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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Fiz um louvor a uma funcionária das Finanças

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Há uns dias fiz um um louvor a uma funcionária de um Serviço das Finanças de Lisboa e a funcionária ficou extremamente emocionada e agradecida. Segundo ela, em mais de 15 anos de serviço nunca tinha recebido um louvor por parte de um cliente. E porquê? Porque as Finanças são um bicho papão, os seus funcionários também, nunca nada corre bem e nunca ninguém sai satisfeito (segundo ela).

 

Mas a verdade é que já fui atendido por ela quatro vezes e foi sempre tão atenciosa, tão prestável e tão profissional, que era indecente não lhe fazer um louvor. E atenção, nem sempre saí de lá satisfeito com o resultado, porque não foi aceite o que pedi. Mas em termos de trabalho, a senhora foi impecável.

 

Houve logo quem me dissesse que isso não lhe vai trazer qualquer consequência positiva, mas para mim o mais importante é mostrar ao funcionário que estamos agradecidos pelo seu trabalho e, mais importante ainda, informar as entidades superiores disso mesmo.

 

E sabem que mais? Poucos dias depois tinha uma carta na minha caixa do correio da Autoridade Tributária a dizer que tinham recebido o meu louvor, que era muito importante que os contribuintes o fizessem, e que vão ter em consideração o exposto na avaliação da funcionária.

 

Conclusão? Se estão satisfeitos com o trabalho de alguém, deixem um elogio/louvor. Mesmo que não sirva para nada, serve pelo menos para o funcionário se sentir motivado para continuar a fazer um bom trabalho. Eu num mês fiz 4 elogios porque tive a sorte de encontrar bons funcionários. Se tiver a mesma sorte, não deixe de elogiar. Todos nós gostamos que digam que trabalhamos bem.

Tabaco dá 69 milhões de euros ao Estado

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Segundo esta notícia, e dados publicados pela Direcção-Geral do Orçamento, o Estado Português arrecadou 69,2 milhões de euros apenas nos primeiros cinco meses do ano com o imposto sobre o tabaco, mais 75% do que em igual período do ano passado. 

 

É por esta e por outras que nunca haverá uma "verdadeira" lei anti-tabaco. Sempre é melhor garantir uns bons milhões ao longo do ano, em vez de lutar pela saúde das pessoas.

 

E estes milhões são ilusórios, porque o Estado também acaba por gastar anualmente muitos milhões com tratamentos a pessoas que sofrem de doenças provocadas pelo tabaco. Mas parece que essas contas não são tidas em consideração por quem governa, tal como a saúde dos habitantes.

#5 Portugal será um país civilizado...

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... quando as Finanças souberem fazer contas (mais aqui).

#2 Portugal será um país civilizado...

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... quando todos pagarem os seus impostos.

Pagar o IVA a dobrar!

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Que raio de Autoridade Tributária e Aduaneira é esta, que agora decidiu começar a notificar os contribuintes a torto e a direito, informando que no decurso do tratamento e cruzamento da informação disponível nas suas bases de dados, verificou que o valor do IVA declarado, indicado na Declaração Periódica relativa ao período supra indicado, é inferior ao valor total do IVA liquidado nas faturas emitidas e comunicadas para o mesmo período?

 

Como é que é possível que uma instituição como esta decida notificar meio mundo acusando-o de que andou a pagar menos IVA do que o declarado, ameaçando com coimas e processos, sem fazer antes umas contas de somar simples, que qualquer criança sabe fazer?

 

Em que planeta é que alguém ia, deliberadamente, pagar menos IVA do que aquele que tinha declarado?

 

E porque é que são sempre aqueles que declaram tudo, e que pagam tudo, sempre dentro dos prazos, aqueles que são "investigados" e notificados?

 

Isto tudo para dizer que, no decurso do tratamento e cruzamento da informação disponível nas bases de dados dos contribuintes (que é o mesmo que dizer blá blá blá whiskas saquetas, porque não há tratamento de informação nenhuma, senão não notificavam), a Autoridade Tributária e Aduaneira anda a concluir que os contribuintes declararam, por exemplo, 1000 euros de IVA num mês e depois só pagaram 800 euros. E porquê?

 

Porque agora decidiram ignorar o campo "data de prestação de serviços" dos recibos verdes, e só olham para a data de emissão do recibo verde.

 

Ora se o contribuinte só deve passar o recibo verde depois de receber o dinheiro, e se ele só recebe o dinheiro do serviço que prestou em Novembro em Dezembro, como é que a Autoridade Tributária e Aduaneira pode entender que o IVA desse recibo diz respeito a Dezembro? Mais grave ainda, como é que a Autoridade Tributária e Aduaneira pode entender que o IVA desse recibo diz respeito a Dezembro, quando o contribuinte já o liquidou quando pagou o IVA de Novembro?

 

A sério Autoridade Tributária e Aduaneira? A sério que andam a ver se somos tolinhos e se pagamos o IVA a dobrar?

 

A sério que não fazem antes as contas?

 

A sério que não vão ver as datas das prestações de serviço?

 

A sério que só olham para a data de emissão dos recibos e ameaçam logo com coimas e processos?

 

E depois ainda escrevem "convidamo-lo a entregar a declaração de substituição, beneficiando da redução substancial da coima aplicável"? Qual declaração de substituição?

 

Incrível! É de tirar do sério qualquer um, principalmente aquele tolo, como eu, que declara sempre tudo e paga tudo. Só espero que agora a Autoridade Tributária e Aduaneira consiga compreender a justificação que já apresentei e dê por encerrado este triste processo. A minha justificação não é muito complexa, nem tem palavras "caras", mas depois de ver como eles se andam a comportar, já imagino tudo.

 

Triste Portugal este que tem instituições destas que deviam estar concentradas em apanhar os infratores, em vez de perder tempo com isto.

Venha o Audi

 

Segundo dados do Ministério das Finanças, o número de facturas com NIF de consumidores finais ascendeu a cerca de 300 milhões até Junho, mais 46% do que em igual período do ano passado. Ou seja, até Junho foram emitidas mais 94 milhões de faturas, em comparação com o ano passado.

 

De igual modo, no primeiro semestre deste ano foram registadas mais 67 mil entidades a passar faturas, face ao ano passado.

 

Face a estes dados, que superaram as estimativas iniciais, restam poucas dúvidas sobre os benefícios do Sorteio da Fatura da Sorte. Não só as pessoas passaram a preocupar-se mais com um dever e direito que é pedir uma fatura (mesmo que só tenham em mente o Audi), como o combate à economia paralela nunca foi tão eficaz.

 

Mesmo assim, estes dados ainda não estão próximos dos verdadeiramente desejáveis. E porquê? Porque ainda existem entidades que instruem os seus funcionários para não perguntar se os clientes desejam fatura, ou que se recusam a atualizar os seus softwares, fazendo com que os clientes desistam das faturas quando se apercebem do tempo que têm de esperar pela emissão da fatura em triplicado.

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Pensamentos nas finanças

 

Perante a máquina de tirar senhas, e aviso para tirar uma única senha:

  • 75% retira duas senhas para assuntos diferentes, porque não sabe qual é a senha certa;
  • 10% retira três ou mais senhas (alguma há-de servir);
  • 10% retira uma senha, mas é depois reencaminhado para o balcão certo;
  • 5% retira uma única senha, a correta.

 

Das pessoas que desistem, depois de três horas de espera:

  • 90% vai embora com a senha na mão, indiferentes aos outros que ainda estão à espera;
  • 5% deixa a senha em cima da máquina, para quem a quiser apanhar, e depois é ver uma correria entre várias pessoas para ver quem é que a apanha primeiro, o que muitas vezes dá origem a discussões;
  • 5% decide oferecer a sua senha à pessoa com quem esteve a falar nas últimas três horas de espera, apesar de haver pessoas que já lá estão há três dias.

 

Outras considerações:

  • as crianças e bebés continuam a servir para passar à frente dos outros, mesmo que sejam filhos da prima em terceiro grau que vai acompanhar a pessoa que, realmente, vai tratar de um assunto nas finanças;
  • a prioridade conferida aos pais dessas crianças e bebés é dada mesmo quando os filhos desaparecem imediatamente assim que os pais chegam ao balcão (são entregues a outro adulto qualquer para ficar a tomar conta deles enquanto eles tratam dos assuntos das finanças). Ou seja, é evidente que a criança só serviu para passar à frente. Tudo a correr bem;
  • existem funcionários que chamam as senhas com uma velocidade superior à da luz e outros que vão beber um cafezinho, ou fazer um xixizinho, entre cada senha, sem exceção, e repetem sete vezes o mesmo número de senha, sabendo perfeitamente que essa pessoa não apareceu logo da primeira vez porque entretanto desistiu;
  • há sempre alguém com uma lata incrível que aproveita a saída de alguém para se aproximar do balcão e dizer "desculpe, mas eu só tenho uma dúvida, é muito rápido", e conseguem ser atendidos 40 senhas antes da sua vez;
  • ou outras pessoas que tiram, de propósito, uma senha errada que sabem que vai ser chamada bem antes da senha certa, pedem muitas desculpas pelo lapso, e, com isso, conseguem um reencaminhamento para o balcão certo e poupam duas horas de espera;
  • há sempre um velho que tenta meter conversa com a pessoa do lado e, por estar nas finanças, queixa-se da falta de dinheiro, contando toda a sua vida, mais a dos filhos, netos, bisnetos e canários;
  • há sempre um velho que se queixa do tempo de espera - claro, tem mais do que fazer;
  • há sempre quem se exalte;
  • e, felizmente, de vez em quando, vão havendo funcionários simpáticos e impecáveis.

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