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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Michelin 2017 - E a montanha pariu um rato

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Antes de mais, sempre me disseram que era feio queixar-me de barriga cheia. Mas não resisto a perguntar: Afinal o que é que se passou com o Guia Michelin Portugal 2017?

 

Em primeiro lugar, o que era expectável era que 2017 trouxesse apenas mais uma ou duas estrelas para o céu Michelin português, tendo em conta o triste histórico português neste campo gastronómico. E já não seria nada mau!

 

Eis senão quando o próprio Guia Michelin Portugal Espanha, de forma oficial e na pessoa de Ángel Pardo, vem comunicar a toda a imprensa que este seria um ano bombástico para Portugal. 17 estrelas novas, garantiu por telefone ao Miguel Pires, do Mesa Marcada. Nem mais, nem menos!

 

De imediato se fizeram sentir os efeitos desta declaração, com gritos de felicidade em muitas cozinhas portuguesas, sonhos (quase) concretizados e um sentimento de justiça (finalmente) no coração de quem se interessa por este mundo. Ao mesmo tempo, começaram as previsões. Quais eram essas 17 estrelas? Quem ia subir? Quem devia subir? Muitos deram os seus palpites, incluindo eu, com o Tiago do Ovo Cru a fazer, e muito bem, um resumo de algumas previsões.

 

Porém, e contra tudo o que se poderia antever, no dia da divulgação do guia é anunciado pelo próprio Ángel Pardo (que recordo tinha anunciado 17 estrelas), que afinal haveria 9 novas estrelas. E não 17.

 

Por isso retomo a minha pergunta. O que é que se passou afinal? Só vejo três hipóteses, sendo todas bastante plausíveis:

1- Confirma-se que Portugal não tem qualquer relevância no mundo Michelin e que os responsáveis do guia nem sabem bem quantas estrelas existem ou quantas vão surgir. No fundo o que interessa é Espanha;

 

2- O único objetivo foi criar um hype e gerar uma explosão de publicidade;

 

3- Alguém estava cheio de fome e pôs-se a comer estrelas (Das três hipóteses esta é, sem dúvida, a mais provável. Malditos espanhóis esfomeados...).

 

Pondo de lado esta vergonha (não encontro outra palavra), é claro que fiquei (ficámos) satisfeitos com as 9 estrelas novas. Mas eu não consegui ficar plenamente satisfeito. Desde logo porque sinto que fui enganado. E se se fizeram justiças, há coisas que não consigo perceber...

 

Comecemos pela parte boa...

1 - LOCO ganhou a estrela. Merecida, sem qualquer sombra de dúvida. E espero que agora se calem de vez com aquela treta de que os restaurantes novos, ou muito inovadores, não podem ganhar estrelas;

 

2 - O Alma ganhou a estrela. De todas as estrelas foi a que me deixou mais emocionado. É o nosso restaurante preferido, o Henrique Sá Pessoa é uma pessoa espetacular e um profissional incrível, e todo o seu árduo trabalho só podia resultar numa estrela;

 

3 - O The Yeatman conseguiu a segunda estrela. Não fazia qualquer sentido só ter uma;

 

4 - O L'And reconquistou a estrela. Apesar de não concordar totalmente, de acordo com a nossa última visita lá, fico feliz por eles e conto voltar lá em breve;

 

5 - A estrela para a Casa de Chá da Boa Nova é tremendamente justa. Um dos melhores restaurantes nacionais. Grande Rui Paula;

 

6 - O Antiqvvm ganhou uma estrela, com Vítor Matos a conquistar estrelas por onde vai passando. Não fiquei apaixonado quando lá estive há pouco tempo, mas enfim...

 

Quantos às injustiças:

1 - O que é que aconteceu ao Feitoria? A sério, alguém me responda... O "guia" estava doente quando lá foi? Têm alguma embirração com o João Rodrigues? Não foram lá este ano? O Feitoria não é um restaurante de 1 estrela, é claramente de 2, e confesso que foi a minha maior surpresa/desilusão deste ano com este guia;

 

2 - O Ferrugem continua a ser marginalizado;

 

3 - E o Esporão, inacreditavelmente também...

 

Em resumo, temos portanto mais 9 estrelas. Excelente, muito bom, uma tristeza, uma desilusão (é mais ou menos assim o meu pensamento). Estamos ainda muito longe de um cenário perfeito, mas estamos sem dúvida no bom caminho.

 

Os nossos parabéns a todos aqueles que trabalham nos novos estrelados, mas também a todos aqueles que mantiveram as suas estrelas (um desafio muitas vezes menosprezado, mas mais difícil do que conseguir a primeira). 

  

Esperemos que 2018 seja ainda melhor. Aqui fica a lista definitiva:

 

2 estrelas:

Belcanto, Lisboa, José Avillez (análise aqui)

Vila Joya, Albufeira, Dieter Koschina (análise aqui)

Ocean, Alporchinhos, Hans Neuner

The Yeatman, Vila Nova de Gaia, Ricardo Costa (análise aqui)

Il Gallo d'Oro, Funchal, Benoît Sinthon

 

1 estrela:

Alma, Lisboa, Henrique Sá Pessoa (análise aqui)

LOCO, Lisboa, Alexandre Silva (análise aqui)

Feitoria, Lisboa, João Rodrigues (análise aqui)

Largo do Paço, Amarante, André Silva (análise aqui)

Eleven, Lisboa, Joachim Koerper (análise aqui)

Fortaleza do Guincho, Cascais, Miguel Rocha Vieira (análise aqui)

William, Funchal, Luís Pestana e Joachim Koerper

Casa de Chá da Boa Nova, Leça da Palmeira, Rui Paula (análise em breve)

Antiqvvum, Porto, Vítor Matos (análise em breve)

L'And, Montemor-o-Novo, Miguel Laffan (análise aqui)

LAB, Sintra, Sergi Arola e Milton Anes

Henrique Leis, Almancil, Henrique Leis

Pedro Lemos, Porto, Pedro Lemos

São Gabriel, Almancil, Leonel Pereira

Willie's, Vilamoura, Willie Wurger

Bon Bon, Carvoeiro, Rui Silvestre