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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

21
Ago17

7ª Visita ao magnífico Esporão, de Pedro Pena Bastos

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Pedro Pena Bastos ainda nem tem 30 anos e já apresenta um trabalho bem mais maduro e bem conseguido que muitos Chefs mais experientes, com 3 estrelas Michelin ou com lugares cimeiros na lista dos 50 World Best Restaurants. Como é que consegue? Não sei, mas se é preciso ir várias vezes a um restaurante para aferir com exatidão a qualidade do trabalho de um Chef e sua equipa, então considero que estamos mais do que habilitados a fazê-lo.

 

 

 

16
Ago17

Esporão - Melhor experiência 2016

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Nalguns casos, ir a um restaurante não é só sentar numa mesa e esperar que a comida chegue. No caso do Azurmendi (*** Michelin), por exemplo, antes da refeição há um passeio pelo exterior do restaurante, e é ainda aí que começa a refeição. No DiverXO (*** Michelin), submergimos no mundo louco de Dabiz Muñoz, que se faz representar pelo espaço, empregados, e teatralidade existente.

 

No caso do Esporão, restaurante da Herdade do Esporão e sob a batuta de Pedro Pena Bastos, há todos os anos uma altura em que os clientes são convidados a participar numa experiência muitíssimo interessante, seguida de almoço especial no restaurante. E foi essa experiência, em 2016, que é agora eleita por nós como a melhor experiência gastronómica de 2016 - As vindimas no Esporão.

 

Tudo começou com um café de boas vindas no alpendre do restaurante, com vista para as vinhas, ao qual se seguiu uma curta viagem de carrinha até às vinhas, onde tivemos a oportunidade de "ajudar" os muitos funcionários que lá trabalham. Todos de uma simpatia extrema.

 

Após a vindima, e com algumas uvas provadas, foi tempo de visitar as caves e adegas, provando alguns dos vinhos da Herdade.

 

Seguiu-se, por fim, um almoço delicioso ao qual já nos habituámos, onde não faltaram os vinhos do Esporão, como não podia deixar de ser.

 

Este ano a experiência repete-se. Se quiserem saber mais, é só consultar o site da Herdade e ver tudo sobre o programa.

05
Jul17

Está tudo louco na estrela Michelin Alentejana

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As minhas experiências no L'And, o único restaurante com um estrela Michelin no Alentejo, nunca foram extraordinárias (último post aqui). 

 

Mas a reconquista da estrela dava curiosidade em ir ver como estava entretanto o serviço e a criatividade na cozinha. 

 

Telefonei para lá e fiquei a saber:

  • que o restaurante não está aberto para o público todos os dias;
  • e que mesmo nos dias em que supostamente está aberto, depende da ocupação do hotel onde está inserido o L'And.

 

Em concreto, foi-me dito que no dia que queria ir o restaurante supostamente estaria aberto, mas como o hotel estava com quase todos os quartos reservados, não podiam aceitar reservas para o restaurante por parte de não hóspedes. Tinham de ter mesas disponíveis para os hóspedes.

 

Mais fiquei a saber que para aquele dia ainda não havia reservas de hóspedes para o restaurante, mas podia vir a haver, por isso não dava para mim. 

 

Ou seja, no L'And preferem passar um dia inteiro com a sala praticamente vazia, para poderem ter mesas para hóspedes que não sabem se querem ou não comer lá, em vez de garantirem logo casa cheia com quem quiser reservar. 

 

Não sei se os responsáveis pelo L'And estão loucos, ou se eu que estou errado, mas sei que por mim não contam comigo para lá voltar. Principalmente depois de ouvir:

"Faça assim. Vá telefonando para saber como está a ocupação do hotel e assim pode ser que consiga um dia para cá vir comer."

 

Começo a recear que isto se alastre aos outros restaurantes de hotéis (se é que já não acontece algo semelhante noutros locais). É que bloquear mesas para hóspedes, até faz sentido. Mas bloquear uma sala inteira já é demais. 

02
Jan17

20 novidades e desejos gastronómicos para 2017

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O ano de 2016 foi ótimo para Portugal no que respeita à gastronomia, mas tudo indica que 2017 será ainda melhor. Aqui ficam 20 novidades e desejos gastronómicos para 2017 (sem nenhuma ordem especial):

 

1. Depois da Mercearia, da Taberna e do Páteo, vai ser inaugurado mais um espaço dentro do Bairro do Avillez. Já nos levantaram a ponta do véu, mas como ainda é segredo, prometemos guardá-lo religiosamente (fica a dica e para bom entendedor, meia palavra basta). 

 

2. Em junho, julho, o grande Chef Kiko Martins (que nunca pára) vai abrir um novo restaurante, com um novo conceito. Chama-se Watt e fica no piso térreo da sede da EDP. Depois do Talho, Cevicheria e Asiático, só se pode esperar algo igualmente muito bom.

 

3. Se tudo correr bem, dentro de poucas semanas Henrique Sá Pessoa vai inaugurar o Tapisco no Príncipe Real. Como o nome indica, terá tapas e petiscos, um ambiente acolhedor, informal, com a tradicional barra e comida deliciosa, ou não fosse da responsabilidade de um dos melhores Chefs nacionais. Tivemos a oportunidade de falar pessoalmente com o Chef Henrique Sá Pessoa há umas semanas sobre este novo projeto e ficámos encantados.

 

4. O Leopold vai, finalmente, reabrir as suas portas já este mês, deixando a Mouraria e abraçando o novo projeto no magnífico Palácio Belmonte. Quem acompanha o Só entre nós sabe bem o que achámos do restaurante Leopold, mas isso não quer dizer que não veja com bons olhos esta reabertura e até tenha alguma curiosidade em visitá-lo.

 

5. Marlene Vieira vai voltar a ter um restaurante "fine dining" (graças a Deus)! Poderemos finalmente voltar a provar as suas criações, depois de um Avenue que deixou saudades. Marlene Vieira e João Sá vão então abrir o Verso, no Largo de Camões, em princípio na primeira metade do ano.

 

6. Fala-se muito no regresso de Leonardo Pereira. E depois da nossa espetacular experiência no Areias do Seixo, espero mesmo que se concretize o novo projeto já em 2017.

 

7. Certo é o novo projeto do (cada vez mais) português e italiano Tanka Sapkota. É já em janeiro, segue os sabores italianos do Come Prima e Forno d'Oro, e promete muito.

 

8. A propósito de sabores italianos, parece que Jamie Oliver vai mesmo abrir um restaurante em maio no Príncipe Real. Só falta saber se será um Recipease, Jamie's Italian ou outra novidade.

 

9. O Terraço do Hotel Tivoli na Avenida da Liberdade vai reabrir com Tiago Bonito a comandar as tropas, depois de deixar a Pousada de Lisboa. Estivemos várias vezes para lá ir em 2016, mas nunca se concretizou. Parece que agora teremos de ir à Avenida para provar as criações de Tiago Bonito. 

 

10. Ao estilo do futebol, houve uma contratação do Chef Diogo Noronha por parte do grupo Multifood ao grupo Mainside. O resultado será a abertura já este ano de um novo restaurante no... Príncipe Real, claro. 

 

11. Ainda nas contratações, Portugal contratou novamente Vincent Farges. E que bom negócio. Pior para as Caraíbas. O restaurante ficará no Chiado e deverá abrir nos próximos meses. 

 

12. Para quem gosta de comida do Médio Oriente também há boas notícias, com a abertura do Mezze em LIsboa. A não perder. 

 

13. Mais uns desejos. Espero, sinceramente, que se continue a fazer justiça no campo das estrelas Michelin, e que 2017 continue o bom caminho do ano passado, com a atribuição de mais estrelas a restaurantes portugueses. A quantidade interessa, como é óbvio, mas mais importante é que haja justiça nas estrelas atribuídas, o que ainda não há.

 

14. E, já agora, gostava mesmo que a cerimónia do Guia fosse (finalmente) realizada em Portugal.

 

15. Ainda no campo das estrelas, os meus desejos - Que o Belcanto atinja o patamar necessário para lutar pela terceira estrela michelin.

 

16. Que o Feitoria, de João Rodrigues, receba a segunda estrela (não faz sentido que não a tenha).

 

17. Que o Guia acorde do sono profundo em que se encontra e dê a estrela ao Esporão de Pedro Pena Bastos.

 

18. Que o mesmo aconteça com o Ferrugem de Renato Cunha.

 

19. E que a Casa de Chá da Boa Nova suba mais um degrau no guia. Bem merece. Foi uma das melhores surpresas de 2016.

 

20. Por fim, espero que surjam mais restaurantes que nos deixem tão rendidos e apaixonados, como acontece sempre que vamos ao Alma. 

 

Feliz Ano Novo para todos!

02
Dez16

Onze restaurantes num único post

Só entre nós

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Há restaurantes cujas críticas estão na minha pasta de rascunhos há meses e não há forma de lhes dar uma publicação decente. Por isso, e apesar de todos, sem exceção, merecerem um post completo, com fotos dos pratos e dos espaços, como costumo fazer, tenho de ser honesto comigo mesmo e admitir que nunca o conseguirei fazer por falta de disponibilidade. Desta forma, segue uma lista de alguns restaurantes visitados nos últimos meses com comentários imparciais:

 

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Restaurante The Old House, Lisboa - Espaço muitíssimo interessante, serviço razoável e comida verdadeiramente deliciosa. Para quem gosta de comida chinesa, ou melhor, da comida chinesa tradicionalmente servida em Portugal, atenção que esta não é igual. E tenham atenção ao picante. Se dizem que é muito picante, é porque é mesmo muito picante! A visitar e regressar.

 

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Tágide, Lisboa - Vista incrível para a cidade de Lisboa (mesmo incrível), serviço cuidado e atencioso, e comida sem surpreender (até porque não é esse o objetivo) mas muito bem confecionada e saborosa. Excelente trabalho do Chef Nuno Diniz.

 

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Forno d'Oro, Lisboa - Há uns tempos escrevi aqui no blog que era no Forno d'Oro que se poderiam encontrar as melhores pizzas de Lisboa. Alguns meses e várias visitas depois, continuo a afirmar o mesmo. São mesmo as melhores pizzas. Ponto final.

 

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Monverde Wine Experience Hotel, Telões, Amarante - O hotel é lindo, como já escrevemos aqui, mas o restaurante também merece destaque. Bons preços, boa comida e serviço muito atencioso. 

 

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Cantinho do Avillez, Lisboa - O serviço já não é o que era (longe disso), com tempos de espera incríveis, funcionários que deixam muito a desejar e erros da cozinha, mas é o Cantinho, restaurante onde já fomos mais de 20 vezes (?) por isso não dá para não regressar.

 

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Pap'Açôrda, Lisboa - Tinha tudo para ser espetacular. Espaço engraçado, boa localização, muitos anos de experiência, expectativas altas, mas saiu tudo um pouco ao lado... O espaço é giro, mas acaba por ser frio (na decoração e no sentido literal da palavra, com um gelo a entrar pela sala cada vez que abrem as gigantescas portas), as moscas aproveitam as portas e entram, passando a refeição a voar sobre as cabeças dos clientes, e os tempos de espera são horríveis. Mas a comida é mesmo boa. Vale por isso. 

 

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A Maria, Alandroal - Passam os anos e a qualidade não diminuiu. A Maria é um porto abrigo, um restaurante onde podemos ter sempre a certeza que vamos comer muito (mesmo muito) bem, e os seus responsáveis, a própria Maria e o seu marido Cândido, recebem sempre todos como se fossem amigos de longa data. A não perder. 

 

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Steak 'n Shake, Montijo - Os famosos steakburger chegaram a Portugal e ainda bem. Excelentes propostas, ótima carne e milkshakes igualmente deliciosos. Ótima sugestão para uma refeição mais casual e rápida. 

 

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Jockey, Lisboa - Sempre que lá vou já sei de três coisas antecipadamente. Vou comer muitíssimo bem, vou ser atendido exemplarmente e vou passar a refeição a pensar "porque é que não proíbem de uma vez por todas o tabaco dentro dos restaurantes?" Se fosse proibido fumar já tinha regressado mais vezes. Sem sombra de dúvida.

 

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Baía do peixe, Lisboa - Restaurante simples, com serviço simples (e muito educado) onde o peixe e o marisco são reis, não só na ementa mas também no sabor. 

 

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Barbatana, Lisboa - Muito bom e agradável. Não vale a pena escrever mais, passem por lá e poderão comprovar pessoalmente. 

30
Nov16

No Alentejo come-se pessimamente mal!

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Há uns dias ouvi no meu local de trabalho:

"No Alentejo come-se pessimamente mal!"

Dei de imediato um salto da minha cadeira e fui ter com a pessoa em causa.

 

A frase não tinha sido dita em tom de ironia. Nem num tom natural. Tinha até sido proferida com algum desprezo, o que ainda me chocou mais. Todos têm direito à sua opinião (lembram-se daquele que disse que a comida portuguesa era horrível?), mas afirmar uma coisa destas merecia, pelo menos, uma justificação.

 

Enquanto me aproximava ouvi:

"Aquilo é horrível! Tudo cheio de gordura e a saber mal. E paga-se muito! São uns "careiros" e ainda servem comida que sabe mal."

 

Antes de continuar, deixem-me só referir que eu adoro o Alentejo (onde tenho casa de família) e considero que a riquíssima gastronomia alentejana é um verdadeiro tesouro nacional, como também o é a gastronomia de qualquer outra região portuguesa. Posto isto, e chegado ao local onde decorria a conversa, perguntei o que é que se estava a passar.

 

"Ela foi almoçar ao Alentejo e é claro que comeu mal...", disse a rir-se. "Do que é que ela estava à espera?"

"Como é que podes generalizar dessa forma?", perguntei.

"Ah, pelo menos é o que o meu marido diz. Que se come muito mal e levam imenso dinheiro. Ficamos sem nada na carteira e nada no estômago."

 

Depois de alguma troca de frases (não vale a pena perder muito tempo com pessoas assim) percebi o seguinte:

- a pessoa em questão almoçou apenas uma única vez no Alentejo;

- e contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que o marido comeu num restaurante no Alentejo.

 

Perante isto, como é que se pode fazer uma afirmação destas, com tamanha leviandade e sem qualquer fundamento? Serei só eu a achar que isto é uma tristeza?

 

01
Jan16

Conclusões gastronómicas de 2015

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A surpresa (nacional)

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Ferrugem, Portela (Vila Nova de Famalicão) 

 

A certeza

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Eleven, Lisboa

 

O melhor (nacional)

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Alma, Lisboa

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The Yeatman, Vila Nova de Gaia

 

A desilusão (nacional)

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L'And, Montemor-o-Novo

 

A surpresa (internacional)

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Bodega 1900, Barcelona

 

O melhor (internacional)

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El Celler de Can Roca, Girona

 

A desilusão (internacional)

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Osteria Francescana, Modena

25
Nov15

Estrelas Michelin Portugal 2016 - previsões

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Pequena pausa na semana da Osteria Francescana para comentar um dos assuntos do dia.

 

Não passam de previsões, mas não queria deixar de tentar antever parte do que vai acontecer hoje à noite, aquando da divulgação do Guia Michelin Portugal e Espanha para 2016:

 

- Belcanto, de José Avillez - apesar de merecer a terceira estrela, por estar ao mesmo nível que outros restaurantes com três estrelas, apesar de Lisboa "merecer" um três estrelas, e de não faltarem rumores nesse sentido, acredito que ainda não será este o ano. É injusto, mas seria uma ascensão muito repentina. Seja como for, já temos reservas feitas para celebrar uma eventual terceira estrela, ou a manutenção da segunda. Críticas ao restaurante aqui.

 

- L'And, de Miguel Laffan - o restaurante é bonito e a comida é boa, mas fiquei um pouco desiludido da última vez. Para além de que o serviço deixa muito a desejar. Por isso, prevejo a queda da estrela. Críticas ao restaurante aqui.

 

- Esporão, de Pedro Pena Bastos - um restaurante de altíssimo nível, que ganhou ainda mais com a entrada de Pedro Pena Bastos. Uma estrela Michelin seria mais do que merecida, e creio que poderá ser este o ano, mantendo-se desta forma uma estrela no Alentejo. Críticas ao restaurante aqui.

 

- Ferrugem, de Renato e Dalila Cunha - não há nada que justifique que o Ferrugem não tenha uma estrela. Serviço impecável, boa comida com alta criatividade, espaço agradável e nem a localização pode ser um entrave (quantos não são os estrelados que estão em sítios "improváveis"). Crítica ao restaurante aqui.

 

- The Yeatman, de Ricardo Costa - a vista é maravilhosa, mas a comida ainda é melhor, pelo que deverá receber a sua segunda estrela. Crítica ao restaurante aqui.

 

Outras previsões: fala-se na queda da estrela do Largo do Paço (crítica ao restaurante aqui) e da Fortaleza do Guincho, na terceira estrela para o Vila Joya (crítica ao restaurante aqui) ou ainda nas estrelas para o Gusto, Vista e Casa de Chá da Boa Nova.

 

Teremos de aguardar por logo à noite, mas espero sinceramente que Portugal receba o protagonismo (no que respeita a estrelas Michelin) que merece.

07
Set15

Esporão - Mais uma vez, onde é que está a estrela Michelin?

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Segunda visita ao restaurante da Herdade do Esporão, perto de Reguengos de Monsaraz, e a confirmação de que este é um restaurante a não perder e de que a pergunta feita aquando da primeira visita faz todo o sentido - Afinal, onde é que está a estrela Michelin?

 

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Depois da nossa maravilhosa visita no início deste ano (que podem ler aqui), estava com algum receio perante a mudança de Chef. Mas a verdade é que o Chef Pedro Pena Bastos conseguiu algo que parecia impossível. Não se limitou a manter a qualidade do restaurante, mas elevou a fasquia para um nível muito superior, graças à conjugação dos sabores tradicionais alentejanos com elementos diferentes, fazendo da cozinha do Esporão uma cozinha criativa e, acima de tudo, muito inteligente.

 

O que só dá ainda mais força à pergunta já feita. Onde é que está a estrela? O espaço é muito bonito, tal como a envolvente, o serviço é muito bom (superior a alguns restaurantes com estrelas), não falta criatividade, a apresentação dos pratos é impecável e os sabores são excelentes.

 

Perante isto, o que é que falta? Um telefonema a convidar os jurados a aparecer (que segundo consta foi o que aconteceu nalguns casos nacionais e internacionais)? Então se só falta isso, façam mas é o telefonema, que o Chef Pedro Pena Bastos e a sua equipa merecem uma estrela.

 

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Couvert composto por dois tipos de pão (pão alentejano e pão cozido com vinho tinto, nozes e amêndoas), manteiga de vaca envelhecida com iogurte desidratado e degustação de quatro azeites da casa, ordenados de acordo com a respetiva intensidade (€3,00 por pessoa). Tudo delicioso. Só por esta degustação de azeites já se tem vontade de voltar.

 

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Antes das entradas, uma oferta do Chef - Tosta fina de cereais com queijo de ovelha de Serpa e ervas aromáticas - Sabores suaves, agradáveis e cuidada apresentação.

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Requeijão fumado, espargos verdes, ervilhas e alho preto crocante €10,00 - Não foi a minha escolha, e confesso que achei o sabor do requeijão fumado demasiado intenso para o meu gosto. Mas a minha querida mulher adorou, e isso é o mais importante. Excelente apresentação, tal como verificado ao longo da refeição.

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Cabeça de xara, couve lombarda, maçã e avelã €9,00 - Para quem não sabe, a cabeça de xara é um patê feito com as partes moles da cabeça do porco, com exceção do cérebro, e é típico da culinária do Alto Alentejo. Se isto vos faz impressão, esqueçam o que leram, porque este prato merece ser provado. O sabor da cabeça de xara, conjugado com a couve, maça e avelã é tão bom, que fez que com que este prato entrasse diretamente para o meu top de entradas. Dava mesmo vontade de pedir outro...

 

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Para acompanhar a cabeça de xara, foi-me recomendado um copo de Verdelho de 2014 €3,00, que só ajudou a realçar todos os sabores.

 

Passando para os pratos:

 

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Pato do campo, cerejas, beterraba, granola de sementes e folhas vermelhas €20,00 - Primeiro estranha-se (ao ler na ementa) e depois entranha-se. Muito bom.

 

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Porco preto Herdade do Esporão, mil folhas de batata, favas, copita e borras de licoroso €20,00 - Porco preto perfeito, crocante e delicioso mil folhas, intenso jus e borras de licoroso da Herdade do Esporão. Não era possível pedir mais.

 

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Lombo de novilho DOP, raiz de aipo, queijo serpa e cebolete €22,00 - O lombo de novilho estava divinal e o queijo de Serpa não anulava os outros elementos, graças a um equilíbrio muito bem conseguido pelo Chef. 

 

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Para acompanhar os pratos foram sugeridos dois vinhos - Syrah 2011 €7,50 (copo) e Esporão Reserva Tinto 2012 €5,00 (copo). E, mais uma vez, o sommelier acertou em cheio.

 

Passando para as sobremesas:

 

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Chocolate, magistra e pólen de abelha €7,50

 

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Beterraba, alperce, hortelã e noisette €7,50

 

Excelentes apresentações e excelentes sabores.

 

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Por fim, mais uma oferta do Chef - Bombom de late harvest - a terminar em beleza uma refeição ao mais alto nível. Só falta a estrela.

Pontuação de 0 a 10

Cozinha (50%) - 9,25

Serviço (25%) - 8,5

Ambiente (25%) - 9

Pontuação final - 9

 

Nota: A pontuação final não foi maior por um pormenor, que não pode deixar de ser tido em consideração. Ao chegar ao restaurante, e apesar de ter todas as provas de que tinha feito uma reserva, foi-me dito que não havia uma reserva em meu nome e que não havia mesas vagas. Ora nem uma coisa nem outra era verdade. A reserva estava feita, o restaurante nunca esteve cheio, com mesas livres desde que entrámos até à hora em que saímos, e tive que ser eu a insistir em ficar perante a desconfiança da funcionária da receção. Se não fosse a minha insistência, tínhamos ido embora apesar da reserva. Acredito que tenha sido um erro da receção, e não do restaurante (pois assim que a funcionária foi falar com o chefe de sala, fomos convidados a entrar), mas, seja como for, foi algo que poderia muito bem ter sido evitado. Se, por algum motivo, não se encontra a reserva, a resposta não deverá ser - o senhor não fez a reserva e não temos mesas. Tirando esse pequeno pormenor, tudo o resto esteve muitíssimo bem.

06
Set15

Turismo de habitação em Arraiolos

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