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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Os emigrantes são todos infiéis?

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Reformulando a pergunta, será que todos os homens que emigram sozinhos, sem a sua família, acabam por trair a sua companheira no país para onde vão? Ou ainda mais em concreto, será que todos os homens que emigram para Angola têm o objetivo de ter uma vida em que lhes é possível trair?

 

Para mim a resposta a todas as perguntas é um claro não. É óbvio que não acho que todos os emigrantes são infiéis, nem que os homens emigram para Angola para poder trair. No entanto, estas foram as questões colocadas ontem no programa da Antena 3, "A hora do sexo", às quais o psicólogo Quintino Aires respondeu afirmativamente, dando a entender, com todas as letras, que suspeita sempre dos que emigram para Angola sem a família.

 

Com efeito, no programa de ontem, 29 de Abril, Raquel Bulha e Quintino Aires continuaram a comentar um e-mail enviado por uma ouvinte que se queixava do marido, emigrante em Angola, que tinha diversos perfis na internet e que frequentava "clubes de engate" online.

 

 

A determinado momento, Raquel Bulha pergunta/comenta o seguinte:

O facto de ele estar em Angola, portanto noutro país, facilita bastante ou permite-lhe psicologicamente algumas coisas que, se calhar, se estivesse aqui não lhe permitia…

 

Ao que Quintino Aires responde:

Eu não sei se é o facto de estar em Angola que lhe permite isso, ou para permitir isso ele está em Angola.

 

Ora, felizmente, todos nós temos direito à nossa opinião e, neste caso, o trabalho de Quintino Aires é esse mesmo - dar a sua opinião. Portanto, e por mais incómodo que seja para a mulher ouvir que o marido decidiu emigrar para Angola para traí-la, como lhe foi pedido que analisasse um caso concreto, e o homem já tinha um histórico de traições, não há lugar a grandes comentários.

 

O pior (como sempre) acontece quando se decide generalizar. E aí acho que Quintino Aires esteve muito mal.

 

Eu vou muitas vezes a Angola (…) e não encontrei uma Angola onde não pudesse estar uma família. E, portanto, se eu não encontrei uma Angola onde não pudesse estar uma família, mais, encontrei uma Angola onde é relativamente fácil encontrar trabalho para quem vai da Europa, ainda por cima falando português, fico sempre muito de pé atrás com tantas pessoas que vão para Angola e que não levam a família."

 

Sem qualquer descontextualização, certo é que Quintino Aires acabou por afirmar que quem vai para Angola sem a família, o faz de propósito com o intuito de trair os companheiros. Aqui não houve a análise de qualquer caso em concreto, pois essa já tinha sido feita. O que sucedeu foi a partilha de uma opinião (à qual tem direito), que me deixou incrédulo.

 

Será mesmo possível que alguém ache que uma pessoa emigra (seja para Angola, seja para outro país), com o interesse de trair? Mas é preciso emigrar para trair? Aliás, é preciso sair de casa para trair? É lógico que não.

 

É claro que para um homem que está longe de casa, sem membros da família que o controlem, é muito mais fácil trair, e, infelizmente, acredito que isso aconteça algumas vezes (se calhar até muito mais do que se imagina). Mas não me venham dizer que aqueles homens que não levam as mulheres só o fazem porque querem trair.

 

E o que é que interessa se é fácil encontrar trabalho em Angola? Não tem a mulher/companheira o direito de não querer deixar o seu país e a sua família? Nem tem a mulher/companheira o direito de não querer levar o filho para Angola?

 

Ah, e já agora, quem emigra não o faz de ânimo leve (pelo menos a maioria). Não deve ser nada fácil decidir deixar tudo para trás, incluindo mulher e filhos. Nem para quem vai, nem para quem fica.

 

Até pode haver algum animal que veja na emigração uma forma mais fácil de andar com meio mundo, mas não generalizem, por favor, pois isso é uma tremenda falta de respeito para milhares de famílias que têm de lidar com uma situação de emigração.

 

Haja respeito!

 

Para que não haja quaisquer dúvidas, recomendo que ouçam o episódio de ontem aqui.

 

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