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Belcanto, 2 estrelas Michelin - 4ª visita

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A nossa primeira visita ao Belcanto foi em 2012. O restaurante tinha acabado de abrir as suas portas, mas José Avillez mostrou logo que tinha tudo para fazer daquele restaurante um verdadeiro caso de sucesso. Tal como se verificou com a conquista da primeira estrela Michelin em 2013, altura em que regressámos ao restaurante e onde eu tive uma das melhores refeições da minha vida. Se é verdade que em 2012 o restaurante já me tinha conquistado, certo é que em 2013 eu saí de lá nas nuvens, e ainda hoje guardo na memória as explosões de sabores daquela noite.

 

Por isso é que em 2014, e já com duas estrelas Michelin conquistadas, fiquei tão desiludido com alguns erros inexplicáveis, falta de consistência nos pratos e conjugações de sabores que, para mim, não resultaram bem. Foi a queda de um mito de restaurante perfeito e em 2015 acabámos por não regressar.

 

No entanto, era impossível deixar de regressar a um restaurante onde já tinha sido tão feliz por causa de uma noite menos conseguida, e as recentes obras no restaurante serviram de mote para o nosso regresso. Dias depois de ter reaberto ao público (o restaurante estava encerrado para obras desde 19 de janeiro), regressámos pela quarta vez ao Belcanto, duas estrelas Michelin e 91.º melhor restaurante do mundo. 

 

Espaço

 

E a primeira reação ao entrar foi de surpresa. Estava com curiosidade de ver qual o resultado da remodelação do restaurante e confesso que não estava à espera deste resultado final que, a meu ver, é bastante positivo.

 

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Não faltam fotografias a preto e branco nas paredes, o restaurante está muito mais luminoso e todo o ambiente é bem mais clean e menos formal do que o anterior. Parece que o Belcanto ganhou uma nova alma, deixando um ar pesado e ganhando uma juventude surpreendente. 

 

Serviço

 

Mas as mudanças no espaço não passaram para o serviço. Este continua a ser, a meu ver, o melhor em Portugal e um dos melhores a nível internacional (em comparação com os outros restaurantes Michelin que já conheci).

 

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A começar pelo Luís Reis, Chefe de sala, sempre simpático, educado e atencioso, que não se esquece dos clientes frequentes e faz questão de mostrar isso mesmo, passando por todos os elementos da equipa do restaurante.

 

Bebé no restaurante

 

E prova disso mesmo foi a forma como se comportaram com o meu filho de 9 meses (que já soma 11 estrelas Michelin em tão pouco tempo de vida). Minutos antes do restaurante abrir, reparámos num empregado que transportava uma cadeira de bebé pelas ruas do Chiado. Comentei, a brincar, que devia ser a cadeira para o nosso filho e no fim era mesmo. Quando fiz a reserva disse que levaria o meu filho, mas nunca pedi qualquer cadeira. Mesmo assim, a equipa não se esqueceu e fez questão de ter uma cadeira (vinda não sei de onde) para o caso de a querer.

 

Ao chegar ao restaurante, e depois de termos sido encaminhados para a nossa mesa (especialmente escolhida tendo em conta o bebé, e de forma a que o seu carrinho não atrapalhasse o serviço ou clientes), perguntei se tinham cadeira de bebé e imediatamente trouxeram a tal que minutos antes circulava pelas ruas de Lisboa. 

 

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Como se isso não fosse suficiente, ainda fizeram questão de guardar o carrinho do bebé. Não sei onde o guardaram, mas foi o primeiro restaurante que o fez. E por iniciativa própria.

 

Durante toda a refeição, não houve um único elemento da equipa que não fosse sempre de uma simpatia extrema para o meu filho, brincando com ele e deixando de lado aquela aura de Michelin, havendo inclusivamente elementos da cozinha que vinham periodicamente à sala para o ver. Até o Luís Reis se ofereceu para lavar um dos brinquedos que o meu filho fez questão de atirar ao chão. Esta atenção e cuidado não tem preço, e faz com que qualquer um se sinta verdadeiramente em casa. 

 

Comida

 

Passando à comida, desta vez optámos pelo menu de degustação "Lisboa" (€125 por pessoa), tendo um de nós também pedido o acompanhamento da refeição com 5 vinhos (€55). Não apontei o nome dos vinhos selecionados, nem tirei fotografias aos mesmos, pelo que não poderei entrar em detalhes, mas as escolhas foram curiosas e todos os vinhos eram de grande qualidade, sempre bem conjugados com o que era servido.

 

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O menu de degustação começou com as famosas azeitonas explosivas,

 

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"Cenoura" e "alho" (estaladiços por fora e cremosos por dentro),

 

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E tremoço com lima kefir. Tudo delicioso, especialmente a "cenoura".

 

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A seguir, umas (saborosas) falsas pedras de fígado de bacalhau e ovas de truta,

 

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Um intenso creme de milho que sabia essencialmente a ceviche,

 

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Frango assado (perfeito),

 

 

E para finalizar os snacks, um ramo de flores, com uns "cornettos" de tártaro de salmão incrivelmente bons.

 

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Primeira entrada - Vigia, o fundo do "meu" mar (2013). Sabores intensos, frescos e saborosos, que transportam qualquer um para o mar. Destaque para o incrível "gel" que cobre o prato. Muito bom.

 

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Antes de mais um prato, foi apresentada uma grande variedade de pães (todos muito bons) e três manteigas.

 

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Manteiga tradicional, de farinheira e de cinzas de alecrim. Todas deliciosas, mas a última era especialmente boa.

 

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A horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos (2008). Não foi a primeira vez que comi este prato, mas é sempre bom poder prová-lo novamente.

 

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Mergulho no mar, robalo com algas e bivalves (2007). Este é um dos pratos que "teima" em não sair da ementa, e faz todo o sentido que isso aconteça. Os sabores que nos invadem a boca dão mesmo a sensação de estarmos a mergulhar no mar e o robalo... Que sabor magnífico. Prato perfeito.

 

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Como nem tudo pode ser perfeito, seguiu-se o Cozido à Portuguesa (2014), que já pudemos comentar neste blog anteriormente. No geral o prato é bom, os sabores do caldo são excelentes, e o creme no fundo faz toda a diferença. Mas, na nossa opinião, continua a ser um prato sem encanto, sem grande interesse e continuamos a não perceber o porquê daquele "naco de gordura". Se em vez disso fosse servido uma rodela de um bom enchido português, talvez o resultado fosse diferente.

 

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Para terminar os pratos salgados - Leitão revisitado, batata frita, laranja e salada (2012). Prato muitíssimo bom,

 

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Com o pormenor interessante das batatas fritas serem servidas em sacos comestíveis,

 

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E de ser deixado na mesa o tacho com o molho para pincelarmos a pele crocante do leitão.

 

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Igualmente interessante é a escolha de faca para o prato. Tudo maravilhoso, mas a bem da verdade, não fica nada atrás do leitão servido no Alma.

 

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Pudim Abade de Priscos com torresmos, sorvete de framboesa e wasabi (2014) - era capaz de comer mais duas taças, se fosse possível. Excelente combinação de texturas e sabores.

 

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Tangerina (2010) - uma perdição e sempre uma surpresa, mesmo quando já não é a primeira vez que a comemos.

 

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Para terminar em beleza, um conjunto de mignardises para acompanhar o café.

 

Conclusão

 

O restaurante beneficiou imenso da remodelação a que foi sujeito e apesar de estar à espera de uma grande mudança na ementa, o que ainda não aconteceu, o menu é de enorme qualidade e todos os pratos servidos ou estavam perfeitos, ou estavam muito perto da perfeição. Vamos a notas?

 

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Pontuação de 0 a 10

Cozinha (50%) - 9,9

Serviço (25%) - 10

Ambiente (25%) - 9,7

Pontuação final - 9,88

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