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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Bem precioso da Yoko Ono

 

Yoko Ono - cantora, cineasta e artista plástica vanguardista japonesa. Ou, como quase toda a gente a conhece, viúva do Beatle John Lennon, que já conta com 81 anos e é vulgarmente confundida com uma louca graças às suas atitudes provocativas e... estranhas. Para quem não sabe sobre o que é que estou a escrever, basta relembrar a sua atuação no MoMa, em Nova Iorque (aqui), ou o recente concerto dado no Festival de Glastonburry, considerado por muitos como o pior espetáculo da história da música (aqui).

 

Verdadeiramente louca, ou vanguardista, a verdade é que a sua obra não deixa ninguém indiferente, tal como aconteceu connosco recentemente, aquando da nossa visita ao Guggenheim de Bilbao. Por "sorte", uma das exposições temporárias era a Yoko Ono - Half-a-wind show - Retrospectiva (aqui), com mais de 200 obras.

 

Se é verdade que a maioria das obras expostas não mereceu a minha especial atenção, também é certo que quatro delas conseguiram convencer-me pela surrealidade inerente:

 

- uma caixa retangular transparente que nos desafiava a colocar a mão lá dentro, se tivéssemos coragem suficiente, para ver se a mão saía da mesma forma que tinha entrado (é óbvio que não aconteceu nada);

 

- uma esponja que era preciso regar com um conta-gotas, e que a minha querida mulher regou com satisfação;

 

- uma porta giratória cuja saída estava tapada com uma parede de acrílico transparente, o que fez com que um senhor confundisse a obra de arte com uma verdadeira porta giratória e batesse com força na parede, provocando uma gargalhada generalizada;

 

- e, por fim, um dispensador de cápsulas de ar.

 

 

Sim, leram bem. Um dispensador de cápsulas de ar. Curioso, aproximei-me e reparei que se podia comprar uma cápsula de ar por cinquenta cêntimos. Desconfiado com aquela "obra de arte", fui ter com um funcionário do museu e perguntei se era mesmo verdade que estavam à venda cápsulas de ar, ao que ele me respondeu que sim. Por apenas cinquenta cêntimos, era possível comprar o bem mais precioso de todos. O ar.

 

Ri-me daquela ideia e não resisti a colocar uma moeda na máquina.

 

 

E aqui está. Uma cápsula de ar. O bem mais precioso de todos dentro de uma cápsula. Presumo até que seja ar respirado pela própria Yoko Ono, o que faz deste ar um bem ainda mais precioso.

 

E porque é que eu comprei a cápsula? Porque toda a gente sabe que o ar é cada vez mais raro, e porque cinquenta cêntimos por uma cápsula de ar é uma verdadeira pechincha. Afinal, nunca se sabe quando é que poderei precisar de a abrir.

 

Nada disso. Ainda não estou tão mal como a Yoko Ono. Comprei a cápsula porque quis ter uma recordação do ponto até onde pode chegar a loucura de alguém. Quem é que no seu perfeito juízo coloca dentro de um dispensador cápsulas com ar, consegue fazer com que o dispensador seja considerado uma obra de arte merecedora de destaque nos mais prestigiados museus do mundo e ainda ganha dinheiro com os turistas que, como eu, vão caindo na sua loucura? Enfim, acho que a Yoko Ono é mais esperta do que louca.

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