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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

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Como nós blogamos - SAPO Blogs

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Fomos convidados pelo SAPO Blogs para participar no espaço "Como eu blogo" e foi com muito prazer que aceitámos o desafio. Podem ver o resultado aqui.

 

Obrigado Sapo e obrigado Pedro por todo o excelente trabalho.

País de ladrões e vigaristas

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Hoje, no corredor de um hospital em Lisboa, ouvi que uma senhora, bastante idosa, acompanhada pela sua filha (com cerca de 60 anos e deficiente mental) tinha sido assaltada ao sair do táxi que a levou ao hospital. E por quem é que foi assaltada? Pelo próprio taxista.

 

A história resume-se em poucas palavras - a mãe teve de acompanhar a filha a uma consulta no hospital, foi antes ao multibanco levantar dinheiro e chamou um táxi. Quando chegaram ao hospital, saíram as duas do táxi e a mãe foi ao pé da janela do taxista para lhe dar o dinheiro. Enquanto tirava o dinheiro, o taxista puxou a carteira pela janela, fez marcha atrás e fugiu.

 

Nem a mãe nem a filha tiveram a capacidade de reagir, nem tão pouco conseguiram ver a matrícula ou avisar um dos seguranças presentes no hospital. Limitaram-se a entrar no hospital e a relatar o sucedido a uma auxiliar.

 

Ouvir aquela senhora a lamentar-se do que tinha acontecido, acompanhada pela sua filha que nem conseguia perceber o que tinha acontecido e só chorava porque tinha medo da consulta, deixou-me destroçado.

 

É nestas alturas que perco mais um pouco da fé que tenho neste mundo e concluo que estamos rodeados de ladrões e vigaristas, em todos os estratos sociais e profissões.

Belcanto, 2 estrelas Michelin - 4ª visita

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A nossa primeira visita ao Belcanto foi em 2012. O restaurante tinha acabado de abrir as suas portas, mas José Avillez mostrou logo que tinha tudo para fazer daquele restaurante um verdadeiro caso de sucesso. Tal como se verificou com a conquista da primeira estrela Michelin em 2013, altura em que regressámos ao restaurante e onde eu tive uma das melhores refeições da minha vida. Se é verdade que em 2012 o restaurante já me tinha conquistado, certo é que em 2013 eu saí de lá nas nuvens, e ainda hoje guardo na memória as explosões de sabores daquela noite.

 

Por isso é que em 2014, e já com duas estrelas Michelin conquistadas, fiquei tão desiludido com alguns erros inexplicáveis, falta de consistência nos pratos e conjugações de sabores que, para mim, não resultaram bem. Foi a queda de um mito de restaurante perfeito e em 2015 acabámos por não regressar.

 

No entanto, era impossível deixar de regressar a um restaurante onde já tinha sido tão feliz por causa de uma noite menos conseguida, e as recentes obras no restaurante serviram de mote para o nosso regresso. Dias depois de ter reaberto ao público (o restaurante estava encerrado para obras desde 19 de janeiro), regressámos pela quarta vez ao Belcanto, duas estrelas Michelin e 91.º melhor restaurante do mundo. 

 

Espaço

 

E a primeira reação ao entrar foi de surpresa. Estava com curiosidade de ver qual o resultado da remodelação do restaurante e confesso que não estava à espera deste resultado final que, a meu ver, é bastante positivo.

 

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Não faltam fotografias a preto e branco nas paredes, o restaurante está muito mais luminoso e todo o ambiente é bem mais clean e menos formal do que o anterior. Parece que o Belcanto ganhou uma nova alma, deixando um ar pesado e ganhando uma juventude surpreendente. 

 

Serviço

 

Mas as mudanças no espaço não passaram para o serviço. Este continua a ser, a meu ver, o melhor em Portugal e um dos melhores a nível internacional (em comparação com os outros restaurantes Michelin que já conheci).

 

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A começar pelo Luís Reis, Chefe de sala, sempre simpático, educado e atencioso, que não se esquece dos clientes frequentes e faz questão de mostrar isso mesmo, passando por todos os elementos da equipa do restaurante.

 

Bebé no restaurante

 

E prova disso mesmo foi a forma como se comportaram com o meu filho de 9 meses (que já soma 11 estrelas Michelin em tão pouco tempo de vida). Minutos antes do restaurante abrir, reparámos num empregado que transportava uma cadeira de bebé pelas ruas do Chiado. Comentei, a brincar, que devia ser a cadeira para o nosso filho e no fim era mesmo. Quando fiz a reserva disse que levaria o meu filho, mas nunca pedi qualquer cadeira. Mesmo assim, a equipa não se esqueceu e fez questão de ter uma cadeira (vinda não sei de onde) para o caso de a querer.

 

Ao chegar ao restaurante, e depois de termos sido encaminhados para a nossa mesa (especialmente escolhida tendo em conta o bebé, e de forma a que o seu carrinho não atrapalhasse o serviço ou clientes), perguntei se tinham cadeira de bebé e imediatamente trouxeram a tal que minutos antes circulava pelas ruas de Lisboa. 

 

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Como se isso não fosse suficiente, ainda fizeram questão de guardar o carrinho do bebé. Não sei onde o guardaram, mas foi o primeiro restaurante que o fez. E por iniciativa própria.

 

Durante toda a refeição, não houve um único elemento da equipa que não fosse sempre de uma simpatia extrema para o meu filho, brincando com ele e deixando de lado aquela aura de Michelin, havendo inclusivamente elementos da cozinha que vinham periodicamente à sala para o ver. Até o Luís Reis se ofereceu para lavar um dos brinquedos que o meu filho fez questão de atirar ao chão. Esta atenção e cuidado não tem preço, e faz com que qualquer um se sinta verdadeiramente em casa. 

 

Comida

 

Passando à comida, desta vez optámos pelo menu de degustação "Lisboa" (€125 por pessoa), tendo um de nós também pedido o acompanhamento da refeição com 5 vinhos (€55). Não apontei o nome dos vinhos selecionados, nem tirei fotografias aos mesmos, pelo que não poderei entrar em detalhes, mas as escolhas foram curiosas e todos os vinhos eram de grande qualidade, sempre bem conjugados com o que era servido.

 

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O menu de degustação começou com as famosas azeitonas explosivas,

 

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"Cenoura" e "alho" (estaladiços por fora e cremosos por dentro),

 

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E tremoço com lima kefir. Tudo delicioso, especialmente a "cenoura".

 

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A seguir, umas (saborosas) falsas pedras de fígado de bacalhau e ovas de truta,

 

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Um intenso creme de milho que sabia essencialmente a ceviche,

 

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Frango assado (perfeito),

 

 

E para finalizar os snacks, um ramo de flores, com uns "cornettos" de tártaro de salmão incrivelmente bons.

 

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Primeira entrada - Vigia, o fundo do "meu" mar (2013). Sabores intensos, frescos e saborosos, que transportam qualquer um para o mar. Destaque para o incrível "gel" que cobre o prato. Muito bom.

 

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Antes de mais um prato, foi apresentada uma grande variedade de pães (todos muito bons) e três manteigas.

 

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Manteiga tradicional, de farinheira e de cinzas de alecrim. Todas deliciosas, mas a última era especialmente boa.

 

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A horta da galinha dos ovos de ouro, ovo, pão crocante e cogumelos (2008). Não foi a primeira vez que comi este prato, mas é sempre bom poder prová-lo novamente.

 

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Mergulho no mar, robalo com algas e bivalves (2007). Este é um dos pratos que "teima" em não sair da ementa, e faz todo o sentido que isso aconteça. Os sabores que nos invadem a boca dão mesmo a sensação de estarmos a mergulhar no mar e o robalo... Que sabor magnífico. Prato perfeito.

 

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Como nem tudo pode ser perfeito, seguiu-se o Cozido à Portuguesa (2014), que já pudemos comentar neste blog anteriormente. No geral o prato é bom, os sabores do caldo são excelentes, e o creme no fundo faz toda a diferença. Mas, na nossa opinião, continua a ser um prato sem encanto, sem grande interesse e continuamos a não perceber o porquê daquele "naco de gordura". Se em vez disso fosse servido uma rodela de um bom enchido português, talvez o resultado fosse diferente.

 

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Para terminar os pratos salgados - Leitão revisitado, batata frita, laranja e salada (2012). Prato muitíssimo bom,

 

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Com o pormenor interessante das batatas fritas serem servidas em sacos comestíveis,

 

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E de ser deixado na mesa o tacho com o molho para pincelarmos a pele crocante do leitão.

 

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Igualmente interessante é a escolha de faca para o prato. Tudo maravilhoso, mas a bem da verdade, não fica nada atrás do leitão servido no Alma.

 

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Pudim Abade de Priscos com torresmos, sorvete de framboesa e wasabi (2014) - era capaz de comer mais duas taças, se fosse possível. Excelente combinação de texturas e sabores.

 

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Tangerina (2010) - uma perdição e sempre uma surpresa, mesmo quando já não é a primeira vez que a comemos.

 

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Para terminar em beleza, um conjunto de mignardises para acompanhar o café.

 

Conclusão

 

O restaurante beneficiou imenso da remodelação a que foi sujeito e apesar de estar à espera de uma grande mudança na ementa, o que ainda não aconteceu, o menu é de enorme qualidade e todos os pratos servidos ou estavam perfeitos, ou estavam muito perto da perfeição. Vamos a notas?

 

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Pontuação de 0 a 10

Cozinha (50%) - 9,9

Serviço (25%) - 10

Ambiente (25%) - 9,7

Pontuação final - 9,88

Atentados terroristas em Bruxelas (ou a vitória da incompetente política europeia)

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Estamos cansados de ver morrer inocentes, cidadãos comuns como nós, que no decurso da normalidade pacífica das suas vidas, acabam por morrer sem saber como nem porquê, à mercê de um abjeto terrorista, que, em nome sabe-se lá de que Deus ou de que ideal, mata sem apelo nem agravo aqueles que com ele tiveram o azar de se cruzar num qualquer dia do ano, a qualquer hora, em qualquer lugar.

 

Há já quinze anos que enfrentamos esta triste realidade e o medo é cada vez maior. Talvez porque cada vez mais frequentes são os atentados. E muito próximos de nós. Vivemos a terceira guerra mundial, ainda que ninguém o queira admitir. Para quem viaja como nós, por todo o mundo, há muitos anos, tudo isto parece ainda mais passível de nos atingir, a qualquer momento, em qualquer aeroporto, comboio ou estação de metro. O medo é agora ainda maior porque viajamos com um bebé de meses, a quem demos a vida e a quem nunca, nunca, poderemos pensar perder.

 

Estou revoltada. Hoje talvez mais do que nunca. Digo basta. Não podemos continuar a aceitar isto passivamente. Não aqui na Europa, na nossa casa.

 

Não consigo mais ouvir o discurso dos políticos europeus, que repetem, sucessivamente, atentado após atentado, as mesmas frases feitas, as mesmas lamúrias, "as condolências às famílias das vítimas", "o não nos acobardamos perante o terrorismo", "não deixaremos vencer o medo".

 

E então? O que têm feito para combater isto a sério? Não têm medo? Pois claro que não. Algum político a sério viaja sem acautelar a sua segurança? Algum deles entra no metro em Bruxelas para ocupar o seu lugar nas reuniões europeias?

 

Esta política da conversa fiada, das poucas ações, já está desacreditada. Já não serve. É preciso passar aos atos. Se conhecem os terroristas, se sabem quem são, então mudem as leis. Prendam-nos antes de os deixarem atentar contra as nossas vidas.

 

Tenho a liberdade como o bem supremo deste mundo ocidental em que vivemos. Não quero subjugar-me ao medo. Mas acho que o fim desta terceira guerra mundial passa por uma mudança a sério nas políticas europeias, nas quais já não acredito.

Restaurante Bodega 1900, Barcelona

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O restaurante Bodega 1900 faz parte do elBarri de Adrià e foi uma excelente surpresa na nossa última visita a Barcelona.

 

 

São 110 metros quadrados, divididas em duas pequenas salas e uma cozinha aberta para uma das salas, num edifício construído no mesmo ano que dá nome ao restaurante, onde são servidas receitas antigas e típicas, mas revistas por Albert Adrià sob a perspetiva atual.

 

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O resultado é fantástico:

 

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Palitos de parmesão

 

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Azeitonas S. Gordal c/ piparra €1,90 cada - explosivas e saborosas.

 

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Filete de anchova €2,20 cada. simples e muito boas.

 

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Frito de peixe do dia €6,80 - neste dia eram muxonets - um verdadeiro petisco.

 

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Pão com tomate €3,20 - talvez o ponto mais fraco da refeição, com o pão muito frio e o tomate muito líquido.

 

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Sortido de fumados de peixe €19,10 – cavala, enguia, atum vermelho com amêndoa, sardinha - o jogo de sabores, do mais suave ao mais intenso, foi muito interessante. Estava tudo delicioso, mas o atum com amêndoa e a sardinha estavam Top!

 

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Polvo na brasa €13,80 - de comer e chorar por mais.

 

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Revuelto de setas €8,60 - a ferver e muito bom.

 

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Croquetes de presunto €2,50 cada - deliciosos e cremosos.

 

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Calamares picantes €4,95 cada - acima de tudo, apresentação muito original.

 

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Para terminar em beleza:

 

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Tarte de queijo €5,80

  

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Pijama Bodega €6,90

 

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Para além da comida deliciosa, importa acrescentar que o serviço foi rápido, eficaz e sempre simpático e atencioso.

É do BANIF? Então esqueça!

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Uma das minhas contas bancárias estava sediada no BANIF, tendo entretanto passado para o SANTANDER. Desde que se deu a “mudança” de bancos, ainda não tinha ido a nenhuma agência SANTANDER, no entanto, e para resolver uma questão com a conta, lá fui a um balcão do SANTANDER, uma vez que o BANIF já não existe.

 

Depois de expor a situação ao funcionário do balcão, ele olha para o meu cartão do Multibanco (que ainda diz BANIF) e pergunta:

“Mas é cliente BANIF?”

“Sim, mas agora é tudo SANTANDER.”

“Pois, mas não o posso ajudar porque é BANIF.”

“Mas já não há BANIF!”, exclamei. “Agora é tudo SANTANDER.”

“Sim, mas este balcão é SANTANDER SANTANDER. Tem de ir a um SANTANDER BANIF.”

Perante o meu ar de espanto, continuou:

“Como é BANIF, não o posso ajudar. Tem de ir à rua xxx, ao balcão SANTANDER que há lá. Sabe onde fica?”

“Sim, sei.”

“Muito bem. Por fora a agência é vermelha. Mas se olhar lá para dentro, a agência é roxa. Se quiser tratar de assuntos com a sua conta, tem de procurar sempre agências vermelhas por fora e roxas por dentro.”

Ainda bem que não sou daltónico, pensei.

 

E agora pergunto: A sério? A sério que isto é assim? O SANTANDER anda a discriminar os seus clientes?

Ah e tal, compramos o BANIF, mas não queremos os seus clientes. Se eles quiserem alguma coisa, têm de ir a agências especiais, para não haver misturas com os clientes SANTANDER.

 

Espero sinceramente que o SANTANDER reveja esta situação, pois isto não só não faz sentido, como é uma vergonha. E para quem tem curiosidade, lá fui à agência especial onde não se recusaram a ajudar-me. Volta BANIF, estás perdoado!!

Ronaldo em público? Eis o que acontece.

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Eis o que acontece quando Cristiano Ronaldo decide tomar um chá em público.

 

The George - O pub inglês em Lisboa

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Mea culpa...

 

O The George, em Lisboa, faz-se anunciar como sendo "o primeiro pub verdadeiramente britânico de Lisboa". E eu pensei que não devia ser mesmo um pub, mas sim um restaurante normal com um "estilo pub". 

 

Mea culpa...

 

Principalmente, porque o The George afirma no seu site que é "um gastro pub, intimista, acolhedor e romântico, e está localizado na zona histórica da cidade de Lisboa, o Chiado, num edifício que dispõe de um vasto conjunto de arcaria pombalina, características estas únicas num pub". E eu acreditei.

 

Mea culpa...

  

Resultado? Convencido que ia a um restaurante de comida inglesa, com um estilo de pub, e com uma aura "intimista, acolhedora e romântica", decidi ir lá almoçar, juntamente com a minha mulher, o meu filho de 8 meses e os meus pais.

 

Mea culpa...

 

Afinal o The George é mesmo um pub. Sim, um pub a sério. E nada contra um pub. A ideia de haver um pub assim em Portugal até é gira, e o espaço é engraçado, mas não era o que estava à espera. O pub estava repleto de ingleses (e quando escrevo repleto, estou a referir-me a dezenas de ingleses de pé, sentados, encostados, a ocupar todos os metros quadrados disponíveis do restaurante, peço desculpa, do pub), todos bebiam cerveja como se não houvesse amanhã e televisões espalhadas por todos os cantos emitiam em direto um jogo da Premier League, aos altos berros. Mais uma vez, nada contra, mas não era o que queria ou esperava.

 

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 Foto segundos antes da enchente

Intimista? Acolhedor? Romântico? Talvez o facto de estar a dar um jogo de futebol não tenha ajudado, mas tantas televisões devem significar que estão sempre a transmitir jogos. Ou seja, que o ambiente deve ser sempre o mesmo, contrariando todos os adjetivos usados no site.

 

Como é óbvio, não demorei muito a perceber que aquele não era o espaço mais indicado para o que tinha pensado, muito menos para levar um bebé de 8 meses. Mas uma vez que já lá estávamos, decidimos ficar.

 

Mea culpa...

 

Em primeiro lugar, nota para o serviço: desleixado, lento e bastante medíocre. É evidente que ter a casa cheia de ingleses não ajuda, mas já deviam estar preparados para enchentes e contratar mais empregados. Ter de pedir quatro vezes uma cadeira para o meu filho não faz qualquer sentido.

 

Por outro lado, também não terem pratos às 12:30 é um pouco estranho, não é? Explicação: "na noite anterior servimos 50 doses e o Chef ainda não teve tempo de fazer mais"... A sério??

 

E pior do que tudo isto, o tabaco... O The George, aparentemente, tem uma zona para não fumadores e outra para fumadores. Mas a zona de fumadores é a faixa de mesas encostada à parede. O que quer dizer que na mesma sala, de pequenas dimensões, uma fila de mesas é para fumadores, e as outras não. Ou seja, toda a sala é para fumadores, porque não há nenhum extrator de fumo que consiga evitar que não se sinta o fumo em todo o restaurante.

 

É uma vergonha haver espaços assim (e é uma vergonha haver legislação que permita isto) e é uma vergonha ver empregados e insistir que as áreas estão devidamente divididas.

 

Mas passemos à comida.

 

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Ovos escoceses (€4,95) - ovo cozido e envolto em carne de porco picada e pão ralado, servido com molho tártaro. Para mim o melhor prato da refeição, mas se os ovos fossem servidos mal cozidos, estaríamos perante um prato perfeito.

 

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Pimentos Padrón (€3,95) - tipicamente ingleses (not!), deviam ter sido salteados com azeite e flor de sal, como anunciam, mas o sal nunca chegou a sair do saleiro.

 

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Aros de cebola (€4,15) - boa tempura de cerveja.

 

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Steak and ale pie (€10,45) - tarte de carne estufada com cerveja artesanal, cenoura, aipo, cebola, batatas fritas e salada - massa muito boa e carne agradável, com o aipo a ser o sabor predominante. 

 

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Fish and Chips (€12,45) - lombo de bacalhau fresco em tempura leve de cerveja artesanal com ervilhas, batatas fritas e molho tártaro - podia ser delicioso e memorável, mas para isso era fundamental que o bacalhau estivesse temperado. E não estava. Nem uma pitada de sal levou.

 

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Barriga de porco (€17,95) - barriga de porco cozinhada a baixa temperatura, puré de couve roxa, chutney de maçã, chips de batata doce e chalotas caramelizadas. A barriga até estava boa, mas só tinha a ganhar se a pele fosse estaladiça, e não completamente mole, como foi servida, acabando por ficar no prato. O mesmo se aplica às batatas. Deveriam ser crocantes, mas eram moles.

 

Em jeito de conclusão, não comi mal, mas não foi uma refeição memorável, por diversas razões lamentáveis.

Restaurante O Barbas, Costa de Caparica

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Não é preciso ser do Benfica para ir comer a um dos restaurantes do Barbas e não há qualquer problema em ir ao Barbas sendo do Sporting ou outro clube qualquer. A não ser que seja daqueles que tem alergia a qualquer elemento clubístico de outra equipa de futebol, claro. Porque nos seus restaurantes não faltam referências ao Benfica.

 

Mas pondo de lado clubes de futebol, e analisando apenas os restaurantes como espaços onde se pode ter uma refeição, os restaurantes do Barbas são uma boa opção para aqueles dias de sol magníficos ao almoço, em que não há nada melhor do que estar sentado à mesa, com o mar em frente, o som das ondas como música ambiente e boa comida na mesa.

 

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O serviço está longe de ser perfeito, a ideia de ter fotógrafos no restaurante a tentar vender fotografias não faz qualquer sentido e é desagradável para quem não quer nada daquilo, mas a comida é boa. Simples, mas boa. E as vistas são incríveis.

 

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É sempre uma escolha acertada, para entrada, as amêijoas à Bulhão Pato,

 

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E a seguir, nunca desilude a açorda de gambas,

 

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Ou a cataplana de cherne e gambas.

 

Boas quantidades, bons sabores, e um preço justo para a qualidade servida e vistas proporcionadas.

Ouve-se cada coisa na rádio...

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Há uns dias, ao mudar de estação de rádio, dei com uma rádio onde ouvi mais ou menos o seguinte:

"Então e a quem é que quer dedicar esta música?", pergunta o locutor.

"A toda a gente.", responde uma rapariga.

"Muito bem. E a mais alguém?"

"E a mais alguém?" ?! Uma vez que a música foi dedicada "a toda a gente", a quem é que se poderia dedicar mais? Aos peixes? Aos extraterrestres? Confesso que fiquei confuso com a pergunta, mas a rapariga lá pensou um pouco e decidiu dedicar a música a umas amigas (que claramente não estavam contempladas no grupo "toda a gente").

 

Logo a seguir, e não satisfeito com a pergunta feita, o locutor diz algo do género à mesma rapariga:

"Obrigado e bom feriado municipal. Se bem que na sua situação (desempregada) é feriado todos os dias, não é?"

 

A sério? Estar desempregado é igual a ser feriado todos os dias?!? De facto, por norma não se trabalha num feriado (apesar de haver inúmeras profissões onde isso não acontece) e quem está desempregado... não está a trabalhar. Mas talvez não seja o mais correto comparar o desemprego com feriados... 

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