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soentrenos

Proibidas crianças / Permitido animais

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Ao estudar umas eventuais futuras férias em Itália, encontrei um apart-hotel que continha a seguinte condição:

Proibidas crianças/Aceites animais.

 

Como planeamos levar o nosso filho, procurei outro hotel. E encontrei a mesma condição:

Proibidas crianças/Aceites animais.

 

O mesmo pude ler em mais dois hotéis, e não consegui deixar de pensar neste assunto. São proibidas crianças, mas aceitam animais? Qual o motivo? Não querem que as crianças chorem durante a noite, ou façam muito barulho? E os animais, em especial os cães? Não se importam que estes ladrem todo o dia e toda a noite?

 

Para permitirem animais, têm de proibir crianças?

 

Confesso que fiquei espantado com tamanha distinção, ao mesmo tempo que pareciam querer pôr tudo dentro do mesmo saco - animais e crianças.

 

Nada contra os animais, que adoro, e fico satisfeito por haver estabelecimentos que permitem a sua estadia, quando há tantos que proíbem. Mas não consigo entender como é que se pode proibir a entrada de crianças, aceitando animais... 

 

Só entre nós, há aqui qualquer coisa estranha, não há?

O país menos visitado do mundo

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Existe um país, considerado como a menor república independente do mundo, que recebe cerca de 160 turistas por ano. Sim, leu bem, 160 turistas por ano, o que dá uma média de 3 turistas por semana...

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Chama-se Nauru e é uma pequena ilha no Oceano Pacífico Sul, a Sul das Ilhas Marshall.

 

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Tem 9541 habitantes, com uma média de idades de 25 anos, e uma dimensão de apenas 21 quilómetros quadrados, o que permite dar uma caminhada a toda a volta do país em menos de uma hora (dizem que se dá a volta a pé em 25 minutos, mas parece-me um pouco improvável).

 

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Em jeito de curiosidade, para chegar a Nauru, o único país do mundo que não tem oficialmente uma capital, o melhor é apanhar um avião desde Brisbane, na Austrália, através da Our Airline (companhia aérea de Nauru). Existem dois hotéis, sendo que um deles, o Menen Hotel, até tem muito bom aspeto.

 

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Em Nauru não há muito para fazer, mas é certo que dá para descansar, com praias sem turistas nas redondezas.

 

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Além disso, não é qualquer um que pode afirmar que esteve no país menos visitado do mundo e que percorreu um país inteiro a pé em menos de uma hora!

 

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Factos

Factos

Mais aqui.

Novidades do iOS 9

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Vem aí o novo iOS, e com ele mais dores de cabeça para os detentores de aparelhos mais antigos, e sorrisos para aqueles que têm a última tecnologia. Ou será que não?

 

Com um iPhone e iPad recentes, deveria olhar para o novo iOS com otimismo, mas não consigo. Principalmente depois de ler quais vão ser as grandes novidades. Será só problema meu?

 

1 - Siri mais inteligente

Aparentemente a Siri é como o vinho do Porto. Quanto mais velha, melhor. Com o novo iOS vai  lembrar-nos de coisas a fazer e encontrar fotografias dizendo apenas o dia ou local da foto. E então? Não existem apps que permitem facilmente lembrar-nos dos afazeres? E encontrar fotos por dia ou local? As "Fotografias" organizam tudo por data e, quanto ao local, existem outras opções melhores.

 

E isto sem falar na Siri portuguesa. Porque se contar com ela para me lembrar de qualquer coisa, o mais provável é ela perceber tudo ao contrário. E pedir-lhe para encontrar fotos? Muitas vezes nem percebe a palavra "Lisboa"...

 

2 - Melhor teclado

Segundo consta, as letras dos teclados vão ficar mais pequenas (uau!!!) e se se tocar no teclado com dois dedos as letras desaparecem. A sério? Para além de óculos, vamos precisar de lupas?

 

3 - Modo multifunção

Disponível apenas para os aparelhos de última geração (claro), vai ser possível trabalhar em várias apps em simultâneo. Ora apesar de me parecer a melhor das novidades, e muito útil, não consigo colocar o ceticismo de lado... Será que não vai crashar constantemente? Ou deixar os aparelhos consideravelmente mais lentos?

 

4 - Apps mais avançadas

Diversas apps vão sofrer um upgrade. Como o Maps, que vai permitir saber o trânsito em tempo real... wait for it... em Nova Iorque, Washington, São Francisco, Berlim ou Londres. Sendo assim, quando quiser saber qual o trânsito na Baixa, vou ver como está em Nova Iorque, em Downtown. Deve ser mais ou menos o mesmo.

 

5 - Melhorias

No geral, tudo vai melhorar, segundo a Apple (Yupi!!). Como, por exemplo, com o iPhone bloqueado, bastará carregar duas vezes no Home para ir diretamente para a Apple Pay que, como se sabe, tem imensa utilidade em Portugal.

 

Brincadeiras à parte, todas as inovações e melhorias são bem vindas. Mesmo que não sejam aplicáveis ou úteis em Portugal. Mais cedo ou mais tarde isso será possível. Desde que, nessa altura, tenhamos substituído os nossos aparelhos por novos, de última geração. Caso contrário, de nada nos adiantarão todas estas novidades.

 

Bons restaurantes na zona do Porto, Amarante e Évora?

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Conheço bem a cidade do Porto, que adoro, e os seus restaurantes. No entanto, como a cidade está constantemente em evolução, e não param de surgir bons restaurantes, reconheço que deve haver alguns que desconheço por completo.

 

Sendo assim, alguma recomendação de bons restaurantes na cidade do Porto e arredores? Já tenho reserva no Yeatman, vou aproveitar para dar um salto ao Ferrugem, em Vila Nova de Famalicão, e, pelo que leio, o Flow parece-me bom. Mais alguma ideia?

 

Quanto a Amarante, confesso que não conheço a cidade... Até posso já ter passado por lá quando era mais novo, mas não tenho qualquer ideia. Fiz uma reserva no Largo do Paço, da Casa da Calçada, mas gostaria de ter mais uma ideia para um restaurante na cidade ou nas redondezas.

 

Por fim, Évora é tudo menos uma desconhecida para mim, mas como tenho tendência a almoçar sempre nos mesmos sítios, acabo por não conhecer outros restaurantes. Li opiniões extremamente satisfatórias quanto à Tasquinha do Oliveira, no entanto, o restaurante está fechado em Agosto. Alguma sugestão? Não precisa de ser necessariamente em Évora.

 

Obrigado!

Toda a verdade sobre recém-nascidos #4 - Viver na penumbra

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Durante o dia, a nossa vida é até bastante iluminada. Abrimos os estores da casa toda, logo bem cedo pela manhã, deixamos entrar o sol sem medos e o nosso bebé dorme relativamente bem, sobretudo se estiver ao colo.

 

Com o cair da noite, o caso muda de figura. Ao que nos parece, este bebé já percebeu bem a diferença entre o dia e a noite, o que até é muito positivo, uma vez que a partir das 9 horas da noite deixa-se pousar tranquilamente no seu bercinho (o que dificilmente acontece de dia) e dorme bem, nos intervalos em que não está a comer...

 

O que acontece é que a partir desta hora não podemos acender luzes que ele possa detetar. Porquê? Simples. Porque receamos acordar a ferinha adormecida. Temos medo que, com luzes acesas, ele entenda que é de dia e acorde a pedir colo (o que, atualmente, é como quem diz a berrar desalmadamente). Então, a partir das 9 da noite, vivemos às escuras cá em casa. Ou tão às escuras quanto possível. Entramos na cozinha às escuras, fechamos a porta e acendemos a luz. Na sala, acendemos uma luz fraquinha  (aqui mais tranquilos porque estamos mais afastados do quarto). Não usamos a casa de banho do quarto, mas sim a social e no mesmo esquema da cozinha. No hall, as luzes embutidas no teto deixaram de ter utilidade (logo agora que tínhamos mudado tudo para LED, percebemos que afinal a maior poupança consistia em desligá-las porque, como se vê, não fazem falta). E, finalmente, quando queremos ir para a cama, junto à qual ele dorme a sono solto no seu berço, usamos a luz do telemóvel, discretamente.

 

Resta-nos esperar que, assim como foi rápido a perceber a diferença entre o dia e a noite (na questão da luminosidade, com certeza, porque no que toca à comida ainda não percebeu nada), possa também depressa compreender a diferença entre a luz solar e a luz elétrica...

 

 

Leia também:

Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 - A amamentação

Toda a verdade sobre recém-nascidos #2 - As noites

Toda a verdade sobre recém-nascidos #3 - Quem tem medo do lobo mau?

Porto e rio Douro visto por um drone

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A data das eleições e o discurso do Presidente

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Anteontem à hora de jantar, as televisões esperavam ansiosamente pelo anúncio da data das próximas eleições. Estranhei a ansiedade. Não me lembro nunca de um cenário destes em torno da data de umas eleições. Na verdade, para o comum dos cidadãos, como eu, que importância tem ser no dia 27 ou no dia 4 ou noutro dia qualquer? Será que alguém vai alterar as férias ou a data do casamento por causa das eleições? Duvido, mas adiante. 

 

A ansiedade maior ontem, creio eu, tinha a ver com o anúncio de uma declaração ao país associada ao agendamento das eleições. E qual era essa declaração tão importante? Pois... Deste Presidente já se espera tudo, é verdade. E tudo, neste caso, é sempre muito pouco. Pois que, anteontem, Sua Excelência, lembrou-se de nos pedir, a nós, comuns cidadãos eleitores portugueses, para elegermos uma maioria nas próximas eleições. Trocado por miúdos, o nosso Presidente deixou bem claro que não devemos votar nos pequenos partidos. O que ficou por esclarecer foi em qual dos grandes quer então que votemos. Bom, claro que sabemos em qual deles o nosso Presidente gostaria que votássemos, mas não teve coragem de deixar esse ponto bem explícito. Sendo assim, ficámos, no fundo, sem saber a quem dar a maioria pedida.

 

Eu sugiro que façamos eleições primárias nos nossos condomínios. Isso mesmo. Reunimos a assembleia de condóminos e votamos. Se não chegarmos a uma maioria clara logo à primeira, chegaremos certamente à segunda volta. E depois, cada um de nós deverá votar de acordo com o resultado final das primárias do condomínio. 

 

Só entre nós, ainda falta muito até janeiro? Estou ansiosa pelo anúncio da data das eleições presidenciais!

Alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez

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Foram ontem aprovada as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez. E eu não podia estar mais de acordo com a introdução do pagamento de taxas moderadoras para as mulheres que decidem abortar voluntariamente. Não porque as condene, de forma nenhuma. Pelo contrário, sou contra o aborto mas não a favor da penalização de quem o pratica.

 

 

Penso que cada mulher deve ser livre de escolher aquilo que faz com o seu próprio corpo, sem ser penalizada judicialmente por isso, por várias razões, sendo que a principal se resume à hipocrisia subjacente a tudo isto. Desde sempre houve mulheres a abortarem, de forma voluntária, clandestinamente e sem as mínimas condições de higiene e segurança. Haverá sempre mulheres a abortarem voluntariamente. Por isso, parece-me bem melhor que esse ato possa ser praticado dentro dos hospitais e em condições apropriadas.

 

A questão das taxas moderadoras é ridícula. Se uma mulher não é isenta para outros cuidados de saúde, significa que pode pagar as taxas moderadoras. Logo, pode pagar a taxa moderadora em caso de aborto voluntário. Porque não?

 

Pessoalmente, sou até a favor do pagamento destas taxas em qualquer situação, desde que a pessoa possa pagar e não esteja isenta por razões de carência económica. 

 

No meu caso, quando há cerca de um ano sofri um aborto espontâneo, recorri ao serviço de urgência e paguei a taxa moderadora. Porquê? Porque estava a ser seguida num consultório particular e não tinha (ainda) boletim de grávida... Infelizmente, nesse dia, o que menos me custou foi pagar a taxa moderadora.

Casa de praia em Providence

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Esta fabulosa casa de praia, tão maravilhosa por fora como por dentro, fica em Providence, nos Estados Unidos. Parece-me talvez grande demais e um pouco deslocada para os meus horizontes pessoais. Mas seria perfeita para passar agora uma semaninha de férias!

 

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Fonte

 

A má digestão das certezas absolutas

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Artigo de Andoni Luis Aduriz, Chef do restaurante Mugaritz, considerado como o 6º melhor restaurante do mundo, publicado no El País a 15 de julho de 2015. Tradução da minha autoria. Original aqui.

 

"Não comas nada que a tua avó não comesse" é uma das máximas gastronómicas da moda, mas a tradição também esconde fome e escassez

 

Tal como acontece com o futebol, de cozinha e dietas todo o mundo percebe, ou pelo menos quase todos têm a sua própria opinião.

 

Uma das afirmações mais chamativas e marcantes que tenho escutado desde há algum tempo diz: "Não comas nada que a tua avó não comesse". Não duvido da boa-fé da afirmação, no entanto, por ser tão bem intencionada e categórica, faz eriçar os pelos da minha nuca. Eu sei que muitos vão interpretar como uma referência à cozinha de pote, mas não posso deixar de pensar na minha própria experiência familiar.

 

A minha mãe, com 86 anos, passou a sua infância num contexto de pré-guerra, guerra e pós-guerra, com senhas de racionamento, produtos apenas para quem pudesse comprar, legumes com parasitas, um pouco de peixe, carnes secas e as couves que o meu avô plantava na sua pequena horta, se não fossem antes roubadas. A minha mãe vivia com os seus pais e irmãs no bairro de Egia, em San Sebastián, perto do cemitério onde eram enterrados os cavalos que morriam durante as corridas da "Semana Grande".

 

Como os meus avós tinham a sorte de conhecer o responsável por carregar os cavalos e enterrá-los, que era do bairro, comiam carne. Até bem perto da metade do século passado cozinhava-se com banha de porco e o azeite era um produto estranho no País Basco.

 

A minha mãe conheceu o meu pai, oriundo da Ribera de Navarra, na década de cinquenta. Só depois é que descobriu as alcachofras, os espargos, cardo ou "borrajas". Naqueles tempos, os iogurtes eram um alimento exótico que se vendia nas farmácias e só alguns ricos tinham peixe fresco, latas de biscoitos María Artiach, latas de leite condensado suíço da La Lechera e pudins "El Mandarim", criados por Alfredo Valdés García.

 

Chegados a este ponto, eu não sei se a minha avó teria dito que não a alguma coisa que pudesse levar à boca. Penso se seria capaz de me alimentar com o que ela tinha para criar as suas filhas. Defendo a moderação e o bom senso na hora de comprar, cozinhar e comer, mas alarmo-me tanto com os extremos e certezas absolutas como com os piores aditivos químicos ou substâncias comestíveis com aspeto de comida dos supermercados. Em cima da mesa da tradição idealizada, descansa um atrativo menu, mas, sob as suas saias, na realidade, para muitas pessoas, era outra coisa completamente diferente.

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