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Estado social (ou a falta dele)

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Gosto muito deste país em que nasci e onde tenho a sorte de poder viver com uma razoável qualidade de vida. Claro que, um pouco à semelhança de todos os portugueses, também eu me sinto defraudada nas minhas expectativas e um pouco revoltada com as consequências financeiras e sociais desta mega crise. Mas, ainda assim, e porque posso escolher, continuo a querer viver aqui.

 

Infelizmente, ao contrário de mim, muitos foram os portugueses que nos últimos anos não tiveram escolha. Sem emprego (ou com emprego precário), com filhos e contas para pagar, muitos tiveram de sair do país, com mais ou menos hipóteses de escolha.

 

Ao que parece, foi isto que aconteceu ao jovem casal que há pouco menos de um ano emigrou para o Dubai, onde agora se vê numa situação desesperada, porque teve o infortúnio de ver nascer antes de tempo uma filha indefesa num país estranho, onde tem de pagar uma fortuna para dar a esta filha a hipótese de sobreviver.

 

O que me deixa indignada, não é a atitude do hospital privado onde a criança nasceu, nem tão pouco a passividade das autoridades locais. Custa-me imenso perceber que este país que é tão meu quanto desta criança que nasceu, por acaso, no Dubai, tem um Estado que ajuda tantas e tantas crianças em iguais circunstâncias, portuguesas e não só (porque nascem em Portugal muitos filhos de imigrantes - africanos, brasileiros, ucranianos, etc. - e agora não ajuda uma criança portuguesa que, por "imposição" das condições de vida que este país impôs aos pais, acabou por nascer a 7000 km de distância. 

 

Não sou contra a assistência que damos a cidadãos estrangeiros. Apenas gostaria que os cidadãos portugueses espalhados pelo mundo não fossem esquecidos quando mais precisam.

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