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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Um país onde ninguém pode morrer

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Era uma vez uma senhora de 100 anos que fez uma fratura grave e teve de ser levada para o hospital.

 

A senhora de 100 anos foi operada e apanhou uma pneumonia durante o seu internamento. Algo normal quando se mistura num mesmo copo alguém idoso e debilitado num ambiente hospitalar.

 

Ao saber da pneumonia da senhora com 100 anos, uma familiar foi ao hospital e ameaçou tudo e todos com processos judiciais. Porquê? Porque a senhora de 100 anos tinha entrado no hospital bem (!!!) e agora tinha uma pneumonia. E se ela morresse, seriam todos processados. Todos. 

 

Ou seja, a senhora de 100 anos, que tinha sido levada para o hospital na sequência de uma fratura muito grave (mas tinha entrado bem no entender da familiar) não podia morrer. Sob pena de todos aqueles que fazem (bem) o seu trabalho serem processados.

 

Faz sentido, não faz? É o país que temos. Onde ninguém pode morrer, mas onde também muitos dos familiares de idosos que vão para o hospital ficam tristes quando esses têm alta e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para adiar a alta.

 

Porque os idosos não podem morrer, mas depois de irem para o hospital também não podem regressar a casa.

 

Era uma vez uma sociedade podre num país chamado de Portugal.

As eternas falsas urgências

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Há uns dias fui ao meu centro de saúde (algo que não fazia há muitos anos, felizmente) e entrei às 8 horas. Fui o primeiro, tirei a minha senha e fiquei à espera para ser chamado. Uns minutos depois apareceu uma senhora, na casa dos 70 anos, que respirava com muita dificuldade. Pediu ajuda ao segurança para tirar a senha, ao mesmo tempo que explicava que se tratava de uma urgência.

 

Quando chegou ao balcão para ser atendida, explicou à funcionária que tinha vindo a correr para chegar ao centro de saúde às 8 horas e ser a primeira a ser atendida. Logo aí, percebi que o motivo de tamanha urgência não se devia à difícil respiração.

 

Atendida, a senhora sentou-se ao meu lado na sala de espera e tirou da mala uma sandes e um sumo. Tranquilamente a ver televisão e a tomar o pequeno-almoço (já a respirar normalmente), ficou à espera da sua vez, que não demorou muito. Afinal, tratava-se de uma urgência. Sem tempo para acabar de comer a sandes, lá arrumou tudo e caminhou para as salas.

 

Andava normalmente, respirava normalmente, e, assim à primeira vista, não parecia ter nada que justificasse uma urgência. Nem um "ai" soltou.

 

Dois minutos depois, e não mais do que isso, reapareceu, saída do gabinete médico e com um sorriso na cara. Cumprimentou as funcionárias e foi embora.

 

A sério? Serei eu o único a achar estranho tudo isto? Afinal, que urgência era aquela que ficou tratada em apenas dois minutos e que não aparentava nenhum problema visível?

 

Até que ponto é que as outras "urgências" que apareceram a seguir, e que atrasaram todos os outros que estavam à espera há longos minutos, eram verdadeiras urgências?