Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Restaurante dentro da prisão foi eleito o melhor restaurante de Londres!!

Rest.jpg

  

O restaurante The Clink, situado dentro de uma prisão do Sul de Londres (HMP Brixton), foi eleito pelos utilizadores do TripAdvisor como o melhor restaurante de Londres. 

 

Aberto em 2009 em HMP Brixton, o restaurante foi considerado o melhor numa lista de 18 mil restaurantes. Recebeu 5 estrelas e tem 97% de reviews como "excelente" ou "muito bom".

 

Trip.png

 

O menu é composto por 3 pratos, custa £30 e representa a gastronomia moderna britânica, com influências mediterrâneas (exemplo de menu). 

 

Cerca de 30 prisioneiros trabalham 40 horas por semana no restaurante e estudam para concluir um curso na área, reconhecido a nível nacional. 

 

Rest3.jpg

 

O objetivo deste interessante projeto é providenciar aos presos educação e experiência nesta área, tentando facilitar a integração social pós prisão e reduzir as possibilidades de ser cometido um novo crime. 

 

Segundo um estudo recente, aqueles que trabalham no restaurante têm 41% menos probabilidades de voltar a cometer um crime. 

 

A empresa responsável pelo projeto tem ainda restaurantes em mais 3 prisões no Reino Unido, sendo que todos alcançaram igualmente o primeiro lugar nos tops dos restaurantes de cada área.

 

Este projeto não é único no Reino Unido, havendo também um restaurante de fine dining numa prisão em Milão.

 

Rest2.jpg

 

Fica a sugestão para fazerem o mesmo em Portugal.

 

Saibam mais sobre o restaurante aqui. E atenção que se estiverem a pensar reservar uma mesa, leiam bem as FAQ antes da reserva. Existe um grande número de regras de segurança (e não só) que têm de ser cumpridas, uma vez que o restaurante fica, efetivamente, dentro da prisão. E, já agora, só podem entrar no restaurante maiores de 18 anos. 


Fonte

Criticado por não ajudar o Banco Alimentar

bancoalimentar_20151127.jpg

 

Eu já ajudei o Banco Alimentar por alguns anos. Tanto na sede em Lisboa, a separar as doações, como à porta dos supermercados. Tirando isso, contribuo sempre que há uma campanha. Normalmente comprando produtos no supermercado, mas já comprei vales e ajudei online. 

 

Seja como for, nem eu nem ninguém é obrigado a ajudar. Nem ninguém tem de comprar produtos no supermercado, como ninguém tem de ir ajudar a recolher produtos. 

 

Porém, nesta última campanha do Banco Alimentar, fui criticado por não ajudar. Quando na realidade tinha acabado de ajudar.

 

Fui ao Lidl com o meu filho, enchi um dos sacos do Banco Alimentar com produtos pedidos, e entreguei-o à saída. 

 

Imediatamente a seguir, fui ao Continente (mesmo em frente) comprar mais coisas, onde também estava uma equipa do Banco Alimentar que, com certeza por distração, nem me perguntou se queria um saco para contribuir. 

 

Quando ia a sair, com o meu filho ao colo, vem um menino na minha direção para recolher um saco que pensou que eu tinha no carrinho.

 

Antes de poder dizer alguma coisa, ouvi o homem que parecia ser o responsável por aquele grupo dizer ao miúdo:

 

"Não vale a pena que esse senhor não quis ajudar."

 

Apeteceu-me ir ter com ele e explicar que tinha acabado de dar noutro supermercado.

 

Apeteceu-me dizer que mesmo que não o tivesse feito, ninguém é obrigado a dar.

 

Apeteceu-me mandá-lo à merda.

 

Limitei-me, talvez erradamente, a respirar fundo e seguir em frente com o meu filho, fingindo que não tinha ouvido aquilo.

 

Percebo, porque também já estive no seu lugar, que o que mais queremos é encher carrinhos com sacos. Mas foi muito triste ouvir aquela acusação totalmente desnecessária e injusta.

Chef arrasa com crítica negativa apenas com uma linha

01.jpg

 

Texto original

Por Peter Basildon, a 26 de junho de 2017 no Fine Dining Lovers

 

Sempre que vemos uma resposta do dono de um restaurante a uma crítica negativa temos de fazer o respetivo destaque.

 

As nossas favoritas são normalmente aquelas em que o Chef decide arrasar uma crítica online, principalmente quando o faz com humor.

 

De vez em quando, basta apenas uma resposta curta, direta e honesta, e uma crítica negativa pode ser desfeita de forma muito eficiente.

 

Como aconteceu com a crítica ao restaurante Halal Guys feita por um crítico online que disse que não estava satisfeito com o cordeiro que tinha comido. Qual é o problema? O restaurante não vende cordeiro - nada!

 

"Quando eu quero cordeiro, espero qualidade que esteja de acordo com o preço. Halal Guys não consegue isso.

Para o produto que servem, eles são muito caros. O espaço é interessante, mas simples em comparação com outros estabelecimentos na zona.

E no fim... eles são outro restaurante de fast food... se conseguirem imaginar um sítio pior do que o McDonalds.

 

Não liguem às críticas com 4 ou 5 estrelas. Classifiquem tudo de acordo com o verdadeiro sabor.

 

Se preferir uma excelente variedade de cordeiro de qualidade, visitem Acropolis Cuisine em Metairie.

Se procura por uma refeição rápida em NOLA experimente o Cleo's Mediterranean Cuisine."

 

Resposta do dono do restaurante:

"Olá Patrick, pedimos desculpa pela sua experiência menos satisfatória. Informamos apenas que não há nenhum prato no nosso menu que inclua cordeiro. Os nossas opções para pratos ou sandes são galinha, vaca ou ambas. Obrigado pelo feedback."

 

02.png

 

Será que podemos criticar um restaurante sem medo de represálias?

Vitor sobral.jpg

 

Em primeiro lugar, obrigado ao João Faria, autor do blog Menu Executivo, (Instagram) por me ter chamado a atenção para esta notícia.


Ora então parece que o conceituado Chef Vítor Sobral vai processar um cliente por causa de uma crítica que fez na Zomato ao seu restaurante Balcão da Esquina no Mercado da Ribeira. 

 

 

 

No Alentejo come-se pessimamente mal!

alentejo.JPG

 

Há uns dias ouvi no meu local de trabalho:

"No Alentejo come-se pessimamente mal!"

Dei de imediato um salto da minha cadeira e fui ter com a pessoa em causa.

 

A frase não tinha sido dita em tom de ironia. Nem num tom natural. Tinha até sido proferida com algum desprezo, o que ainda me chocou mais. Todos têm direito à sua opinião (lembram-se daquele que disse que a comida portuguesa era horrível?), mas afirmar uma coisa destas merecia, pelo menos, uma justificação.

 

Enquanto me aproximava ouvi:

"Aquilo é horrível! Tudo cheio de gordura e a saber mal. E paga-se muito! São uns "careiros" e ainda servem comida que sabe mal."

 

Antes de continuar, deixem-me só referir que eu adoro o Alentejo (onde tenho casa de família) e considero que a riquíssima gastronomia alentejana é um verdadeiro tesouro nacional, como também o é a gastronomia de qualquer outra região portuguesa. Posto isto, e chegado ao local onde decorria a conversa, perguntei o que é que se estava a passar.

 

"Ela foi almoçar ao Alentejo e é claro que comeu mal...", disse a rir-se. "Do que é que ela estava à espera?"

"Como é que podes generalizar dessa forma?", perguntei.

"Ah, pelo menos é o que o meu marido diz. Que se come muito mal e levam imenso dinheiro. Ficamos sem nada na carteira e nada no estômago."

 

Depois de alguma troca de frases (não vale a pena perder muito tempo com pessoas assim) percebi o seguinte:

- a pessoa em questão almoçou apenas uma única vez no Alentejo;

- e contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que o marido comeu num restaurante no Alentejo.

 

Perante isto, como é que se pode fazer uma afirmação destas, com tamanha leviandade e sem qualquer fundamento? Serei só eu a achar que isto é uma tristeza?

 

Afinal não parece ser assim tão mau...

ham.jpg

 

Lembram-se daquele artigo do Giles Coren que, a propósito da sua crítica ao restaurante do Chef português Nuno Mendes, Taberna do Mercado, tentou arrasar de uma forma ridícula Portugal e os portugueses?

 

Se não se lembram, podem ler aqui o meu post, e a crítica completa aqui.


Segundo o sábio Giles Coren, não só a nossa cozinha é a pior do mundo, como Portugal é o pior país do mundo (e o mais perigoso) e o restaurante Taberna do Mercado, de Nuno Mendes, está entre os piores de Londres, com comida horrível, a fazer lembrar esgoto a vazar, sendo o tipo de coisa que se consegue preparar quando se naufraga e não há mais nada para comer a não ser gordura de porco e serragem.

 

É óbvio que ninguém levou as suas palavras a sério, porque uma pessoa destas não pode ser levada a sério, e não faltam por aí críticas excelentes à Taberna do Mercado. Mas foi recentemente publicada mais uma, pela Elizabeth Auerbach, que dá uma nota final de 89 (em 100).

 

Ora eu não sei se a comida na Taberna do Mercado é péssima, razoável, boa ou excelente. Mas sei que Nuno Mendes, do antigo Viajante e do Chiltern Firehouse, não podia servir uma comida assim tão má.

 

Elizabeth Auerbach, uma verdadeira conhecedora da gastronomia mundial, vem confirmar isso mesmo, com a sua análise, que podem ler aqui.

 

É certo que tudo isto é muito subjetivo, e faz sentido que haja quem goste, e quem não goste, da Taberna do Mercado. Mas parece-me inviável que tudo seja tão horrível, como se comprova agora. Fica, por isso, mais uma garantia sobre a qualidade do trabalho de Nuno Mendes na sua Taberna do Mercado.

A cozinha portuguesa é a pior do mundo - Artigo completo do The Times

TMM16COREN1_a_475010c.jpg

 

Graças ao Alexandre, um dos muitos visitantes do blog que se indignou com este post, posso agora publicar a crítica completa de Giles Coren, no The Times, auto denominado por especialista na comida portuguesa. Pelo menos desta forma, já não podem acusar os portugueses de se indignarem com algumas frases, sem terem lido o artigo completo (como já pude ler por aí...) ou de descontextualizarem as frases.

 

Ah, e já agora, relembro que este texto corresponde a uma crítica a um restaurante, apesar de grande parte ser um mero ataque gratuito ao nosso país e pessoas.

 

Segue o artigo traduzido. Podem ler o original mais a baixo.

 

"A comida em hotéis portugueses nunca é Portuguesa. As pessoas estão de férias. Isso não seria justo"

 

A cozinha portuguesa é a pior na terra. Ou, pelo menos, a pior de qualquer nação quente na terra. Obviamente, a culinária irlandesa poderia fazer-lhe frente. Ou a polaca. Mas, à sua frente, muito salgada ou insípida, a culinária portuguesa é, na melhor das hipóteses, o que a cozinha Inglesa seria se tivéssemos um clima melhor.

 

É verdade que a aliança entre Inglaterra e Portugal é a mais antiga do mundo. Porém, é menos frequente observar-se que a aliança não se baseia em conveniência política, mas sim num amor mútuo por um bacalhau encharcado, pão branco, batatas demasiado cozidas, queijo sem sabor, vinho doce e cremes frios.

 

E eu falo na qualidade de especialista. Já estive em Portugal dezenas de vezes e nunca tive uma boa refeição lá. Mas não vão a Portugal por causa da comida, pois não? Vão por... Espera aí, porque é que vão a Portugal?

 

Quando era criança, íamos ao Algarve sempre no verão para que os adultos pudessem jogar Monopólio e beber rum e coca-cola, e as crianças pudessem torrar ao sol até aparecerem bolhas nos ombros e começássemos a ferver, como sopas. A comida era a parte mais horrível, já naquela altura, com leite esterilizado a substituir o leite fresco e pasteurizado a que estávamos acostumados no pequeno-almoço, transformando o sabor dos nossos Frosties em Dettol.

 

Em 1975 Portugal já tinha deixado de ser um bom destino para férias. O meu pai costumava dizer, "Eu sei que a praia está rodeada de prédios e é feia, mas deviam ter visto em 1963, quando eu e a mãe viemos cá de lua-de-mel. Estava completamente intocada. Tínhamos o mar apenas para nós. Mas claro que não podíamos ir, por causa das alforrecas."

 

Sim, as alforrecas. As assassinas de crianças que - nas raras ocasiões em que o Atlântico o permite - impedem-nos de ir à agua. Ou até de estar na areia, com medo de pisá-las.

 

Uma das minhas memórias de Portugal é a de um homem a morrer lentamente num sofá de pele no lobby do hotel, depois de ter sido picado em julho de 1977. Na volta até estava a morrer por intoxicação alimentar... Aquela morte em público compete nas minhas memórias de Portugal com o ano em que uma enorme lagartixa, que eu adotei como animal de estimação, a quem dei o nome de "Zilla", e que andava por todo o lado nos jardins do hotel, foi decapitada com uma espada por um jardineiro. Lembro-me do corte na Zilla não revelar uma cor vermelha e sangrenta, mas sim uma coloração suave e verde, como um pepino. Chorei, claro. E então, o jardineiro pegou no corpo, lambeu os lábios e bateu na barriga na minha direção. Até hoje não sei se foi uma visão da cozinha portuguesa, ou humor português.

 

Mais tarde visitei hotéis no Algarve, mas nunca fui autorizado a deixar os hotéis. Talvez para não perceber que não há mais nada no Algarve a não ser hotéis de concreto, cheios de estrangeiros a tentar fugir. A comida nesses hotéis é sempre italiana ou francesa, ou, ultimamente, japonesa, para agradar aos russos, e nunca aos portugueses. Claro. As pessoas estão de férias. Não seria justo.

 

Eu não quero que os portugueses se sintam ofendidos. No geral, a porcaria que é a sua comida é o que os faz ser tão adoráveis. E eu já comi muito. Não apenas no Algarve, quando fugia das prisões que são os hotéis, mas inúmeras vezes em despedidas de solteiro em Lisboa e por todo o país aquando do Campeonato da Europa de 2004.

 

Talvez seja por isso que a frase "Restaurante português" não seja algo que se ouça muito.

 

Portanto, parabéns ao Nuno Mendes, anteriormente Chef Michelin, agora Chef de celebridades no Chiltern Firehouse (onde, como em Portugal, ninguém vai pela comida) e favorito de todos os críticos de restaurantes, que abriu recentemente um restaurante português em Spitalfields e fez um ótimo trabalho em replicar o horrível que é a sua cozinha nativa - apesar da sua inconsistência, e de haver uma duas coisas deliciosas que sugerem que não estava muito concentrado no seu trabalho.

 

Taberna do Mercado é um típico espaço para comer de tijolo e cal em Shoreditch, ao estilo St. John "Britapas", sem ser especialmente assustador. Porém, os menus chegam presos num estranho ganho de cobre, desenhado não para imitar o equipamento de pesca dos antigos marinheiros que levaram as técnicas de salmoura do bacalhau para os primeiros algarvios, mas sim para ser mais fácil de pendurar os menus por baixo da mesa. E é óbvio que era isso que tu mais querias fazer: pendurar o menu por baixo da mesa.

 

O menu é assim: Snacks - Queijoa - Enchidos - Conservas de peixe - Pequenos pratos - Sanduíches - Sobremesas.

"Ha ha ha ha", disse para o meu amigo, Kit. "Eles querem dar a entender que em Portugal as pessoas comem snacks, depois queijo, depois almoçam e ainda comem uma sanduíche!"

"Na realidade", disse uma famosa escritora de cozinha portuguesa, na mesa ao pé de nós, "nós comemos".

"A sanduíche aparece no fim porque a comida portuguesa é tão horrível que não consegues comer a maioria e no fim ainda tens fome?", perguntei.

"Não", disse ela. "É porque a refeição é normalmente de peixe e o peixe não enche ninguém."

 

E ela tem razão, não enche. Especialmente se tiver de atirá-lo para o vaso das plantas para não ofender o anfitrião.

 

Começámos com um "snack" de rissol de camarão que era demasiado pequeno, rijo e continha um aroma castanho a peixe. Tipo esgoto a vazar. Isto foi seguido de um "chouriço vinho tinto", que é chouriço português frito com uma redução de vinho tinto. Eu não sei se o chouriço português deve ser assim. Mas se o suposto é ser mais rijo do que o espanhol, cozinhado praticamente até ficar preto, ter textura de borracha como uma unha, e não ter muito sabor, então acertou em cheio.

 

Em seguida, "conservas de peixe". Esta foi uma homenagem à famosa exportação Portuguesa, com um confit de frutos do mar aparecendo em elegantes pequenas latas onde o empregado garantiu que o peixe tinha sido preparado. O resultado: nada funcionou. As pequenas vieiras perderam toda a sua doçura e passaram a borracha numa lata. E a cavala sob tomate sofrito, era simplesmente viscosa.

 

“Tártaro de porco Bisaro, caldo de cozido e couve” era uma bagunça de carne em água salgada, mas havia umas partes bem boas. Embora talvez apenas por comparação.

 

Nesta altura, a escritora de culinária sugeriu que experimentássemos as "migas", que são uma espécie de hambúrguer de papa de aveia sobre espargos selvagens e funcho, o que até é rico e interessante - embora seja o tipo de coisa que se consegue preparar quando se naufraga e não há mais nada para comer a não ser gordura de porco e serragem.

 

Neste momento a casa enviou um lindo pedaço de peixe com salada. Fresco e vivo, é o tipo de coisa que eu suspeito que possa chamar de testemunha quando montar uma defesa da comida portuguesa. Fez-me levar para um belo almoço relaxado na praia. Em Espanha ou na Grécia, claro. Não em Portugal.

 

Depois de deixarmos metade da nossa comida por comer, estávamos de facto esfomeados, tal como deve ser de acordo com a tradição portuguesa, e estávamos ansiosos pelas nossas enormes sanduíches de vaca (com pasta de camarão e alho) e porco (com maionese e funcho). Ambas estavam extraordinariamente bem feitas e deliciosas, o que indica que se calhar a Taberna do Mercado é uma deliciosa loja de sanduíches com um péssimo restaurante anexo.

 

Como pudim, trouxeram o famoso "pão de ló", que é uma espécie de soufflé mal cozido, num papel de cozinha numa forma. É tal e qual uma deliciosa sopa de laranja com bocados parcialmente cozidos na borda, que caem na parte molhada que nem dumplings.

 

Só que quando fui para casa e googlei "pão de ló", é que percebi que deveria ser um bolo com uma "firme, no entanto aérea estrutura".

 

Por isso, o que eu quero saber é o seguinte: o chef e a sua equipa (e a famosa escritora de comida portuguesa) sabem que o bolo tinha saído mal e estavam a brincar connosco? Ou a cozinha portuguesa é assim tão horrorosa, que eles nem sabem quando corre mal?

 

Taberna do Mercado
Old Spitalfields Market, 107b Commercial Street, London E1 (020 7375 0649; tabernamercado.co.uk)
Cozinha: 2
Sanduíches: 8
Serviço: 7
Pontuação: 5.67
Preço: £40/pessoa

 

Segue o artigo original, em inglês:

  

 

 

A cozinha portuguesa é a pior do mundo!

giles.jpg

 

Quem o afirma é Giles Coren, crítico gastronómico Inglês que escreve para o The Times desde 1993, já publicou três livros, apresenta programas de televisão na BBC2 e venceu o prémio British Press Awards Food and Drink Writer of the Year, bem como o Literary Review’s Bad Sex Prize.

 

E não, a frase não está retirada do contexto, nem ele quis escrever outra coisa. A afirmação dificilmente poderia ser mais clara:

"Portuguese cooking is the worst on earth. Or, at least, the worst of any warm nation on earth. Obviously, Irish cooking could give it a run. Or Polish. But in its leaden, oversalted blandness, the cuisine of Portugal is, at best, what English cooking would be if we had better weather."

 

"A cozinha portuguesa é a pior na terra. Ou, pelo menos, a pior de qualquer nação quente na terra. Obviamente, a culinária irlandesa poderia fazer-lhe frente. Ou a polaca. Mas, à sua frente, muito salgada ou insípida, a culinária portuguesa é, na melhor das hipóteses, o que a cozinha Inglesa seria se tivéssemos um clima melhor."

 

Estas "simpáticas" palavras surgem na sua mais recente crítica no The Times após visita ao novo restaurante em Londres do Chef português Nuno Mendes - Taberna do Mercado.

 

Não satisfeito, afirma ainda:

"The food in Portuguese hotels is never Portuguese. People are on holiday. It just wouldn’t be fair"

"A comida em hotéis portugueses nunca é Portuguesa. As pessoas estão de férias. Isso não seria justo"

 

Infelizmente, ou talvez não, não consigo ter acesso à sua crítica completa. Porém, Lucy Pepper (inglesa a viver em Portugal), ilustradora, artista plástica, cartoonista, animadora, autora e colunista no Observador, ajuda a perceber que mais é que Giles Coren escreveu.

 

E, aparentemente, não gostou de praticamente nada do que comeu no restaurante de Nuno Mendes e "utilizou o resto do artigo para explicar que toda a comida portuguesa é um nojo e que “nunca tinha comido uma garfada com gosto” em todas as visitas que fez a Portugal."

 

Ora apesar de compreender que Giles Coren não é levado muito a sério na imprensa britânica e que gosta de se armar em engraçadinho, não posso ler estas suas palavras com um sorriso na cara. Nem me interessa se teve ou não uma má experiência em Portugal há uns anos (não relacionada com a comida portuguesa), porque não vejo como é que isso pode afetar o seu entendimento sobre a gastronomia portuguesa.

 

A brincar ou não (e eu não acredito que ele tenha feito estas afirmações a brincar, ou apenas com o intuito de chamar a atenção, apesar de também o ter sido), Giles Coren ofendeu Portugal, a sua gastronomia e, por arrasto, arrasou Nuno Mendes e o seu trabalho. 


A brincar ou não, Giles Coren tem mais de 172 mil seguidores no Twitter, e muitos são aqueles que acabam por ler as suas críticas no The Times.

 

Giles Coren podia ter circunscrito as suas palavras ao restaurante de Nuno Mendes. Era isso que lhe era exigível, e não uma crítica gratuita a um país e à sua gastronomia. Ainda por cima, sem qualquer sentido. Gostos são gostos, mas não é preciso exagerar.

 

Ilustração: Lucy Pepper

Zomato

tumblr_inline_nj2wf25n7S1sl9h5n.png

 

Lembro-me de ter descoberto o site da Zomato quando andava à procura do menu de um restaurante que queria visitar. O site do restaurante não disponibilizava qualquer informação sobre a sua ementa, nem havia blogs ou sites que o fizessem, e o único local onde era possível consultar a ementa era o Zomato (situação que já se repetiu por diversas vezes).


A partir daí, e sempre que quero saber mais alguma informação sobre o restaurante (nomeadamente consultar ementas, ver fotografias do espaço e consultar opiniões sobre o mesmo) não hesito em ir ao Zomato.

 

Se, no início, limitava-me a consultar o site, rapidamente passei a querer também participar (como podem ver na barra direita do blog) e já publiquei 57 avaliações e mais de 200 fotografias, vistas, no total, por praticamente 200 mil pessoas. Algumas das avaliações e fotografias não foram publicadas aqui no blog e, muitas vezes, as críticas aos restaurantes até acabam por ser publicadas no Zomato antes do blog.

 

Por isso, se também quiserem saber mais informações sobre um restaurante em que estão interessados, ou se estiverem na dúvida sobre onde querem ir, passem pelo Zomato. E depois não deixem de contribuir escrevendo a vossa opinião e publicando as fotografias tiradas, que são sempre úteis para ajudar os outros.

"Liberdade" de expressão - Restaurantes

17472057_cOOjv.jpeg

 

Podemos falar bem sobre tudo, desde que seja sobre coisas de que a maioria gosta.

Não podemos falar mal sobre nada, a não ser que seja sobre coisas de que a maioria não gosta.

 

Estas duas máximas são, infelizmente, aplicadas em quase tudo no nosso quotidiano, mas hoje vou focar-me apenas nas críticas a restaurantes feitas na internet.

 

Se for feita uma crítica positiva a um restaurante da moda, ou a um restaurante que tem sido, ultimamente, elogiado por muitos, não há qualquer problema. Chovem comentários a concordar (alguns escritos por pessoas que nunca entraram no restaurante, nem sequer cheiraram a comida lá servida) e tudo está bem.

 

Se se criticar um restaurante ou Chef que está na mó de baixo, nem que seja por causa de uma crítica de algum pseudo famoso, também não há qualquer problema. A crítica vem no seguimento da outra e bate certo. Tudo ok.

 

No entanto, se se decidir criticar um restaurante adorado por muitos, ou elogiar um restaurante mau, alto e para o baile! As críticas e elogios são considerados ocos, os autores acusados de não perceber nada do assunto e de querer ser do contra. Afinal, como é que se pode criticar um arroz de pato do restaurante x, quando os blogs y e z disseram que aquele arroz de pato era o melhor do mundo, melhor até do que o feito pelas suas queridas mãezinhas? Ou, versão inversa, como é que posso elogiar um arroz de pato que está pelas ruas da amargura no que respeita às críticas a restaurantes?

 

Pegando num caso em concreto - o restaurante Leopold, em Lisboa. O percurso profissional do Chef, e a propaganda de cozinha sem lume, foi o suficiente para lançá-lo. Muitos foram os sites e blogs que começaram a escrever sobre o restaurante e muitos foram os que ficaram curiosos e decidiram ir (como nós).

 

No geral, as críticas foram extremamente positivas. "A melhor experiência da nossa vida", "o restaurante revelação de 2014" ou "o que estava a faltar em Lisboa".

 

No entanto, e por mais que eu quisesse pensar o contrário, o Leopold foi, para nós, a desilusão de 2014. As extensas justificações já foram escritas aqui mas, no fundo, o restaurante não correspondeu em nada às expectativas criadas. 

 

Apesar das diversas razões que nos levaram a não gostar do restaurante como gostaríamos, a crítica foi mal recebida, com comentários negativos, tanto no blogue como no facebook. Até, curiosamente, de pessoas que nunca foram ao restaurante! E é extraordinário como se pode criticar uma opinião negativa sobre um restaurante que nunca se visitou, apenas porque... Não sei, não faço a mínima ideia porque é que não concordam com críticas sobre restaurantes que nunca visitaram...

 

Por acaso, descobri que no Público tinha saído em Dezembro uma crítica igualmente negativa ao restaurante. E o que é que aconteceu? A análise e autor foram arrasados por comentários, em todos os aspetos. E porquê? Porque, no fundo, o autor limitou-se a opinar sobre o restaurante, dizendo o contrário do que têm dito. É verdade que o seu "tom" pode não ter sido o mais correto, mas a questão essencial prende-se com o facto de ele ter criticado o "restaurante sensação de 2014".

 

Afinal, onde é que está a liberdade de expressão? Só funciona para um lado? Nós adoramos o Cantinho do Avillez, mas não nos pomos a comentar exaltados todas as críticas negativas, ofendendo os autores das mesmas. Se uma pessoa não concorda com o que lê, deve poder expressar a sua discordância, mas com respeito, pois nada mais está a fazer do que o autor da crítica previamente fez.

 

E eu acho excelente que a maioria tenha adorado o Leopold e queira lá voltar. Fico feliz pelos responsáveis dos restaurantes e pelos clientes. Mas não me podem obrigar a sentir o mesmo que a maioria, ou a mentir para que todos fiquem contentes. Não sou assim, e nem o Só entre nós vai alguma vez ser assim.