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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

É favor não mexer

 

Um dos meus passatempos favoritos é visitar museus. Não sou daqueles que gosta de ver ao pormenor cada uma das três mil obras de arte expostas, mas também não sou dos que percorre uma sala em dois segundos. Gosto de me demorar nas peças que mais gosto, e olhar para as outras sem me deter em grandes detalhes.

 

Como gosto muito de visitar museus, é normal que faça questão de visitar, pelo menos, os mais importantes de cada cidade que visito, arrastando, por vezes, aqueles que me acompanham e que já estão fartos de andar a percorrer salas repletas de quadros. Porém, a sensação de poder admirar tantas obras maravilhosas, algumas com largas centenas de anos, é tão espectacular como viciante.

 

Certo é que existe uma coisa que me incomoda quase sempre que estou num museu. A falta de respeito dos visitantes.

 

Refiro-me, em particular, aos visitantes que ignoram todas as regras, inclusive as de bom senso, e tocam nas peças expostas, encostam-se ou sentam-se nelas, ou chegam, inclusivamente, a retirar algum bocado para levar como souvenir.

 

Já assisti a diversas situações que me deixaram de boca aberta, como:

- um homem que pousou o braço em cima da cabeça de uma escultura romana antiga, exposta no Museu Nacional de Atenas, enquanto posava para uma fotografia;

- várias pessoas a tocar nas telas de quadros para... não sei para quê;

- outras a raspar as unhas nas esculturas para, provavelmente, limá-las;

- ou uma mulher que se sentou encostada a uma escultura no museu Reina Sofia, em Madrid, descontraidamente a descansar, sem pensar que, com o peso do corpo, poderia facilmente derrubá-la, até porque a base era muito estreita...

 

De igual modo, também já me apercebi de obras de arte claramente danificadas por alguém que decidiu levar uma recordação para casa, ou até mesmo da falta da própria obra de arte. Num dos corredores do El Escorial, apercebi-me que, num mostruário de chaves antigas, havia um espaço em branco. Bem sei que é normal haver peças que são emprestadas a outros museus ou retiradas, provisoriamente, para conservação ou outro motivo qualquer. Contudo, naquele caso, as chaves estavam à mão de quem passava, sem qualquer vidro ou outra protecção à frente, e, por isso, duvido que o responsável pelo desaparecimento da chave não tenha sido um visitante menos respeitador.

 

E é isto que nem consigo compreender nem aceitar. Muito provavelmente, a maioria destas pessoas costuma ir a museus e gosta de os visitar. No entanto, violam as regras existentes, põem em causa o bom estado das peças que gostam de ver e, ainda, levam como recordação partes das obras de arte.

 

Se todos fizessem isso, tenho a certeza que não haveria museus ou monumentos para visitar.

 

Só entre nós, não custa assim tanto prezar a nossa história e fazer por deixá-la aos nossos descendentes.

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