restaurando do mundo, mas sim porque:

- considero que levar um bebé deve ser visto como algo natural;

- os bebés necessitam de estar com os pais (principalmente aqueles que ainda mamam);

- os pais não devem ser privados da possibilidade de jantar fora num restaurante de que gostem;

- o facto de haver bebés na sala, mesmo que a chorar e a berrar, não vai influenciar negativamente a minha experiência.

 

É claro que compreendo que haja pessoas que preferem jantar na paz dos anjos, e não ter um anjinho a chorar durante três horas mesmo ao lado. Mas não deverão essas pessoas compreender a parte dos pais?

 

Ah, e já agora, não acho que seja violento para qualquer bebé passar três horas ao pé dos pais num restaurante. É praticamente o mesmo que estar em casa com ele. A única diferença é que há mais movimento e barulhos, o que até pode ser bom para mantê-los distraídos.

 

E vocês, o que é que acham? Independentemente das estrelas, deve-se poder levar um bebé para o restaurante, ou não?

 

P.S.: parabéns ao El Celler de Can Roca e ao Vila Joya pela excelente forma de lidar com esta questão. Não interessa se estão entre os 25 melhores restaurantes do mundo, ou se as contas finais têm, pelo menos, três dígitos. Os bebés devem estar com os pais, e se estes querem ir ao restaurante, devem poder levar os filhos com eles.

29
Dez14

Os melhores pratos de 2014 - Entradas

Só entre nós

Com 2014 a terminar, decidi reunir alguns dos melhores pratos que nos foram servidos ao longo deste ano. Começo pelas entradas:

 

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"Camarões do rio num pequeno tronco"

Restaurante "Roca Moo", Barcelona, 1 estrela Michelin, análise completa aqui e aqui.

 

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"Vieira e cogumelo silvestre da estação num “À Brás ” trufado com tosta fina de pão Alentejano"

Restaurante "L'and Vineyards", 1 estrela Michelin, análise completa aqui.

 

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"Espuma de bacalhau e sua pele frita"

Restaurante "Roca Moo", Barcelona, 1 estrela Michelin, análise completa aqui e aqui.

 

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"Caixa de fritos"

Restaurante "Casa de Tapes, Cañota", Barcelona, análise completa aqui.

 

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"Carpaccio de lavagante com avelãs e cítricos"

Restaurante "Roca Moo", Barcelona, 1 estrela Michelin, análise completa aqui e aqui.

  

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"Burguerbull" de Dani García (2 estrelas Michelin)

Restaurante "Casa de Tapes, Cañota", Barcelona, análise completa aqui. 

 

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"Cornetto" temaki de tártaro de atum com soja picante"

Restaurante "Mini Bar Teatro", Lisboa, análise completa aqui.

14
Nov14

Restaurante L'and Vineyards, 1 estrela Michelin

Só entre nós

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Após mais um passeio pelo nosso tão adorado Alentejo, e já a caminho de casa, passámos pelo L'and Vineyards, um wine resort em Montemor-o-Novo pertencente aos Small Luxury Hotels of the World, cujo restaurante, sob a batuta do Chef Miguel Laffan conquistou, há um ano, a primeira estrela Michelin para um restaurante no Alentejo.

  

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A primeira impressão do resort não foi a esperada, com a sensação de que o projeto inicial (talvez demasiado ambicioso durante uma crise internacional) não saiu totalmente do papel. Porém, se a envolvência não é a mais agradável, tudo passa para um segundo plano assim que se entra na receção do resort.

  

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De arquitetura moderna, a relembrar alguns traços da Casa da Música, no Porto, a receção do resort mostrou ser bastante acolhedora, com uma escolha muito interessante de peças de design e atendimento atencioso e educado.

  

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Separado da receção por um curto corredor, o restaurante premiado com uma estrela Michelin em 2013 mantém a decoração moderna e elegante, com destaque para as dezenas de candeeiros

 

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O ponto alto são as amplas janelas com vista para uma paisagem tipicamente alentejana em toda a sua plenitude, transmitindo paz e tranquilidade aos clientes.