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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Casa de Tapes Cañota, Barcelona

 

  

Quando os irmãos Juan Carlos e Pedro Iglesias decidiram juntar o seu talento ao dos irmãos Ferran (do mundialmente famoso El Bulli) e Albert Adrià, o resultado foi um verdadeiro terramoto gastronómico em Barcelona com a criação do Grupo BCN 5.0 e o surgimento de uma sucessão de restaurantes de sucesso:

 

- Tickets (1 estrela Michelin e 57º melhor restaurante do mundo);

- 41º (1 estrela Michelin e 74º melhor restaurante do mundo);

- espai Kru;

- Bodega 1900;

- Pakta;

- Rías de Galicia,

- Casa de Tapes Cañota,

- Niño viejo (a abrir este mês)

- Hoja Santa (a abrir em Setembro)

 

Todos restaurantes extremamente bem conceituados e premiados, que fazem destes irmãos um força impar em Barcelona que não se contenta com o sucesso, como demonstram os novos projetos para o Tickets e 41º.

 

 

De entre tantos restaurantes, tivemos a oportunidade de visitar a Casa de Tapes Cañota, restaurante típico de tapas em Barcelona que foi totalmente reinventado em 2011 pelas mãos dos Adrià e Iglesias. O resultado é extraordinário.

 

 

O espaço não podia ser mais informal, relembrando o local onde estamos - uma casa de tapas. Mas não é uma casa de tapas qualquer. Trata-se de uma casa de tapas divertida, e descontraída, mas onde se servem tapas elaboradas por Chefs com uma ou mais estrelas Michelin, convidados mensalmente para fazer parte da ementa do restaurante, como sucede com Dani García (2 estrelas) ou Juan Maria Arzak (3 estrelas).

 

 

E, só por isso, a Casa de Tapes Cañota já seria um restaurante imperdível. Mas a verdade é que tudo o resto é delicioso, acompanhado por um serviço eficiente, muito educado, e preços justos. O mais difícil é escolher, tarefa facilitada pelos empregados que permitem que se vá escolhendo ao longo do restaurante, ou enquanto a barriga aguentar.

 

 

Destaque especial para os pratos, divertidos e todos diferentes, e para a ementa (que se pode comprar no fim da refeição, tal como os pratos), com mais de trinta páginas e textos e descrições cheios de humor.

 

 

O couvert, tradicional, é composto por pão torrado, tomates e dentes de alho, convidando os clientes a barrarem o alho e tomate no pão torrado.

 

 

Em seguida, optámos pela Anchova Lolín 00, descrita como "um espetáculo de anchova, servida com o nosso molho secreto". Se gostam de anchovas, aconselho duas por pessoa. São boas demais e desaparecem muito depressa...

 

 

As típicas batatas bravas à galega não podiam faltar, assadas no forno com molho de Albert Adrià e um suave alioli. 

 

 

A caixa dos fritos foi um dos pratos da noite. Para além da irrepreensível apresentação, o seu conteúdo era de chorar por mais - bacalhau fresco, camarão, polvo e lulas - tudo frito e acompanhado por um guloso pilpil.

 

 

Os croquetes de presunto Ibérico "grandes, muito grandes e muito cremosos" são muito bons, mas não são assim tão grandes.

 

 

A zorza de lugo - "chouriço desconstruído com ovo frito e batata palha. Cortar e misturar. Nosso vulcão." - é igualmente imperdível. Mas confirma-se a ideia de vulcão. Não pelo picante, que não existe, mas pelo excesso de gordura. Não recomendável a estômagos sensíveis.

 

 

Depois de isto tudo, e com tanto ainda para escolher, mas com uma enorme sensação de satisfação, optámos pela Crema catalana gigante, com morangos e molho de manga "para dois e no meio". E para esta sobremesa, apenas um adjetivo - divinal.

 

Em jeito de conclusão, a Casa de Tapes Cañota foi das melhores e mais divertidas experiências gastronómicas que tivemos em Barcelona. Deixo-vos, por fim, a introdução da ementa, que explica como alcançar em apenas 3 passos a Nirtapa - um estado de felicidade espiritual partilhado com aqueles de quem gostamos, ou vamos gostar, e que é alcançável estando sentado à volta de uma mesa, partilhando em harmonia pequenos pratos.

 

  

1º - Cerimónia da cerveja purificadora - começa com uma pequena, gelada e bem servida cerveja Estrella, de forma a limpar a alma de impurezas e angústias. Concentra-te no frio do copo da cerveja e conecta-te com o teu interior quando essa frescura percorrer a tua garganta.

 

2º - Eleger um mínimo de 10 tapas - para quatro pessoas. Se são menos, vai buscar amigos para que te acompanhem, ou chama os teus pais, que já faz algum tempo que não os convidas para jantar fora. E se vais com a tua companheira, chama os teus sogros. Eles vão agradecer. A tapa que não se partilha, não é tapa nem é nada, e impede de alcançar a nirtapa.

 

3º - Hora de pagar - Isto é quase sagrado, exceto se estiveres com os teus pais ou sogros. Só assim a experiência te levará ao equilíbrio interior. Vai fundo ao teu bolso. Ver todos a tirar dinheiro do bolso, impede a paciência de transbordar.

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