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A loucura de uma reserva no The Fat Duck (e a opinião do Chef sobre os €400 por pessoa)

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O destino gastronómico internacional 3 estrelas Michelin deste ano já estava escolhido. Depois de em 2014 termos ido ao Azurmendi, em Larrabetzu, Espanha, em 2015 à Osteria Francescana, em Modena, Itália, e El Celler de Can Roca, em Girona, Espanha, e em 2016 ao DiverXO, em Madrid, Espanha, tínhamos decidido ir ao Fäviken, em Järpen, Suécia. Local totalmente inóspito, comida muito diferente daquilo a que estamos habituados, uma viagem previsivelmente espetacular pelo meio da neve...

 

 

Muda de vida se não viveres satisfeito

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Muda de vida se não viveres satisfeito. É muito comum ouvir/ler esta frase. E faz todo o sentido. A vida, ao que tudo indica, é só uma, e é curta. Mesmo que se viva 100 ou mais anos. Por isso, se não estamos satisfeitos, devemos mudar de vida. Mudar de parceiro. Mudar de trabalho. Mudar de cidade. Mudar de país. Mudar qualquer coisa. Mas quantos é que realmente mudam? Mais concretamente, quantos é que mudam só porque não estão satisfeitos e não porque necessitam?

 

A minha mulher termina esta semana mais de uma década no seu local de trabalho. Onde tinha, e teria sempre, trabalho garantido e um ordenado (independentemente de ser tremendamente injusto para as horas de trabalho e responsabilidade inerente) acima da média. E termina esta semana por decisão própria. Porque não estava satisfeita. Porque queria mais e melhor.

 

A minha mulher teve a coragem de mudar. De mudar não porque precisava, mas porque não estava satisfeita. E começará agora uma nova fase onde nada é garantido. Trocou a segurança pela "insegurança", mas uma vida insatisfeita por uma vida em princípio mais satisfeita e melhor.

 

A minha mulher tem muito mais coragem do que alguma vez teria, e deixa-me cada vez mais orgulhoso por ela e pela sua decisão. Apoiei-a desde que começou a pensar em mudar e apoiarei sempre. Dando certo ou errado.

 

Tenho a certeza que a mudança será para muito melhor, mas não podia deixar de enaltecer aqui a sua coragem e determinação, a sua força incrível, e desejar a maior da sorte no novo trabalho que começará para a semana.

 

Só entre nós, és uma inspiração. Adoro-te!

Não havia necessidade, UNICEF...

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Há uns dias uma senhora pedia donativos para a UNICEF junto ao Corte Inglês. A minha mulher ia a passar e respondeu educadamente:

"Peço desculpa, mas agora não."

 

Nada do outro mundo, algo perfeitamente banal e repetido por muitos dos que são abordados por pessoas que estão a pedir dinheiro seja para o que for. 

 

Resposta da senhora:

"Podia pelo menos dar um sorrisinho!"

 

A sério? Ai afinal era um sorrisinho que a UNICEF precisava? Era com um sorrisinho que se conseguia ajudar todos aqueles que mais precisam e que a UNICEF tanto ajuda?

 

Eu percebo, e já escrevi aqui, que deve ser ingrato andar pelas ruas a pedir dinheiro para causas em que acreditamos e pelas quais batalhamos, e receber "nãos" constantemente. Mas a vida é assim e ninguém é obrigado a ajudar. Ninguém tem de dar um cêntimo.

 

E uma pessoa pode não dar a quem pede na rua pela UNICEF, mas contribuir frequentemente através dos outros métodos que a UNICEF disponibiliza. Como acontece connosco.

 

Já ajudámos (e muito) a UNICEF a desempenhar o seu papel essencial neste mundo. Mas ajudamos como queremos e quando queremos.

 

E se não queremos dar a quem pede na rua para a UNICEF, e respondemos com educação, não temos de levar bocas por trás.

 

Se alguém responsável pela UNICEF Portugal estiver a ler isto, veja se aprimora esta questão nas próximas reuniões com os colaboradores, porque é a vossa imagem que fica mal no fim. E muitos, com estas bocas, são bem capazes de nunca mais ajudar. É triste, mas é assim. 

As parvoíces do parto dos gémeos do Clooney e Amal

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Partindo do pressuposto que as informações nesta notícia são verdadeiras:

- George Clooney reservou uma ala inteira do hospital onde nasceram os gémeos. E pela módica quantia de $588 mil por semana. Mais valia fechar as portas do hospital... Eu percebo que eles são famosos, e que há por aí muitos malucos, mas uns seguranças não serviriam? Era preciso gastar meio milhão de dólares por semana para bloquear uma ala inteira de um hospital? Sugiro que bloqueiem também a rua. Não, o bairro inteiro. Ou talvez o país. Será suficiente?

 

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- A Amal não queria estar sozinha no momento do parto e por isso contratou duas doulas . Não uma, mas duas. E não eram duas doulas a trabalhar em Londres (onde nasceram os bebés). Tiveram de ir de LA para Londres. Valor? $30 mil. Coisa pouca. Mas eu percebo... Parece que as doulas de Londres não são grande coisa. Há histórias de doulas de Londres que se limitam a apoiar, ajudar, agarrar as mãos e dizer para respirar fundo, e Amal queria muito mais do que isso. Amal queria que as doulas tivessem os bebés por ela. E estas de LA conseguem isso mesmo. Por $30 mil, mal seria se não conseguissem!

 

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- Como é óbvio, as duas doulas não eram suficientes. A Amal contratou ainda uma massagista. Já se sabe que o George Clooney não vai para novo e aquelas mãos já não são o que eram. Quanto custou a massagista (italiana, atenção!)? $5 mil. Amal, querida, por menos do que 5 mil dólares eu ia a Londres massajar-te. Levo apenas 4 mil dólares. E não se fala mais nisso.


- Acham tudo normal até agora? Talvez seja... Mas e mandar vir um Chef de Itália para ajudar o Chef do hospital a cozinhar a comidinha que o George e a Amal mais gostam? Que tal? Perfeitamente normal... Tal como o preço. $10 mil! Para ajudar o outro Chef a cozinhar umas refeições para o casal. A sério, malta? O dinheiro é assim tanto que já nem conseguem comer algo feito por uma pessoa qualquer? Têm de andar com um Chef atrás?? Ouviram que a comida do hospital é má e decidiram prevenir-se? Eu gozo, mas vou tirando apontamentos. Quando me sair o Euromilhões vou fazer o mesmo. Mas não fico só por um Chef. Já estou a pensar numa equipa para me acompanhar para todo o lado. João Rodrigues, Henrique Sá Pessoa, José Avillez, Pedro Pena Bastos... É que eu com o Euromilhões não arrisco!

 

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- Para terminar, é evidente que a Amal não está a pensar ter qualquer trabalho com os gémeos. Tem mais com que se preocupar. Senão a massagista italiana nem era suficiente. Por isso, a Amal já contratou duas amas para os bebés. Sim, duas. Porque se são dois bebés, tem de haver duas amas. Lógico. Preço? $400 mil por ano. Ora fazendo as contas, dá cerca de $16 mil por mês para cada uma. Amal? Hello? Eu por $20 mil por mês tomo conta dos gémeos. Já viste a poupança? E se juntares mais uns trocos (que aqui são milhares) cozinho para ti e para o George (vocês também não devem comer muito) e ainda faço umas massagens. Mas não ao George. Tudo por um valor bem mais baixo do que aquele que estás a pagar. Que tal? Temos acordo? Pensa nisso, que sei que és uma mulher poupadinha!

10 milhões de euros para investir?!

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Há uns dias fui com um cliente a uma agência de um banco em Lisboa onde tem cerca de 10 milhões à ordem.

 

Como é francês, e apesar de eu poder ajudar na tradução, foi solicitada com antecedência a presença de um funcionário do banco que fosse fluente em francês.

 

Resultado?

Apareceu um funcionário (vindo de outra agência) que conseguia falar mais ou menos francês, com umas palavras em inglês e português pelo meio. 

 

Depois de conseguir convencer o cliente a não sair da agência e retirar os 10 milhões da conta, explicando que mesmo assim o senhor lá se conseguia desenrascar com o francês, o funcionário do banco começou a apresentar várias brochuras e papéis com sugestões de investimentos para os 10 milhões.

 

Curiosamente (ou talvez não), não havia um único papel em francês. Nada. Ou estavam em português, ou em inglês. Duas línguas que o cliente não falava. 

 

Ou seja, apesar da reunião ter sido marcada com uma semana de antecedência, e de ser explicado que era preciso alguém que falasse francês pois ele não falava outra língua, o banco apresentou um funcionário que arranhava o francês e levava documentos ilegíveis para o cliente.

 

Cliente este que, repito, tinha 10 milhões na conta para investir. 

 

Ora quando um banco nem tem a preocupação de "agarrar" um cliente com tanto dinheiro (e com muitos outros milhões espalhados pelo mundo), não é de admirar quando nós, meros mortais comuns, vamos ao banco e sentimos que estamos a fazer um favor ao banco por ter lá o nosso dinheiro. Não é admirar que pareça que não há grande interesse ou vontade de ajudar.

 

P.S. O cliente ainda não retirou o dinheiro, mas duvido que lá fique muito tempo. Podia transferir uma parte para a minha posse que eu com esses milhões podia fazer de banco e até arranjar uns investimentos interessantes.

Euromilhões - o que (não) fazer? E vocês?

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Chega a terça e sexta feira e milhões de pessoas começam a pensar - É hoje!!!

 

É hoje que vou ficar super rico! Amanhã já mando todos à m@%& e passo mas é o resto da minha vida no bem bom!

 

Bem, eu pelo menos penso assim... Tenho tudo planeado:

Uma % para os meus pais, uma % para os meus sogros, outra para solidariedade, algum para despesas certas (casa e dois carros novos) e o grande bolo vai para o(s) banco(s) render alguma coisa (sem riscos, até porque mais vale preservar os milhões do que tentar multiplicá-los - com tantos milhões não há necessidade). E depois, é aproveitar a vida sem preocupações com dinheiro.

 

E, se não ficou claro, deixava de trabalhar. Mas, curiosamente, nem todos pensam assim. Daí a razão deste post. É que existe quem diga que continuava a trabalhar como normal. Que não eram capazes de passar o resto da vida ativa em casa. E vocês?

 

Eu até não desgosto do que faço, mas não tenho qualquer dúvida de que largava tudo imediatamente. Não me interessa se só tenho 32 anos. A vida é demasiado curta, e se temos a sorte de ter a oportunidade de passá-la como mais queremos, porque é que não haveremos de aproveitar? 

Uma criança pediu-me comida na rua...

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Como sucede frequentemente, os dias de X acabam por se tornar meramente numa data de consumismo, sem se atender ao verdadeiro sentido do dia. Com o dia mundial da criança aconteceu o mesmo. Porém, este dia 1 de junho não serve somente para dar presentes às crianças. Não foi esse o objetivo aquando da sua criação, mas sim sensibilizar o mundo para os problemas que afligem milhões de crianças e, dessa forma, pensar em formas de solucioná-los. Os números são avassaladores. E, infelizmente, a miséria e os problemas que assolam as crianças não são exclusivos de países estrangeiros. Dentro de Portugal temos vários casos de crianças que são mal tratadas, impedidas de ter acesso a coisas básicas ou de crianças que passam fome. Como uma que conheci na semana passada.

 

Estava a andar pelas ruas de Lisboa (perto do Saldanha) quando vi uma criança ao longe que interpelava as pessoas que passavam por ele, ao mesmo tempo que apontava para o fundo da rua. Fui caminhando na sua direção, enquanto observava como todas as pessoas se afastavam e recusavam a ajudar.

 

Não sou hipócrita, por isso confesso que o meu primeiro pensamento foi: Que chatice, lá vem agora um miúdo pedir alguma coisa. Se toda a gente se afasta, vou ver se também arranjo uma forma de escapar.

 

No entanto, como não dava para "fugir", continuei a andar, convencido que o que ele estava a fazer era perguntar por indicações e ninguém lhe sabia responder. 

 

Quando me aproximei, ouvi:

"Desculpe, mas estou cheio de fome, não me podia dar dinheiro para comer?"

 

Infelizmente este não é um discurso novo para mim, nem para aqueles que andam todos os dias pelas ruas de Lisboa. Mas nunca me tinha sido dito por uma criança.

 

"Tenho 11 anos... Já estou aqui há muito tempo, mas ninguém me dá nada... Eu só queria uma torrada e um leite com chocolate. Já fui ali ao café", e apontou para o tal sítio ao fundo da rua, "mas não me quiseram dar porque não tenho dinheiro. Mas estou mesmo com fome..."

 

Senti-me mais pequenino do que ele e triste. Sempre fui muito sensível, mas depois de ter um filho tudo o que tenha a ver com crianças afeta-me muito mais. 

 

"Não te preocupes.", respondi. "Só queres mesmo a torrada e o leite?"

"Sim."

"Então vamos ao café e eu compro-te o que queres."

"Mas tem dinheiro?", perguntou-me, admirado.

"Penso que sim, mas se não tiver eu resolvo.

 

Fui então com ele até ao café, pedi ao empregado a torrada e leite com chocolate, paguei o que tinha a pagar e despedi-me do miúdo quando lhe deram a comida. 

 

Apeteceu-me perguntar onde estavam os pais dele ou porque é que não estava na escola. Mas não tive coragem. Limitei-me a perguntar se precisava de mais alguma coisa e de me afastar, deixando-o para trás sozinho.

 

Já me disseram que devia ter chamado a polícia. Talvez devesse ter feito, mas naquela altura só pensei em tirar a fome ao miúdo... Não sei se agi bem ou não, mas sei que este é um dia em que todos devemos pensar nestas situações, em vez de nos limitarmos a comprar presentes para as crianças que nos rodeiam.

Aquele momento... #8

 

Aquele momento em que pagas 23 mil euros num serviço do Estado no âmbito da tua atividade profissional e todos à tua volta pensam que és super rico (apesar daquele dinheiro ser dos teus clientes e não teu...)

 

Aquele momento... #6

 

Aquele momento em que te começam a tentar vender um perfume na rua por 20 euros e perante a tua falta de interesse passam para 15, 10, 5, e olhas à volta para teres a certeza que não estás em Marrocos. 

O pedido de um dos homens mais ricos do mundo...

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Por razões profissionais contacto diariamente com clientes internacionais (não trabalho no ramo do turismo nem em algo semelhante) e um dos clientes que recorre aos meus serviços é um dos homens mais ricos do mundo. Daqueles que tem capital suficiente para comprar uma casa para descansar no valor de 47 milhões de euros e tem um verdadeiro palácio no seu país (onde organiza festas com orquestras compostas por dezenas de músicos), para além de muitas outras propriedades.

 

Há uns dias perguntou-me se podia tratar-me pelo meu primeiro nome. Ao responder que sim, deu-me autorização para tratá-lo também pelo primeiro nome (apesar de achar que já o tinha feito anteriormente). Perante tão grande intimidade (estou a ser irónico...), uma colega sugeriu-me que lhe perguntasse quando é que me convidava para ir à casa dele. Ao tal palácio que referi, onde por acaso ela já esteve, com viagem de avião em primeira classe e despesas totalmente pagas, para além de um segurança que a acompanhou desde o aeroporto de Lisboa. Ela até teve direito a carro de luxo à sua espera na pista do aeroporto ao chegar. Sim, há pessoas tão ricas, que conseguem colocar um carro numa pista do aeroporto à espera de uma passageira que chegou num vôo comercial (imaginem a cara dos outros passageiros a ver aquilo...).

 

Seja como for, e apesar de achar tudo isto espetacular, preferia que ele depositasse na minha conta o valor que ele deve gastar por mês em despesas. Ter tratamento VIP deve ser muito bom, e o palácio dele também deve ser bom de visitar, mas mesmo assim o que ele deve gastar por mês a manter todas as propriedades que tem e a satisfazer os seus requintados gostos, para além dos da mulher e filhos adolescentes, deve ser suficiente para não ter de fazer contas à vida durante muito tempo! É que segundo as más línguas só a ex-mulher leva mais de 150 mil euros por mês... Há vidas boas!