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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Fortaleza do Guincho, 1 estrela Michelin

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A Fortaleza do Guincho era um dos restaurantes que estava já há algum tempo na nossa lista de restaurantes a visitar, e com a mudança de Chef, e a chegada de Miguel Rocha Vieira, decidimos que não esperaríamos mais, pelo que começámos 2016 com um almoço na Fortaleza.

 

As expectativas eram grandes. A vista prometia, tal como o menu (bem diferente do existente com Vincent Farges) e a curiosidade de provar os pratos de Miguel Rocha Vieira (o exigente e "temível" jurado do Masterchef Portugal e o responsável pela primeira estrela Michelin na Hungria) era muito grande.

 

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Começando pelo espaço, destaque principal para as grandes janelas para o mar, mas também para a decoração simples e elegante da sala do restaurante. Pelo lado negativo, não se compreende como é que num hotel de luxo, e num restaurante estrelado, existem "remendos" nas pinturas das paredes, amplamente visíveis quando o sol incide nos mesmos.

 

 

De igual modo, não consigo entender a escolha de alguns funcionários da sala, que apesar de educados e corretos, em nada se adequavam quer ao espaço, quer ao nível do restaurante. Sem qualquer sombra de snobismo, e com todo o respeito que estes funcionários merecem, não compreendo como pode um restaurante com uma estrela Michelin, localizado num hotel de luxo, ter funcionários que interpelam os clientes quanto aos seus gostos clubísticos, apenas por causa da cor da roupa, fazem conversa como se estivessem em casa a receber amigos e têm dificuldade em fazer descrições dos pratos.

 

 

Um empregado de um restaurante deve, a meu ver, e essencialmente num espaço como este, limitar-se a receber e servir os clientes, sempre de forma a que não seja demasiado notado. Não é ele o ator principal da refeição, pelo que deve cumprir o seu trabalho sem exceder aquilo que se espera dele. Tenho a certeza que muitos não concordarão, e até preferem que os empregados falem sobre tudo e sobre nada, mas eu não. Independentemente disso, reforço o respeito e educação com que fomos tratados.

 

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Quanto à comida, a ementa era bastante interessante, pelo que optámos por um menu de degustação de 4 pratos, por €85,00, à escolha de entre os pratos da ementa (excelente ideia).

  

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A refeição começou com um crocante de tinta de choco com brandade de carapau e grão de bico.

 

Seguido de uma alga crocante com cabeças de peixe cozidas lentamente a baixa temperatura.

 

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E pastel de massa tenra com lebre e puré de aipo.

 

Tudo bastante agradável, mas com um pormenor incompreensível.

 

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Junto ao crocante com brandade de carapau é apresentado um carapau seco que, de imediato, nos é transmitido pelo empregado que não é para comer. Apenas relembra a forma de secar o peixe da Nazaré, mas ainda não se pode comer, esclarecem. Tudo muito bonito, mas para quê apresentar um carapau seco, se não se pode comer? Que prazer pode ter um cliente em ver um carapau "mumificado" num prato? Uma coisa é apresentar elementos em cima de um jardim de micro ervas, em cima de pedras (que obviamente não são comestíveis) ou sobremesas sobre "solos", por exemplo de cacau. É apenas uma forma de dispor pratos em cima de elementos decorativos. Mas aqui não. O crocante não está em cima do carapau seco, mas conta com a sua companhia. E para quê, volto a perguntar? Gostos são gostos, mas coitados dos carapaus que circulam pelas mesas apenas como decoração, e dos clientes que se perguntam porque é que ele apareceu se não se pode comer...

 

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Para acompanhar uma excelente variedade de pão, com destaque para o pão de algas, foram apresentadas quatro manteigas.

 

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De algas, pimentão vermelho, noisette e tradicional. Todas muito boas.

 

Ainda antes do menu, um filete de salmonete braseado, puré de batata e caldo do cozido que, inexplicavelmente, não foi fotografado. Se o salmonete estava delicioso, toda a harmonia que deveria haver desvaneceu com o caldo do cozido, que não obstante o delicioso sabor, estava excessivamente salgado.

 

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Problema que voltou a ser repetido com o polvo "à lagareiro", servido com terrina de rabo de porco, chips de alho e aioli de salsa. Mas o facto do polvo estar surrealmente salgado não foi a única questão neste prato. Houve outros problemas que no fim justificaram um pedido de desculpas remetido pelo Chef e um desconto no preço dos menus aquando do pagamento. Não só o polvo estava salgado como era quase impossível cortá-lo. Como se isso não fosse suficiente, o sabor do mesmo não era o melhor, não havia ligação com o "polvo à lagareiro" e um dos pratos não tinha os chips de alho.

 

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Numa espécie de descubra as diferenças, é evidente a não existência de chips num dos pratos. A consistência nos pratos, e a presença dos elementos descritos, é fundamental em qualquer restaurante, principalmente num restaurante que tem uma estrela e pretende mantê-la.

 

Honestamente, a falta de qualidade e cuidado neste polvo "à lagareiro" deixou-nos bastante reticentes quanto ao resto da refeição, e certos de que se aquele prato fosse servido a um jurado do Guia Michelin, era garantido que a estrela desapareceria imediatamente.

 

Aceites as desculpas e o abatimento na conta (desnecessário mas corretíssimo), os restantes pratos fizeram-nos suspirar de alívio.

 

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Lavagante da nossa costa, castanhas, cogumelos selvagens e presunto de porco preto - bom prato, mas para mim havia um bocado de lavagante que estava abaixo do ponto, e entendo que um dos elementos do prato não merecia ser servido a uma temperatura tão baixa, dando a entender que parecia ter saído diretamente do frigorífico.

 

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Pargo com trigo sarraceno, acelgas e topinambour - muito agradável e peixe no ponto, com a falta de consistência a surgir novamente por não haver elementos crocantes num dos pratos. Um pouco mais de cuidado no empratamento era essencial.

 

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Dourada, leite fumado, couve-flor e bivalves - igualmente bom, com destaque principal para as várias texturas da couve flor. 

 

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Pato selvagem, nabos e mel - pato e nabos muito bons, mas o ponto alto estava na taça, com o pato confitado. Delicioso. 

 

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Veado, abóboras e romã - apesar do sabor da romã ser menos predominante do que estava à espera, a carne estava perfeita, tal como o molho.

 

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Antes de passar às sobremesas, pequena nota para o empratamento. Eu adoro esta "nova" moda de servir, dispondo os elementos numa das bordas do prato, deixando um grande "espaço negativo". Mas fazer isso em quase todos os pratos parece-me excessivo e deixa transparecer alguma falta de criatividade.

 

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Dunas do Guincho, pinha, pinhões, resina - apesar de ser apresentada como uma pré-sobremesa, o seu tamanho não desilude, tal como os seus sabores e apresentação.

 

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Pêra, chocolate, cardamomo - agradável, sem nada de negativo a apontar.

 

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Toucinho do Céu, amêndoa, chila, doce de ovos - verdadeiro sabor do toucinho, com um gelado delicioso.

 

 

Para terminar, umas perfeitas mignardises, com destaque especial para as mini queijadas de Sintra.

 

 

Em jeito de conclusão, faltou emoção ao que foi servido. A refeição, apesar dos erros iniciais, foi agradável, com sabores que convencem mas que não conquistam. 

 

Pontuação de 0 a 10

Cozinha (50%) - 7

Serviço (25%) - 7

Ambiente (25%) - 9

Pontuação final - 7,5

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