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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Quadro da semana #10 (Lasar Segall)

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Autor - Lasar Segall

Título - Retrato de P.F.Schmidt

Ano - 1919

Coleção - Museu Lasar Segall

Quadro da semana #9 (Lucian Freud)

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Autor - Lucien Freud

Título - Rapariga nua com ovo

Ano - 1980/81

Coleção - British Council

A nossa cultura atual exige que as mães sejam tudo, o tempo todo

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O nosso problema - "mamã"

Por Heather Havrilesky, no New York Times

Ilustrações de Anna Kövecses

(Original em inglês, aqui)

 

Quando oiço alguém dizer a uma grávida que ter um bebé vai transformá-la numa nova pessoa, não consigo deixar de imaginar uma meteorologista patologicamente otimista a avisar, enquanto sorri, que vem aí um tornado que vai mudar por completo uma cidade. Ser mãe não a muda assim tanto, ao mesmo tempo que a renova violentamente, apesar de continuar a ser a mesma pessoa por baixo da mudança.

 

No entanto, isto pode ser difícil de lembrar quando professores, educadores, pediatras e estranhos, deixam subitamente de tratá-la pelo seu nome, ou até por senhora, e passam a chamá-la de "Mãe". É certo que vai sentir que é uma nova pessoa - que necessariamente não conhece ou reconhece.

 

A maternidade já não é vista, simplesmente, como uma relação com o filho, um papel que desempenha em casa e na escola, ou até mesmo como uma instituição sagrada. A maternidade foi elevada - ou talvez rebaixada - para o reino do estilo de vida, uma identidade abrangente, com exigências e expectativas que eclipsam tudo o resto na vida da mulher. 

 

"Bando de mamãs à solta?" - Eu e algumas amigas fomos recentemente beber uns copos a um bar, quando um desconhecido presenteou-nos com esta frase. Um bando de mamãs. Essa raça alienígena com carrinhos de bebé, refeições embaladas e protetores solares. A sua expressão sugeriu que era estranho que uma mulher encarregue de levar o filho das aulas de Kumon (instituição de ensino particular) para os jogos de futebol pudesse sair da cidade e beber umas cervejas como qualquer outro ser humano normal. (Em primeiro lugar, como é que ele descobriu que éramos mães? Terão sido os extra-largos copos de cerveja, com MAMÃ! escrito nas laterais que nos denunciou?)

 

Perante aquela atitude retrógrada do "Mad Men", abanámos zangadas as nossas cabeças. Contudo, a verdade é que neste momento em particular da nossa história, uma combinação de excesso de zelo parental, marketing e glorificação do coração e casa persuadiram o público a ver as mães como uma raça estranha, diferente das pessoas normais. Até se pode sentir a mesma pessoa lá no fundo, mas o que o mundo aparentemente vê é uma mulher a arrastar um enorme cordão umbilical.

 

É difícil criticar as pessoas, pois a nossa cultura está cheia de coisas com "mãe" e "mamã": aulas de yoga "Mamã e Eu", manicures "Mamã e eu" e makeovers para "mamãs". Ande pelo mundo com uma criança a tiracolo e não se vai livrar depressa da palavra. Se postar alguma coisa no seu blog sobre ter filhos, passará a ser uma "mamã blogger". Se cortar o cabelo curto, fez um "corte à mãe". Se tiver algumas coisa a dizer sobre o desafio de conciliar vida e trabalho, já faz parte das "lutas de mamãs". Se precisa de um copo depois de toda esta conversa de mamãs, está a ter uma "noite de mãe sem filhos", o que significa que pode tornar-se numa "mãe selvagem".