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Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Só entre nós

Só entre nós é um blog só para nós. Para escrevermos sobre aquilo em que pensamos, sobre o que gostamos, ou não, sobre viagens fabulosas, restaurantes, pessoas que admiramos, ou que nos deixam os cabelos no ar, livros lidos e muito mais.

Morte ao português

 

Todos os dias ouço a língua portuguesa a ser assassinada. Por vezes, com tanta crueldade e violência, que até fico mal disposto. Deixo aqui um pequeno exemplo de facadas à nossa língua que ouvi num único dia:


- Desqueci-me de comprar leite.


- Não, deixa estar. Esquece-te. Não, a sério que não vale a pena, esquece-te.


- Adonde estás?


- Assenta-te aqui ao meu lado.


- Recebi uma herdança.


- O miúdo precisa de uma bissclete nova.

 

- Óscreve aí num papel.


- Tenho-me desquecido de tomar o tibiótico.


- Estou cada vez pior da mimória.


- Óspois vim-me embora.

 

Enfim...

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Próxima aposta - Holanda

 

Portugal, já foi, a Grécia de Fernando Santos seguiu pelo mesmo caminho e agora... Agora poderia torcer pelo Brasil, país irmão e anfitrião do Mundial. Mas estou mais inclinado para a laranja mecânica. Ainda não perderam um jogo, já marcaram 12 golos e aquele jogo contra Espanha foi sensacional. Ainda por cima, o laranja é a minha cor preferida.

 

Por isso, força Holanda!

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Azurmendi, 3 Estrelas Michelin (2ª parte)

 

Primeira parte do post sobre o Azurmendi, aqui. 

 

Mais do que satisfeitos com o espetacular passeio pela horta, estufas e cozinha, e ainda com um piquenique pelo meio, fomos encaminhados até à bonita e elegante sala do restaurante, com grandes janelas com vista para as montanhas, dando a sensação de que estávamos na Suíça. 

 

 

Chegou então o momento de escolher entre dois dos menus disponíveis: Erroak (€135 + 10% de IVA), considerado o menu tradicional, e o Adarrak (€160 + 10% de IVA), mais inovador. Apesar de nos terem garantido que era possível substituir alguns dos pratos ou misturar menus, não hesitámos e escolhemos a tradição, com o menu Erroak. 

 

 

Menu este que começou com um trio de "avelã", "amendoim" e "amêndoa", por baixo de uma deliciosa e crocante folha polvilhada com pó de cogumelos secos.

 

 

O "amendoim", coberto com flocos de cogumelos secos, estava recheado com um creme de amendoim e foie gras. A "amêndoa" era composta por uma infusão de leite de amêndoa amarga. E a "avelã" tinha uma capa de chocolate negro e um leve recheio de foie gras. Destaque especial para a folha e "avelã".

 

 

Em seguida, foi-nos servido um dos pratos de assinatura de Eneko Atxa - Ovo das nossas galinhas, cozinhado de dentro para fora e trufado. Primeiro, a gema é removida do ovo cru com uma seringa, sendo depois injetada na gema um caldo de trufa a 70ºC, que a cozinha. O sabor era agradável, sabendo inicialmente à gema e depois ao sabor da trufa. O problema, foi que a minha gema não veio perfeita. Segundo explicações do empregado, eu até tive sorte, porque foi injetada mais trufa do que seria suposto, mas a verdade é que a gema não estava perfeita, o que era visível, porque extravasou os seus limites... Uma pequena falha no meio da perfeição. Independentemente da imperfeição estar relacionada com um excesso de trufa e disso até ser considerado como sorte...

 

 

Após essa pequena desilusão, vieram duas maravilhosas tarteletes de espinafres, recheadas com tomates cherry, esferas de Idiazábal (queijo de leite de ovelha típico do País Basco), puré de tomate, pele de tomate crocante e folhas de manjericão fritas. A acompanhar as tarteletes de sabor explosivo, estava um agradável e refrescante gelado de Idiazáball.

 

 

Se as tarteletes estavam óptimas, o lavagante e as favas que se seguiram ainda estavam melhores. Primeiro, foi-nos servido um lavagante assado sem casca sobre azeite de ervas e emulsão de cebolinho, com um fino e crocante corneto de ervas por cima, recheado com um tartar de lavagante. O lavagante estava perfeitamente cozinhado, a emulsão de cebolinho não podia combinar melhor, e o corneto estava impecável. Perfeita combinação de sabores.

 

 

Em segundo lugar, vieram umas favas e seu pesto, barriga de porco e ervilhas de cheiro, sobre rabo de boi estufado. Parecia ser impossível aparecer um prato melhor, mas não. Simples, mas impressionantemente bom.

 

 

Depois de tanta perfeição, veio uma desilusão. Claro que a desilusão que foi para nós, pode ter sido o ponto alto da refeição para outros. Mas a verdade é que não gostámos do Royal de pato "com laranja" e aroma de flor de laranjeira. Não por causa da sua confeção, mas sim por causa da intensidade dos sabores - carne de pato, trufa e foie gras, enrolado numa mistura gelatinosa de sangue de pato, com uma flor da estufa por cima e raspa de laranja no prato. A "laranja", era um gomo de laranja composto de foie gras de pato, coberta por uma gelatina de laranja, e pequenos pedaços de geleia de laranja. Aquando do serviço, o prato foi perfumado à nossa frente com um perfume de flor de laranjeira. Valeu somente pela beleza do prato.

 

 

 

Felizmente, o prato que seguiu (por esta altura já tinha perdido a conta aos pratos que iam sendo servidos de forma célere, mas tranquila), foi um delicioso salmonete corado e tapenade "à minha maneira". Ponto negativo, para mim, a intensa tapenade de azeitonas e alcaparras.

 

 

Ponto alto para o mil folhas de anchovas. Perfeito.

 

 

Por fim, e antes das sobremesas, foi ainda servido uma presa de porco ibérico assada e aromatizada na brasa, com tubérculos, funcho, creme de abóbora, jus da carne e crocante de orelha de porco. A carne estava demasiado mal passada, e o creme de abóbora muito intenso, prejudicando um prato que tinha tudo para ser bom.

 

 

Ao longo da refeição foram servidos três tipos de pão confecionados de forma artesanal no próprio restaurante - pão de leite do produtor Juan Zabala, cozido ao vapor, pão de espelta autóctone e broa de milho de Mungia, servidos com um excelente azeite para molhar. Tirando o pão de espelta (muito cozido), os outros eram bons.

 

 

 

Por esta altura, fazíamos uma análise geral ao que tinha sido servido e era impossível não fazer comparações com outros restaurantes já visitados. Apesar da experiência proporcionado, e de alguns pratos excepcionais, os erros nos outros, e os sabores que não eram do nosso agrado, não colocavam o restaurante Azurmendi no topo da nossa lista de melhores restaurantes visitados. Faltavam as sobremesas, e as minhas expectativas, que não podiam ser maiores, não podiam ter saído mais defraudadas. 

 

Adoro sobremesas, e as sobremesas dos grandes restaurantes costumam ser tão boas quanto inovadoras. Porém, no Azurmendi foram, "simplesmente", inovadoras. 

 

 

A primeira, tinha o nome de morangos e rosas, e era composta por um gelado de morangos, espuma de queijo de produtor local, morangos da estufa, tiras de pétalas de rosa e uma pétala inteira comestível.

 

 

Para criar uma atmosfera especial, foi colocada à nossa frente uma jarra com uma rosa cheia de azoto líquido, que libertava uma enorme nuvem que cobria a mesa de um aroma a rosas. Conclusão? O efeito era espetacular, mas o sabor não era nada de especial. Não passava de um mero gelado de morango, com uma espuma sem sabor e pétala que sabia a isso mesmo... uma pétala.

 

 

Em seguida vieram "Ovos e láteos" - gelado de leite da quinta, toffee de manteiga, "ovos caseiros", leite desidratado e gelado de iogurte, cujos sabores, no geral, e mais uma vez, não eram especiais nem davam vontade de repetir.

 

 

 

 

A acompanhar um bom café, foram servidos 8 petits fours, de todos os tipos e sabores, sem que nenhum nos conseguisse deixar um grande sorriso na cara.

 

 

Depois da conta apresentada (com preços extra-menus muito mais razoáveis, como o café por €2, ao contrário do que acontece no Vila Joya, sobre o qual escrevi aqui), regressámos à cozinha para nos despedirmos do Chef, que estava assoberbado com tanto trabalho (a sala estava cheia). Por momentos, pensei que o Chef não deixaria o que estava a fazer para cumprimentar dois simples clientes. Mas não. E, mais uma vez, não se limitou a atirar um adeus de longe. Parou o que estava a fazer, limpou as mãos ao avental, e veio falar connosco, lembrando-se que éramos Portugueses, agradecendo com um "obrigado", perguntando de onde éramos e comentando que gostava muito de Lisboa, onde tinha estado há uns anos. A simpatia e humildade de Eneko Atxa foi mesmo a maior surpresa do Azurmendi.

 

 

Apesar de alguns pratos, para nós menos conseguidos, face às 3 estrelas conquistadas e 26° lugar na lista de melhores restaurantes do mundo, vale muito a pena ir ao Azurmendi. Pelo local, pela visita feita ao restaurante, por toda a experiência proporcionada, e pela simpatia do Chef e Sous Chef.

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Este ano estou pela Grécia

 

Não me esqueci do que é que aconteceu há dez anos, mas este ano estou pela Grécia. Nunca tinha passado aos oitavos de final num campeonato do mundo, e tem um português a comandar a equipa. E isso, para mim, é suficiente. Por isso, força Grécia!

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Mini carta aberta

 

Só entre nós, está na hora de ir embora, Seguro. Eu sei que estes últimos tempos não têm sido fáceis, e que, depois de não teres tido um único fim-de-semana livre durante anos, é lixado ir embora sem ter almejado o lugar que tanto querias.

 

Mas acordaste tarde demais, não achas? Contrariamente ao que estava à espera, e tirando as lamechices contra o Costa, agora até tenho gostado de te ouvir. No entanto, com 25 dos 35 fundadores vivos do PS a apoiarem formalmente o António Costa, e com o teu camarada cada vez mais forte e galvanizado, não há dúvidas que a viagem chegou ao fim, pois não?

 

Se queres um conselho, sai o quanto antes. Não esperes pelas eleições partidárias, que te vão prejudicar ainda mais.

 

Um abraço.

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Ciclistas de algibeira

 

Têm-se visto cada vez mais ciclistas em Lisboa. Não sei se as bicicletas estão em saldo; se os ambientalistas decidiram unir-se e dar a reforma às suas viaturas; ou se está na moda andar de bicicleta e ai de alguém que não siga as novas tendências. 

 

Seja como for, gosto de ver os homens com as molas a prender as calças do fato, a caminho dos escritórios; as mulheres com roupa "super prática" que, mesmo assim, teimam em dar uso à bicicleta com cestinho que viram ser usada por uma blogger qualquer; e aquelas pessoas mais velhas que não andam de bicicleta há quarenta e dois anos, mas acreditam piamente na ideia de que ninguém se esquece como é que se anda de bicicleta, e vão pelas ruas da capital, espalhando-se ao comprido a cada vinte metros (só este mês assisti a duas quedas de pessoas mais velhas à minha frente).

 

O que eu já não gosto, é daqueles ciclistas que se armam em Lance Armstrong ou Rui Costa, e pedalam a alta velocidade pelos passeios e estradas de Lisboa, incomodando os peões e carros que vão, respetivamente, nos passeios e estradas.

 

Mas agora perguntam vocês: se não há ciclovias espalhadas por todas as ruas, ruelas e becos sem saída de Lisboa, por onde é que os ciclistas devem pedalar para ir para o trabalho ou para casa? E eu respondo: não faço ideia. Nem me interessa. Se existem ciclovias, acho lindamente que decidam dar uso aos seus pés e fazer exercício. Mas se não há, saltem de cima do celim.

 

Estou farto, repito, farto, de ir tranquilamente no passeio e ouvir aquela campainha irritante de uma bicicleta atrás de mim. Acho que só me desviei da primeira vez. Desde então, mantenho o meu trajeto normal. Ora, se eu sou peão e estou no passeio, e se o outro está em cima de uma bicicleta também no passeio, quem é que se tem de desviar? Uhmmm... Difícil, não é?

 

E na estrada? Como é bom ir a conduzir e deparar-me com três ciclistas que decidem ir, lado a lado, em vez de seguirem a tão antiga fila indiana, ocupando toda a faixa de rodagem, e obrigando-me a abrandar o ritmo porque, nenhum deles, e ao contrário do que pensam, é tão rápido como o Lance Armstrong ou Rui Costa... Mas eu sei. Estou a ser injusto. Eles vão lado a lado porque querem ir a falar uns com os outros. Pois. Mas eu também quero muita coisa e não posso...

 

Enfim, tudo isto para escrever que adoro ciclistas nas suas ciclovias, e odeio ciclistas fora delas.

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Azurmendi, 3 Estrelas Michelin (1ª parte)

 


A 19 minutos de Bilbao, em Larrabetzu, Eneko Atxa Azurmendi alcançou o patamar mais alto no mundo da culinária com o seu restaurante homónimo, Azurmendi, ao conseguir a terceira estrela Michelin, com apenas 35 anos, e a classificação de 26º melhor restaurante do mundo. 

 


Tamanho sucesso resulta do trabalho e dedicação de Eneko Atxa, que começou cedo (com 15 anos) a perseguir os seus sonhos, trabalhando em diversos restaurantes do País Basco, incluindo o conceituado Mugaritz, foi campeão de Espanha de cozinha de autor para jovens Chefs, foi considerado o melhor cozinheiro do ano pelo Club de gourmet Francês Fourchettes e foi premiado pelas suas técnicas inovadoras. A juntar a isto, Eneko Atxa é de uma simpatia e humildade incríveis e surpreendentes. Mas sobre o Chef falarei mais à frente.

 


O edifício onde se encontra o restaurante gastronómico, tal como é designado (existe ainda no local um restaurante mais "simples", o prêt à porter), foi criado e desenhado com base em princípios de sustentabilidade, seguindo a filosofia, visão e conceito de Eneko Atxa. É ecológico, funciona com energias renováveis, recicla os resíduos criados, utiliza a água das chuvas e climatiza os seus espaços usando energia geométrica. Trata-se, no fundo, de um ecossistema que ainda conta com uma horta, estufas e vinhas, onde tudo coabita em harmonia.

 


De igual modo, Eneko Atxa Azurmendi recorre aos produtores locais, coopera com um centro de investigação para recuperar variedades perdidas de hortaliças locais e ajuda os produtores a combater as pragas com soluções naturais, de forma a obter produções ecológicas e respeitadoras da terra e meio ambiente. E, tudo isto, é comprovado no menu do restaurante, que se distingue por criar pratos inovadores, recrear aromas e atmosferas para os clientes, apostando numa cozinha natural, mas com personalidade.

 


Ao chegarmos ao restaurante, ao qual se chega facilmente depois de sair da autoestrada (saída 25) graças à identificação existente nas estradas, fomos muito bem recebidos num espaço cheio de vegetação, troncos e uma pequena fonte, que cria um ambiente bastante zen. Depois de um pequeno tempo de espera, veio ter connosco um cozinheiro do restaurante, a falar Português. Apesar de nunca se ter identificado, percebi mais tarde que se tratava de Matteo Manzini, Sous Chef do Azurmendi. O facto de nunca se ter identificado como sendo Sous Chef, demonstra a simplicidade e humildade extensível a toda a equipa do Azurmendi. E o pormenor de falar um Português correto, não obstante ser Italiano, não foi um mero acaso. É que, consoante a nacionalidade dos clientes, sabida de antemão no momento da reserva, é escolhido um dos membros da equipa do restaurante que saiba a respetiva língua para receber os clientes. Tiro certeiro para conquistar quem visita o restaurante.

 

  

Após os cumprimentos iniciais, Matteo Manzini, convidou-nos a fazer uma visita pelo restaurante, mais um delicioso pormenor do Azurmendi, que disponibiliza visitas individuais e personalizadas pelas várias áreas do restaurante.

  

   

  

 

A visita começou então no exterior do restaurante, junto à horta com os produtos da época, que serve para mostrar aos clientes alguns dos ingredientes que lhes vão ser servidos mais tarde à refeição.

  


Em seguida, passámos para as estufas onde estão, entre outros, as ervas aromáticas e flores utilizadas nos pratos. E aqui começa a refeição/aventura, com seis primeiros aperitivos escondidos entre as folhas e plantas da estufa.

 

 


O primeiro, são uns tomates cherry de Larrabetzu, apresentados no tomateiro. Tratam-se de tomates marinados em vinagre por 3 dias. Simples, mas muito saborosos. 

 


Logo a seguir, escondidos entre as flores, estavam uns pequenos frascos com um refrescante e delicioso sumo de hibiscos e toranja.

 


Junto à magnífica salsa, seguiu-se um agradável biscoito de abóbora e parmesão, sendo o queijo o sabor predominante. 

 


Parecendo uma pedra, foi-nos dado também a provar um bombom cremoso de guacamole.

  

Quase a terminar, e dentro de uns tubos, havia uma crocante cenoura baby marinada em vinagre balsâmico por trinta minutos, que foi, para mim, o ponto mais fraco do primeiro ato.

 

 


Por fim, uma verdadeira obra de arte. Tupinambo assado no forno, a fazer lembrar a casca da árvore, com um concentrado de gel de limão a simular a resina. Incrível, não é?

 


Depois do passeio pela horta e estufa, regressámos à zona da receção, onde nos foi servido um vinho branco proveniente da própria vinha do restaurante e um pequeno cesto de piquenique, com mais três aperitivos. 

 


CaipiriTxa - Bombons de Caipirinha com Txakoli e flores miniatura da estufa.

 


Soufflés de pão cobertos por uma fina e transparente camada de gordura de presunto, recheados com um cremoso recheio de presunto.


Pastéis de milho.

  

 

Após o piquenique, passámos para a cozinha, onde fomos recebidos com um "olá" coletivo por toda a equipa do restaurante que trabalhava afincadamente nos pratos. Este foi, para mim, um dos pontos altos da aventura proporcionada pelo Azurmendi. Enquanto apaixonado pela alta cozinha, um dos meus sonhos era entrar numa cozinha de um grande restaurante. E nada melhor do que entrar logo na cozinha de um restaurante de 3 estrelas Michelin.

 

 

A cozinha, de última geração, é ampla, extremamente limpa e a equipa (cerca de 20 pessoas) trabalhava com uma tranquilidade e silêncio surpreendentes. Depois do Sous Chef Matteo Manzini nos ter explicado como é que a cozinha funcionava, e onde é que se preparava tudo, o Chef Eneko Atxa veio ter connosco. Sim, não se limitou a cumprimentar à distância. Deixou o que estava a fazer e percorreu a cozinha para vir ter connosco, cumprimentar e falar um pouco. E dizer que ele é simpático e humilde é pouco. "Sintam-se como se estivessem em vossa casa.", disse-nos. E, com tamanha simpatia e à vontade, não era difícil sentir isso. 

 


Antes de terminar o terceiro ato, e ainda na cozinha, foi-nos servido um pimento frito, servido na respetiva planta, e um frasco com um delicioso vermut com canela, seguido por um coletivo "agur" (adeus em basco) de todos na cozinha.

  

 


E com um agur me despeço para já. 2ª parte da review, aqui.

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Dias de sol

 

Por vezes, é possível ver o sol a brilhar entre as nuvens, mesmo quando lá fora chove sem parar.

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Adeus ao Mundial

 

Só entre nós, confesso que ainda tinha alguma esperança. Pouca, mas tinha.

 

Está visto que só nos safamos com o Mourinho.

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Alhambra e Generalife

 

Fica em Granada, uma encantadora cidade da Andaluzia.

 

 

Desde a zona antiga da cidade, junto ao rio Darro e ao Albaizin (antigo bairro muçulmano, pitoresco e muito bem preservado) podemos observar lá no alto o magnífico Alhambra, enorme e imponente, com os seus palácios em tons ocres e uma sucessão de torres, varandas e janelas onde percebemos que os turistas param a admirar a cidade branca cá em baixo.

 

 

Ao fundo, a neve brilha nos pontos mais altos da Serra Nevada. Aqui em baixo estão 36º ao sol quando começamos a subida íngreme que nos leva à colina onde está erguida a fortaleza que contém o Alhambra e o Generalife.

 

Mas a subida faz-se muito bem, sempre à sombra das árvores de uma floresta verdejante e densa que me fez lembrar a Serra de Sintra. E vale bem a pena esta subida. Lá no alto somos bem recompensados.

 

 

Podia ser a oitava maravilha do mundo. Consta que é o monumento mais visitado de toda a Espanha e bem merece. É deslumbrante, inebriante e inesquecível. É uma experiência para os cinco sentidos.

 

Recordo a luz do sol a iluminar o ocre das paredes, os raios de sol filtrados pelos esguios ciprestes verde escuros, as cores vibrantes dos azulejos tão característicos do estilo mourisco, as mais variadas cores das flores dos jardins tão bem cuidados.

 

 

Recordo as texturas que nos são permitidas sentir ao longo do percurso, nos gessos trabalhados dos arcos, no mármore do chão, nas madeiras das escadas, nos azulejos das paredes frias.

 

Recordo o som da água que corre por todo o lado, nas fontes, nos repuxos e até no corrimão de uma escadaria, o canto dos pássaros que estão por todo o lado, o sussurrar das folhas das árvores sopradas pela brisa suave que nos refresca em cada esquina, o silêncio que nos é permitido sentir em múltiplos recantos dos jardins.

 

Recordo o cheiro inebriante das tílias em flor, das glicínias, das rosas de Damasco, das laranjas. Recordo até o sabor doce e refrescante do gelado que comemos à sombra das árvores com vista para o Alcazar.

 

 

Por tudo isto, sei que não mais poderei esquecer este dia e este sítio. E não quero, de forma alguma, que este texto se transforme num guia turístico. Quero apenas poder relê-lo quando me apetecer recordar. E, se possível, despertar em que me lê, e não conhece este lugar, a vontade de partir o mais depressa possível.

 

Alhambra significa "Vermelha" em árabe. Penso que a cor ocre que hoje vemos pode bem ser o reflexo daquilo que terá sido no passado, uma cidade vermelha, que muito me lembra Marraquexe pela cor, pelas muralhas, pelas características arquitectónicas, pelo calor e pelas sombras refrescantes dos jardins... Foi construída na dinastia Nasrida, quando os árabes ainda detinham o poder em Granada, durante os séculos XIII e XIV.

 

 

Começámos a visita pelo Generalife, a casa rural dos sultões, absolutamente divinal, sobretudo pelos seus jardins simétricos, repletos de fontes, repuxos, árvores e plantas em flor com um cheiro bom e inebriante.

 

 

Daqui conseguimos ver os palácios e a fortaleza do Alhambra em todo o seu esplendor.

 

 

Depois percorremos o longo caminho até ao palácio de Carlos V, este mais recente e em estilo Renascentista, mas nem por isso menos bonito.

 

Lá dentro, a surpresa: um magnífico museu de belas artes, repleto de obras incríveis de arte sacra e de paisagens relativas ao Alhambra e a Granada, totalmente gratuito para cidadãos da União Europeia.

 

 

No ponto mais distante do percurso fica o Alcazar, a fortaleza que defendia a cidade, com as ruínas da antiga Medina e as magníficas torres que nós permitem uma visão panorâmica de 360º sobre a cidade e a Serra Nevada.

 

 

Por fim, e porque o melhor deve sempre ficar para o fim, os Palácios Nazaries.

 

 

É difícil descrever a beleza destes palácios, mas fica na memória a riqueza dos seus tectos em madeira, das suas paredes forradas a azulejos com formas geométricas diversas e coloridas, dos arcos em gesso minuciosamente trabalhados como se fossem de renda, dos seus pátios com fontes refrescantes...

 

 

E aquela vista da varanda sobre o Albaizin jamais será esquecida.

 

Só entre nós, foi uma bela surpresa esta. Não foi?

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