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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Carta ao saltitão que tenho dentro da barriga

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Escrevo esta carta como se estivesse em mar alto. Com o iPad ligeiramente apoiado na barriga, vou vendo as letras aos saltos, ao sabor das ondas. Mas, neste caso, as ondas dentro da minha barriga são os teus pontapés, os teus soluços e as tuas cabeçadas. A minha barriga aos saltos é a demonstração clara de que tenho uma vida nova dentro de mim. Agora que estou a entrar no último mês de gravidez, sinto cada vez mais a força que esta nova vida já tem.

  

Meu filho,

 

É a primeira vez que te escrevo. Porque será que levei oito meses completos para decidir fazê-lo? Não sei. Sei apenas que hoje quero escrever-te.

 

Há oito meses que vives dentro de mim. Há oito meses que gosto de ti e que sei que já não posso viver sem ti. Passaram a correr estes meses... És o centro do meu mundo desde o dia em que te soube dentro de mim, quando não medias sequer um centímetro. Não quis acreditar que tinha dois corações a bater dentro do meu corpo naquele dia frio de Novembro em que vi o teu pequeno coração a piscar no monitor da ecografia pela primeira vez! Depois chegou o dia em que soube que no meu sangue circulavam alguns cromossomas Y. Todos teus, claro! A partir desse dia, adquiriste um nome e uma personalidade. Comecei a acreditar que estavas mesmo a crescer dentro de mim. E um dia, já este ano, em Janeiro, de repente, sem aviso prévio, começaste a fazer-te sentir, primeiro com muita suavidade, quase a pedir licença, e depois, aos poucos, cada vez mais e com mais genica! A partir desse dia, só estou bem quando te mexes. E os meus dias têm altos e baixos em função dos teus pontapés. Acreditas nisto? Por sorte, és um saltitão! Ultimamente, já tens tanta força que até há alturas em que te peço para acalmares...

 

Felizmente, tem sido um percurso tranquilo este de te trazer dentro da barriga. Sem percalços, sem enjoos, sem desejos, sem queixas. Tens sido um bebé fácil até agora. Falta pouco para nasceres. Custa acreditar que daqui a um mês já te tenho nos meus braços. Começo a imaginar como serás... Ao que parece, és gordinho. Que bom! Imagino-te bochechudo e com os olhos grandes e pestanudos do pai. Imagino a suavidade da tua pele rosada e macia, própria de um recém-nascido, e o teu cheirinho de bebé a tomar conta do meu coração. Imagino o caminho do hospital para casa, a tua primeira viagem naquele ovinho lindo que já treinámos a instalar no carro. Imagino-te a entrares em casa pela primeira vez, comigo e com o pai, e nós a fazermos de cicerones, a querermos mostrar-te todos os recantos, como se os percebesses bem, como se não tivesses tempo de os vires a conhecer por ti próprio, com calma, ao longo do tempo... Imagino-me a deitar-te no teu berço pela primeira vez, a amamentar-te naquele cadeirão do teu quartinho, onde já tudo está a postos para te receber. Imagino o teu primeiro banho em casa e a nossa alegria nesse momento. Imagino até as noites mal dormidas que nos esperam, mas que sei que não custarão tanto assim porque são por tua causa, e por ti tudo vale a pena.

 

Não me conheces bem ainda, meu amor pequenino, apesar de estares dentro de mim há oito meses, mas quando me conheceres vais perceber que já consigo imaginar, ainda tu não nasceste, o dia em que vais começar a andar, as primeiras palavras, as tuas brincadeiras, o teu primeiro dia de aulas, as tuas festinhas da escola, a primeira vez em que vais querer sair sem nós, a tua entrada para a faculdade, a tua saída de casa para o mundo... E vais perceber que já tenho uma lágrima a escapar do cantinho do olho ao imaginar-te já crescido e independente.

 

Começa em breve o maior desafio da minha vida, o de ser mãe. Eu sei que a vida está dividida em etapas de crescente dificuldade, por isso não me surpreende que esta seja a etapa mais difícil de todas até agora. Mas é na dificuldade do caminho que reside a maior satisfação na conquista do objetivo final. E eu não desisto perante as dificuldades, quero que aprendas isso comigo. O melhor exemplo de mãe que tenho por perto é a minha própria mãe. Não será fácil igualá-la neste papel. Tentarei ser eu mesma, copiando dela aquilo de que melhor me lembro e que fez de mim o melhor que sou hoje. No fundo, meu filho, aquilo que quero mesmo é fazer de ti um Homem. Um Homem a sério. Com o coração do teu pai, com os valores em que acredito, útil para a nossa sociedade, e de bem contigo e com a vida. Essa é a minha missão a partir do dia em que nasceres.

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