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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Muda de vida se não viveres satisfeito

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Muda de vida se não viveres satisfeito. É muito comum ouvir/ler esta frase. E faz todo o sentido. A vida, ao que tudo indica, é só uma, e é curta. Mesmo que se viva 100 ou mais anos. Por isso, se não estamos satisfeitos, devemos mudar de vida. Mudar de parceiro. Mudar de trabalho. Mudar de cidade. Mudar de país. Mudar qualquer coisa. Mas quantos é que realmente mudam? Mais concretamente, quantos é que mudam só porque não estão satisfeitos e não porque necessitam?

 

A minha mulher termina esta semana mais de uma década no seu local de trabalho. Onde tinha, e teria sempre, trabalho garantido e um ordenado (independentemente de ser tremendamente injusto para as horas de trabalho e responsabilidade inerente) acima da média. E termina esta semana por decisão própria. Porque não estava satisfeita. Porque queria mais e melhor.

 

A minha mulher teve a coragem de mudar. De mudar não porque precisava, mas porque não estava satisfeita. E começará agora uma nova fase onde nada é garantido. Trocou a segurança pela "insegurança", mas uma vida insatisfeita por uma vida em princípio mais satisfeita e melhor.

 

A minha mulher tem muito mais coragem do que alguma vez teria, e deixa-me cada vez mais orgulhoso por ela e pela sua decisão. Apoiei-a desde que começou a pensar em mudar e apoiarei sempre. Dando certo ou errado.

 

Tenho a certeza que a mudança será para muito melhor, mas não podia deixar de enaltecer aqui a sua coragem e determinação, a sua força incrível, e desejar a maior da sorte no novo trabalho que começará para a semana.

 

Só entre nós, és uma inspiração. Adoro-te!

Quadro da semana #5 (Anna Ancher)

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Autor - Anna Ancher

Título - Ceifeiros

Ano - 1905

Coleção - Skagens Museum

Está tudo louco na estrela Michelin Alentejana

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As minhas experiências no L'And, o único restaurante com um estrela Michelin no Alentejo, nunca foram extraordinárias (último post aqui). 

 

Mas a reconquista da estrela dava curiosidade em ir ver como estava entretanto o serviço e a criatividade na cozinha. 

 

Telefonei para lá e fiquei a saber:

  • que o restaurante não está aberto para o público todos os dias;
  • e que mesmo nos dias em que supostamente está aberto, depende da ocupação do hotel onde está inserido o L'And.

 

Em concreto, foi-me dito que no dia que queria ir o restaurante supostamente estaria aberto, mas como o hotel estava com quase todos os quartos reservados, não podiam aceitar reservas para o restaurante por parte de não hóspedes. Tinham de ter mesas disponíveis para os hóspedes.

 

Mais fiquei a saber que para aquele dia ainda não havia reservas de hóspedes para o restaurante, mas podia vir a haver, por isso não dava para mim. 

 

Ou seja, no L'And preferem passar um dia inteiro com a sala praticamente vazia, para poderem ter mesas para hóspedes que não sabem se querem ou não comer lá, em vez de garantirem logo casa cheia com quem quiser reservar. 

 

Não sei se os responsáveis pelo L'And estão loucos, ou se eu que estou errado, mas sei que por mim não contam comigo para lá voltar. Principalmente depois de ouvir:

"Faça assim. Vá telefonando para saber como está a ocupação do hotel e assim pode ser que consiga um dia para cá vir comer."

 

Começo a recear que isto se alastre aos outros restaurantes de hotéis (se é que já não acontece algo semelhante noutros locais). É que bloquear mesas para hóspedes, até faz sentido. Mas bloquear uma sala inteira já é demais. 

Um país onde ninguém pode morrer

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Era uma vez uma senhora de 100 anos que fez uma fratura grave e teve de ser levada para o hospital.

 

A senhora de 100 anos foi operada e apanhou uma pneumonia durante o seu internamento. Algo normal quando se mistura num mesmo copo alguém idoso e debilitado num ambiente hospitalar.

 

Ao saber da pneumonia da senhora com 100 anos, uma familiar foi ao hospital e ameaçou tudo e todos com processos judiciais. Porquê? Porque a senhora de 100 anos tinha entrado no hospital bem (!!!) e agora tinha uma pneumonia. E se ela morresse, seriam todos processados. Todos. 

 

Ou seja, a senhora de 100 anos, que tinha sido levada para o hospital na sequência de uma fratura muito grave (mas tinha entrado bem no entender da familiar) não podia morrer. Sob pena de todos aqueles que fazem (bem) o seu trabalho serem processados.

 

Faz sentido, não faz? É o país que temos. Onde ninguém pode morrer, mas onde também muitos dos familiares de idosos que vão para o hospital ficam tristes quando esses têm alta e fazem tudo o que estiver ao seu alcance para adiar a alta.

 

Porque os idosos não podem morrer, mas depois de irem para o hospital também não podem regressar a casa.

 

Era uma vez uma sociedade podre num país chamado de Portugal.

Quadro da semana #4 (Paula Rego)

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Autor - Paula Rego

Título - Tríptico

Ano - 1998

 

Portugal não presta. Mas posso ser Português??

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No âmbito da minha profissão, lido com diversos estrangeiros que pretendem vir viver para Portugal (ou pelo menos adquirir a nacionalidade portuguesa). "Fogem" de países politicamente instáveis, de economias que poderiam ser muito mais fortes e de uma sensação de insegurança. Chegam à procura do Paraíso, confiantes numa economia (aparentemente) mais estável e com perspetivas positivas, e num país bem mais seguro. São atraídos pelas diversas ações de marketing que o Turismo de Portugal desenvolve no estrangeiro, pelo clima e pelas pessoas.

 

Tudo faz sentido, é legítimo, e cá estaremos para recebê-los de braços abertos, tal como desejamos que façam os habitantes dos países para onde os nossos portugueses emigram.

 

No entanto, há algo que não consigo compreender ou aceitar - as críticas ao país que os vai acolher. Sem querer generalizar, mas partindo da minha experiência, já não é o primeiro brasileiro que, ao falar comigo, critica Portugal e sua burocracia, dizendo até que somos nós, Portugueses, os responsáveis pelo mal que funciona a burocracia e política no Brasil. Porque, no fundo, fomos nós que levámos tudo para lá.

 

Já foram vários os brasileiros que me disseram: "Agora entendo porque é que o Brasil não funciona. Aprenderam com vocês."

 

Profissionalmente estou impedido de o fazer, mas a resposta que mereciam era:

- aprenderam connosco, mas foram incapazes de alterar o mal e melhorar o que têm;

- e se somos tão maus, se Portugal funciona assim tão mal, então porque é que querem vir para cá?

 

Mas isto não é uma questão exclusiva do Brasil. Já ouvi outros estrangeiros, interessados em vir para Portugal, criticando severamente o país que os vai acolher, defendendo como o país de origem é melhor.

 

Ora então porque é que escolhem Portugal???

 

Eu fico satisfeito que venham para cá, e tenho um enorme prazer em mostrar tudo o que a minha cidade e o meu país tem de tão bom. Mas não me venham dizer que isto não presta e que onde vivem é muito melhor. Para isso fiquem lá, pois assim é como alguém a morrer à fome e criticar o tipo de comida que lhe oferecem.

 

Sempre ouvi dizer que quem está bem não se muda. Ou que só se muda para melhor. 

Chef arrasa com crítica negativa apenas com uma linha

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Texto original

Por Peter Basildon, a 26 de junho de 2017 no Fine Dining Lovers

 

Sempre que vemos uma resposta do dono de um restaurante a uma crítica negativa temos de fazer o respetivo destaque.

 

As nossas favoritas são normalmente aquelas em que o Chef decide arrasar uma crítica online, principalmente quando o faz com humor.

 

De vez em quando, basta apenas uma resposta curta, direta e honesta, e uma crítica negativa pode ser desfeita de forma muito eficiente.

 

Como aconteceu com a crítica ao restaurante Halal Guys feita por um crítico online que disse que não estava satisfeito com o cordeiro que tinha comido. Qual é o problema? O restaurante não vende cordeiro - nada!

 

"Quando eu quero cordeiro, espero qualidade que esteja de acordo com o preço. Halal Guys não consegue isso.

Para o produto que servem, eles são muito caros. O espaço é interessante, mas simples em comparação com outros estabelecimentos na zona.

E no fim... eles são outro restaurante de fast food... se conseguirem imaginar um sítio pior do que o McDonalds.

 

Não liguem às críticas com 4 ou 5 estrelas. Classifiquem tudo de acordo com o verdadeiro sabor.

 

Se preferir uma excelente variedade de cordeiro de qualidade, visitem Acropolis Cuisine em Metairie.

Se procura por uma refeição rápida em NOLA experimente o Cleo's Mediterranean Cuisine."

 

Resposta do dono do restaurante:

"Olá Patrick, pedimos desculpa pela sua experiência menos satisfatória. Informamos apenas que não há nenhum prato no nosso menu que inclua cordeiro. Os nossas opções para pratos ou sandes são galinha, vaca ou ambas. Obrigado pelo feedback."

 

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Não havia necessidade, UNICEF...

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Há uns dias uma senhora pedia donativos para a UNICEF junto ao Corte Inglês. A minha mulher ia a passar e respondeu educadamente:

"Peço desculpa, mas agora não."

 

Nada do outro mundo, algo perfeitamente banal e repetido por muitos dos que são abordados por pessoas que estão a pedir dinheiro seja para o que for. 

 

Resposta da senhora:

"Podia pelo menos dar um sorrisinho!"

 

A sério? Ai afinal era um sorrisinho que a UNICEF precisava? Era com um sorrisinho que se conseguia ajudar todos aqueles que mais precisam e que a UNICEF tanto ajuda?

 

Eu percebo, e já escrevi aqui, que deve ser ingrato andar pelas ruas a pedir dinheiro para causas em que acreditamos e pelas quais batalhamos, e receber "nãos" constantemente. Mas a vida é assim e ninguém é obrigado a ajudar. Ninguém tem de dar um cêntimo.

 

E uma pessoa pode não dar a quem pede na rua pela UNICEF, mas contribuir frequentemente através dos outros métodos que a UNICEF disponibiliza. Como acontece connosco.

 

Já ajudámos (e muito) a UNICEF a desempenhar o seu papel essencial neste mundo. Mas ajudamos como queremos e quando queremos.

 

E se não queremos dar a quem pede na rua para a UNICEF, e respondemos com educação, não temos de levar bocas por trás.

 

Se alguém responsável pela UNICEF Portugal estiver a ler isto, veja se aprimora esta questão nas próximas reuniões com os colaboradores, porque é a vossa imagem que fica mal no fim. E muitos, com estas bocas, são bem capazes de nunca mais ajudar. É triste, mas é assim. 

Quadro da semana #3 (Max Hermann Maxy)

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Autor - Max Hermann Maxy

Título - Retrato de um amigo

Ano - 1926

Coleção - Museu Nacional Brukenthal

 

Boicote a este "jornalismo" de m*rda

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Na última década e meia temos assistido a uma degradação acentuada do "jornalismo" feito em Portugal, mas nas últimas semanas tem-se batido recordes.

 

Escrevo "jornalismo" assim mesmo, entre aspas, porque na realidade esta m*erda que é feita só pode ser identificada com tal palavra por uma questão de facilitismo, porque se há coisa que isto não é é jornalismo. Tenho respeito suficiente pelos verdadeiros jornalistas e direções dos meios de comunicação para não colocar no mesmo saco estes abutres nojentos que nada mais querem do que escarafunchar a carne podre e inventar notícias.

 

Da mesma forma, tenho igual nojo por aqueles que "obrigam" jornalistas a tornarem-se nestes abutres, sob pena de ficarem sem emprego, e sinto asco por aqueles que financiam estes ditos órgãos de comunicação.

 

Alguns exemplos recentes para ilustrar esta comunidade de abutres:
- há uns dias passei por uma televisão que transmitia a CMTV e estavam a dar em direto as técnicas de reanimação a um pai que tinha acabado de salvar a filha do mar. O pai estava praticamente morto, as equipas de profissionais da saúde tentavam salvar a vida do homem, e tudo isto era transmitido ao vivo, relatado e ilustrado por frases chamativas e chocantes. Nem havia respeito pelo homem, que lutava pela vida, nem pelos seus familiares ou conhecidos;


- na TVI, a Judite de Sousa decidiu fazer uma reportagem ao lado de uma vítima de Pedrógão Grande, "gabando-se" disso mesmo. Mais uma vez, respeito zero;


- ainda a propósito de Pedrógão Grande, foram muitos os meios de comunicação que fizeram questão de mostrar em formato "non stop" os corpos no chão, de comentar as portas abertas dos carros e ilustrar o que devia ter acontecido, houve também quem fotografasse e mostrasse os animais mortos e queimados...;


- o Observador decidiu relatar histórias macabras, horrorosas e gráficas sobre as vítimas de Pedrógão Grande, com um pequeno aviso vermelho para o conteúdo possivelmente violento;


- ainda o Observador noticiou a generosa doação de Villas Boas para ajudar quem sofreu com os incêndios, mas fez em jeito de crítica, dizendo que corresponde a uma pequena parte do que recebe e podia dar muito mais.

 

Não tenho qualquer dúvida de que se tivessem acesso a imagens, haveria meios de comunicação que mostrariam os corpos incinerados sem qualquer censura. Porque o nível desta gente é desse calibre. O único intuito é arranjar o material mais chocante, mais agressivo, mais violento, para com isso conseguirem mais audiências e, consequentemente, mais dinheiro.

 

E porquê? Porque infelizmente estes "jornalistas" não são os únicos abutres. É triste, mas são muitos (mesmo muitos) aqueles que querem ver estas informações. Que querem saber ao pormenor que desgraça aconteceu. Quantas facadas o outro levou, e onde levou, se as pessoas sufocaram primeiro ou sentiram as chamas a queimar o corpo, se as pessoas tentaram fugir ou ficaram dentro dos carros, se havia crianças (é sempre melhor quando há crianças)...

 

É um "jornalismo" de m*rda, uns meios de comunicação de m*rda, e isto tudo só continua porque temos milhões que gostam desta m*rda. É esta a realidade com que não me posso contentar.

 

Passámos a viver numa sociedade onde já é banal ver mortos no chão ou pessoas assassinadas ao vivo. A desgraça está tão vulgarizada que é preciso ir cada vez mais fundo. Conseguir coisas ainda mais podres.

 

A continuar assim, não sei onde vamos chegar. Mas não vai ser bonito...