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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Fomos ao restaurante do Gordon Ramsay...

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Gordon Ramsay é daqueles Chefs (atualmente mais restaurateur e apresentador de televisão) que se ama ou odeia. No meu caso, gosto muito da sua exigência, loucura, vontade de atingir a perfeição e humor. É lógico que tem alguns comportamentos que fazem revirar os olhos mas, no geral, é com prazer que assisto aos seus programas de televisão.
 

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Porém, havia uma coisa que eu não sabia, mas tinha muita curiosidade em saber - Toda a exigência e perfeição demonstrada na televisão é refletida nos seus restaurantes espalhados pelo Reino Unido, França, Itália, Estados Unidos da América e Qatar, detentores de muitas estrelas Michelin?

Sendo certo que a única forma de obter uma resposta correta a essa pergunta passaria por visitar todos os seus restaurantes, já daria para ter uma boa ideia visitando um deles. E foi o que fizemos da última vez que passámos por Londres.
 

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Das várias hipóteses, escolhemos o Foxtrot Oscar. Mais discreto, caseiro, acolhedor e localizado no magnífico bairro de Chelsea.
 
 
 
Serviço
 
Muito simpático e eficiente, com os funcionários, que sabiam pela reserva que éramos portugueses, a fazer questão de fazer referência a Portugal e a surpreenderem com um "obrigado".
 

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Ambiente
 
Tal como expectável, é um restaurante pequeno, acolhedor e simpático. No entanto, nota negativa para o desgaste do mobiliário, a reclamar por uma remodelação.
 
Limpeza
 
Para grande surpresa, e tristeza, o chão do restaurante tinha algumas migalhas. Ora sendo hora de almoço, isso só podia significar que o chão do restaurante não tinha sido varrido desde o jantar do dia anterior.
 
O mesmo com a casa-de-banho, que estava longe de estar bem limpa.
 
Comida
 

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Para entrada, a minha querida mulher pediu um creme de cogumelos que estava bom, mas enjoativo o suficiente para não apetecer comer tudo até ao fim.
 

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Eu optei por uma salada de beterrabas bebé com maçã, Xerez, avelãs caramelizadas e ricota de leite de ovelha. Combinação pouco provável para o meu gosto, mas que funcionou lindamente.
 
Para prato principal, a minha mulher escolheu gnocchis com molho de tomate. E o que é que recebeu? Gnocchis com molho de tomate. Ou seja, não veio absolutamente mais nada, para além de gnocchis com molho de tomate. Nem uns cubos de bacon, anchovas, azeitonas ou qualquer outro ingrediente que pudesse ajudar a tornar um prato extremamente simples e desinteressante num prato digno de figurar numa ementa de um restaurante do Gordon Ramsay. Claro que a culpa inicial foi nossa, por não termos perguntado como é que vinha o prato. Mas não era legítimo supor que os gnocchis não vinham somente com molho de tomate? O molho de tomate era bem bom, e os gnocchis bem feitos, mas ficou a faltar algo mais... 
 
Eu escolhi a costeleta de porco dingley dell com chalotas, couve hispi e puré de mel e pastinaca. Se o nome, desta vez, prometia mais do que os gnocchis com molho de tomate, o resultado foi praticamente o mesmo, com uma costeleta (bem cozinhada e saborosa) que não passava de uma mera costeleta que podia ser servida em qualquer restaurante mediano, e até com muito mais sabor.
 

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Perante a desilusão, pedi umas batatas fritas com três cozeduras com parmesão e trufa para acompanhar, mas nem estas demonstraram ser brilhantes.

Por fim, a sobremesa - cheesecake de gengibre e baunilha, com bagas silvestres - seguiu o mesmo tom dos outros pratos - banal e nada especial.
 

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Conclusão
 
Ao sair do restaurante, tinha ainda mais perguntas do que aquela inicial.
- Será que a perfeição exigida, em tudo o que nos é mostrado nos seus programas, faz unicamente parte de uma personagem criada para a televisão?
- Como é que o Gordon Ramsay, que grita e ofende quando encontra uma mancha no chão de um restaurante, pode permitir que um dos seus restaurantes falhe na limpeza?
- Será que os seus trinta restaurantes, e outros tantos programas de televisão, retiram tempo para cuidar dos próprios restaurantes? 
- Que sentido faz apresentar pratos tão banais e desinteressantes (apesar de bons) que vão totalmente contra os pratos exigidos em televisão?
 
Confesso que não sei, mas não fiquei convencido com a experiência e, honestamente, perdi a vontade de ir a outro restaurante dele (até porque os preços não são nada banais).
 
Update: Ao escrever este post, fiquei a saber que o restaurante fechou para obras e remodelações pouco depois de termos lá estado. Faz sentido, depois do que vimos.
 

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