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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

 

Frio, delicado, duro, verdadeiro, bruto, afetivo, confuso, contagiante, belo. Muitos são os adjetivos que consigo encontrar para o livro "O filho de mil homens", de Valter Hugo Mãe, autor vencedor do Prémio José Saramago. Contraditórios, é certo, mas é isso que eu quero num livro. Que me desperte todo o tipo de emoções. Que não seja um livro que vá lendo só porque sim, e que termine e pense "já li mais um". Não. Gosto da miscelânea de sensações que nos são transmitidas pelas páginas, e até gosto do desafio que é ler um livro que, por vezes, nos dá vontade de devolver à prateleira (como fiz com esta obra), e, mais tarde, nos envolva de tal forma, que já não o queremos deixar.

Todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós.

 

Muito há a escrever sobre este livro tão completo, e, tantas vezes, difícil de ler. Mas deixo uma análise detalhada para outros. Limito-me somente a escrever que é um livro que vale a pena. Muito. Sim, a escrita é dura, agressiva, e tem alguma complexidade. Sim, existe uma multiplicidade de histórias, apesar de interligadas por um fio condutor, que nos pode obrigar a voltar a trás, para perceber melhor. Mas é um livro cheio de criatividade e genialidade. Deixo-vos a sinopse, e a certeza de que o livro não vos vai ser indiferente.

Esta é a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.


As histórias de Crisóstomo e do Camilo, da Isaura e do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com a nossa natureza, tem o poder de a transformar.

 

Tocando em temas tão basilares à vida humana, como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe.

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