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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Falta de tempo, banho alternado, número dois no emprego e street manicure


Cada vez temos menos tempo em casa para tratar das nossas tarefas pessoais, e são várias as consequências de tamanho mal do século XXI. A começar pela higiene pessoal. Por exemplo, é possível sentir diariamente naqueles que nos rodeiam o agradável aroma a falta de banho logo pela manhã. E não. Não pensem que tal odor se deve ao precário amor pela água e sabão de tantas pessoas. Não, nada disso. É mesmo por causa da falta de tempo. Recentemente, pude ouvir duas senhoras a comentar que já só tomam banho dia sim, dia não (chamado banho alternado), porque não têm tempo para nada em casa. Uma terceira, que ouvia a conversa, aproveitou logo para dizer que lhe acontecia o mesmo. Por causa da falta de tempo em casa, também já tinha deixado de fazer a cama e lavar a loiça. Até o tempo para comer parecia escassear, apesar de isso parecer impossível, porque a senhora tinha, pelo menos, oitenta quilos em cada perna...


Outra situação motivada pela falta de tempo em casa, é o hábito extensível a tantos portugueses de guardar as necessidades físicas para quando chegam ao trabalho. Longe de mim estar a insinuar que as pessoas preferem fazer o número dois na casa-de-banho do trabalho, em vez de ser em casa, para poupar na água e papel higiénico. E ainda conseguirem passar mais meia hora sem fazer nada. Do ponto de vista laborar, claro. Não, nada disso... É mesmo porque não têm tempo suficiente em casa. Se nem podem tomar banho, acabam por ter de deixar a ida à sanita para o emprego. Lógico.

Por fim, outro exemplo da chatice que é a falta de tempo, é a manicure feita onde calha. Por ser maioritariamente na rua, também é chamada por street manicure. Pode não haver tempo para nada, mas para uma coisa há sempre. No caso das mulheres, claro. Ida à manicure. Não há nada que as impeça de ir tratar das suas belas nails. Ah, mas o Afonso não tem jantar. Isso não interessa. Ele que ligue a televisão no Junior Masterchef e aprenda alguma coisa! Já é tempo de se fazer homem. Mesmo que ainda só tenha quatro anos.

 

A única coisa que as impede de ir à manicure, é a falta de dinheiro. E quando já não há dinheiro para ir dar dois dedos de conversa com a senhora da loja do bairro, a manicure é então feita nos transportes públicos e na rua. Porque claro que não pode ser em casa. Afinal, não há tempo para nada! E como sabe tão bem ir ao lado de alguém e ouvir o clic clic clic do corta unhas, ou levar com uma unha alheia em cima. Também é bom levar com a porcaria acumulada debaixo das unhas (não há tempo para limpá-las), retirada com a ajuda de uma outra unha, e atirada para longe. Ou, como às vezes acontece, para cima de alguém. 


A street manicure acaba, por isso, por ser feita onde dá mais jeito. E até há quem esteja super prevenido, como um velho que vi há dias, que tinha no porta chaves um mini corta unhas e lima, com a qual limava os cantos mais rebeldes. É claro que ele não tinha tempo para cortar e limar as unhas em casa. A reforma não deixa tempo para nada.

Por tudo isto, e só entre nós, a falta de tempo é mesmo uma chatice!

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