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soentrenos

Portugal não presta. Mas posso ser Português??

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No âmbito da minha profissão, lido com diversos estrangeiros que pretendem vir viver para Portugal (ou pelo menos adquirir a nacionalidade portuguesa). "Fogem" de países politicamente instáveis, de economias que poderiam ser muito mais fortes e de uma sensação de insegurança. Chegam à procura do Paraíso, confiantes numa economia (aparentemente) mais estável e com perspetivas positivas, e num país bem mais seguro. São atraídos pelas diversas ações de marketing que o Turismo de Portugal desenvolve no estrangeiro, pelo clima e pelas pessoas.

 

Tudo faz sentido, é legítimo, e cá estaremos para recebê-los de braços abertos, tal como desejamos que façam os habitantes dos países para onde os nossos portugueses emigram.

 

No entanto, há algo que não consigo compreender ou aceitar - as críticas ao país que os vai acolher. Sem querer generalizar, mas partindo da minha experiência, já não é o primeiro brasileiro que, ao falar comigo, critica Portugal e sua burocracia, dizendo até que somos nós, Portugueses, os responsáveis pelo mal que funciona a burocracia e política no Brasil. Porque, no fundo, fomos nós que levámos tudo para lá.

 

Já foram vários os brasileiros que me disseram: "Agora entendo porque é que o Brasil não funciona. Aprenderam com vocês."

 

Profissionalmente estou impedido de o fazer, mas a resposta que mereciam era:

- aprenderam connosco, mas foram incapazes de alterar o mal e melhorar o que têm;

- e se somos tão maus, se Portugal funciona assim tão mal, então porque é que querem vir para cá?

 

Mas isto não é uma questão exclusiva do Brasil. Já ouvi outros estrangeiros, interessados em vir para Portugal, criticando severamente o país que os vai acolher, defendendo como o país de origem é melhor.

 

Ora então porque é que escolhem Portugal???

 

Eu fico satisfeito que venham para cá, e tenho um enorme prazer em mostrar tudo o que a minha cidade e o meu país tem de tão bom. Mas não me venham dizer que isto não presta e que onde vivem é muito melhor. Para isso fiquem lá, pois assim é como alguém a morrer à fome e criticar o tipo de comida que lhe oferecem.

 

Sempre ouvi dizer que quem está bem não se muda. Ou que só se muda para melhor. 

What do you quer? No plate? Pão?

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Quando vou a um food court, se houver um h3 é muito provável que acabe por comer lá. Os hambúrgueres são bons e apesar das filas muitas vezes terem longos metros, a espera compensa.

 

E a avaliar pelo movimento sempre intenso, e pela quantidade de h3 que já abriram, não sou o único a pensar o mesmo. Mas não só os portugueses que gostam de passar pelo h3. Cada vez vejo mais turistas nas filas.

 

Algo perfeitamente normal, atendendo ao aumento de turistas em Lisboa e Portugal. O que já não acho normal é ver a incapacidade que alguns empregados do h3 têm para falar outras línguas.

 

O normal seria que um estrangeiro se esforçasse por tentar dizer algumas palavras no idioma do país que está a visitar, tal como nós portugueses fazemos assim que saímos do país. Mas em Portugal isso raramente acontece. São poucos aqueles que se esforçam minimamente. Os outros, ou seja nós, é que têm de saber falar a língua deles ou uma língua mais universal.

 

Talvez por isso haja quem defenda com unhas e dentes que não devíamos ceder. Aqueles que nos visitam é que têm de se esforçar por se fazer entender. E eu em parte até concordo. 

 

Mas a verdade é que para um negócio funcionar bem, dá jeito atrair todos os clientes possíveis. E isso implica saber receber os estrangeiros e saber, pelo menos minimamente, comunicar com eles.

 

Porém, no h3 mais perto do meu trabalho, onde cada vez há mais turistas, já presenciei por 2 vezes cenas lamentáveis com turistas. O título deste post é mesmo verdadeiro. 

 

"What do you quer? No plate? Pão?"

 

Sim, eu ouvi mesmo isto. E nenhum dos outros 4 empregados ao balcão foi capaz de ajudar, apesar dos pedidos de ajuda da funcionária aos colegas.

 

Nenhum dos 5 funcionários do balcão do h3 sabia perguntar coisas básicas em inglês. Tive que ser eu a fazer de tradutor. Mas não foi caso único. Umas semanas depois deparei-me com a mesma situação. Um francês, e respetiva família, não percebiam nada sobre o ponto da carne. E a funcionária (diferente da situação anterior), bastante nervosa, só dizia para os colegas:

 

"Eu nem sei dizer em inglês, quanto mais em francês..."

 

Do nada, surgiu entretanto uma funcionária da cozinha que falava francês na perfeição e conseguiu falar com os clientes.

 

Mas atenção que este não é um problema exclusivo do h3 perto de mim. Já assisti a outro caso semelhante no h3 do Corte Inglés.

 

Este post não é uma crítica a nenhum funcionário do h3. Até porque em parte concordo com a teoria de que os outros é que têm de fazer um esforço por comunicar. Eles é que nos estão a visitar. Mas era essencial que, pelo menos, os empregados soubessem fazer aquelas perguntas básicas em inglês. Pelo menos na "língua universal". Não é preciso saber discutir os temas da atualidade. E por isso esta é uma crítica ao próprio h3, que devia, até para seu bem, proporcionar aos seus funcionários uma breve formação em inglês.

 

Não me venham com teorias de custos para a empresa. Em último caso, bastava simplesmente distribuírem um guião em inglês pelos funcionários. E se houvesse dúvidas, era só olhar para lá (ou mostrar aos clientes). Caso isto já aconteça, então peço desculpa ao h3 mas não é isso que parece.

 

Por fim, acredito piamente que isto não é um "problema" exclusivo do h3. Eu é que nunca presenciei situação semelhante noutro local. Bem pelo contrário.

 

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Bacalhau assado no forno... com batatas fritas e muito sal

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Recentemente levei uns clientes estrangeiros (de um país não europeu) a almoçar a um restaurante de comida portuguesa.

 

Como é normal, aquilo de que eles já tinham ouvido falar era bacalhau. Por isso disseram que queriam bacalhau para poderem experimentar um prato tradicional português. 

 

Concordei com a escolha e olhei para a ementa:

  • Bacalhau com grão
  • Bacalhau assado no forno com batatas a murro

 

Traduzi e expliquei os dois pratos e a escolha recaiu no bacalhau assado no forno. Perfeito, pensei. Mas afinal não era bem assim...

 

"Queremos o bacalhau mas com batatas fritas.", disse um dos clientes.

"Desculpe? Como é que disse?"

"Queremos o bacalhau com batatas fritas. Adoramos batatas fritas."

"Pois, mas o bacalhau é no forno e já traz batatas... A murro.", e lá expliquei novamente como eram as batatas. "Não se come bacalhau com batatas fritas.", expliquei, pensando de imediato que com centenas de receitas de bacalhau, alguma até deve ser com batatas fritas, mas está longe de ser um acompanhamento normal...

"Está bem.", responderam. "Pode ser com essas batatas. Mas também com batatas fritas. Queremos bacalhau com batatas fritas."

 

Perante a insistência, transmiti o pedido ao empregado, para seu grande espanto e até alguma consternação.

 

As travessas de bacalhau lá chegaram, acompanhadas por uma travessa cheia com as tão desejadas batatas fritas.

 

Como se tudo isto já não fosse suficiente, assim que receberam as travessas polvilharam tudo com sal. Sim, tudo. Bacalhau, batatas fritas, legumes, batatas a murro... Depois provaram e logo a seguir pegaram novamente no saleiro e voltaram a polvilhar tudo. Até conseguirem a proeza de gastarem todo o saleiro e terem de usar outro. 

 

Já fui muitas vezes àquele restaurante e sei bem que a comida, por norma, está temperada corretamente, ou até um pouco acima do desejável. E a outra pessoa portuguesa que estava à mesa comeu o bacalhau e confirmou que estava bom de sal.

 

Por isso, e no fim de contas, eles queriam comer um prato tradicional e acabaram a comer um bacalhau assado no forno com uma travessa de batatas fritas e tudo fortemente salgado.

 

Very typical!