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Moules & Beer

 

 

O facto de adorarmos mexilhões deixou-nos extremamente entusiasmados com a notícia, no final do ano passado, de que tinha aberto em Lisboa o restaurante Moules & Beer, especialista num dos pratos mais típicos da Bélgica - mexilhões com batatas fritas. A expectativa não podia ser maior e, felizmente, não saiu defraudada.

 

 

O espaço é descontraído, amplo e bem iluminado pelas muitas clarabóias. Destaque para os catos dentro de latas de comida, e para o rolo de papel de cozinha em cima de cada mesa. Nunca tinha visto rolos de papel de cozinha nas mesas e, inicialmente, estranhei o bom gosto. Porém, ao longo da refeição, acabei por dar razão aos responsáveis do restaurante. De facto, num restaurante onde se usam as mãos para comer, guardanapos ou, neste caso, papel de cozinha, nunca é demais.

 

 

O serviço é atencioso, simpático e muito rápido. Tal como os mexilhões, que não demoraram nada a chegar à mesa. Mas, antes disso, houve ainda tempo para ser servido o couvert, composto por um bom pão acompanhado por manteiga. Pequeno ponto negativo para o facto das embalagens de manteiga virem dentro do mesmo saco onde era servido o pão. Não havia necessidade.

 

 

Quanto à especialidade do restaurante, no Moules & Beer existem diversas formas de confeção dos mexilhões, devidamente acompanhados com batatas fritas ou pasta. Desde as mais tradicionais, como Moules Meuniére ou Mediterrânicas, às mais inovadores como Moules Thai, Chili, Fraiche, Pesto, Curry ou Champignons. Sem esquecer as Moules à Bulhão Pato ou, simplesmente, cozinhadas ao vapor.

  

Perante a grande variedade disponível, a minha mulher escolheu as mais tradicionais, Meuniére (molho clássico com natas), e eu decidi fugir à tradição escolhendo as Thai (molho aromatizado com gengibre e lemon grass).

 

 

Se as da minha mulher estavam irrepreensíveis, com um delicioso molho onde molhar o pão e as batatas, as minhas Thai também estavam muito boas, mas tenho de admitir que o forte sabor a limão do molho possa não ser do agrado de todos. No meu caso gostei, mas considero que a intensidade do sabor a limão deveria ser ligeiramente reduzida. 

 

As batatas fritas estavam boas e crocantes e eram acompanhadas por um copo com maionese. A parte menos boa era que as batatas do fundo estavam demasiado salgadas.

 

Relativamente às quantidades servidas, estas são muitíssimo razoáveis.

 

De sobremesas, escolhemos uma tarte Banoffe que estava bem saborosa.

 

 

Como o nome do restaurante é Moules & Beer, não poderia passar o post sem falar das cervejas. Grande variedade de cervejas artesanais, nacionais e internacionais (Bélgica, Alemanha e Holanda), para todos os gostos e carteiras.

 

No final, e por falar em carteiras, chega a conta, que não assusta ninguém. €8,50 pelas Moules Meuniére e €9,50 pelas Moules Thai. Preços bastante razoáveis e aceitáveis para a qualidade e quantidade servida.

 

Por isto tudo, e só entre nós, temos a certeza que vamos regressar.

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Reservas invisíveis

 

Conseguir uma mesa num café, ou zona de restauração, em verdadeira hora de ponta, para uma equipa de futsal, ou mesmo apenas para duas pessoas, é algo extraordinariamente difícil. Tão difícil como garantir espreguiçadeiras, umas ao lado das outras, junto a uma piscina num dia de sol.

 

Porém, para combater essa dificuldade, capaz de fazer correr os coxos, com o objetivo de chegar a uma mesa antes dos outros, foi criada a figura da reserva invisível. E em que é que consiste a reserva invisível?

 

Simples. Em primeiro lugar, escolher um dos elementos do grupo para ser o reservador. Na maioria das vezes, opta-se por escolher o mais fraco. O que é igual a dizer: aquele que se contenta com qualquer coisa que os outros escolham para ele comer; aquele com quem menos apetece falar; aquele que tem maior dificuldade locomotiva; aquele mártir que se oferece sempre para tudo; ou, na falta disto tudo, aquele que tem uma cara mais ameaçadora. Músculos também contam para esta escolha. Já a beleza não. É que quanto mais bonito for o reservador, mais pessoas vai acabar por atrair para o pé de si, e isso é tudo o que não se quer numa reserva invisível.

 

Em segundo lugar, deixar o mártir, ou reservador, sentadinho numa cadeira de uma mesa vazia, a guardar os outros dezasseis lugares vazios da mesa, enquanto o restante grupo vai, calmamente, percorrendo o menu e escolhendo a comida que querem. Com toda a calma, porque não há razões para correr (há um reservador, está tudo ok).

 

Enquanto o grupo vai escolhendo, falando entre si e esperando pela comida, o reservador vai cumprindo a missão para a qual foi escolhido. Guardar os outros dezasseis lugares vazios e ir impedindo que qualquer outra pessoa se sente nesses lugares.

 

"Está ocupado." São estas as únicas palavras que, normalmente, se ouve sair da sua boca. Repetidas incessantemente, porque o grupo demora quarenta minutos até aparecer (com sorte), mas ditas com firmeza, perante a pergunta sem sentido de quem se aproxima das mesas vazias. Que lógica é que tem chegar a uma mesa de seis lugares, com apenas uma pessoa sentada, e perguntar se a mesa está ocupada? Eu faço isso. É uma questão de boa educação. Mas contra mim escrevo. Que sentido é que isso faz? A mesa está vazia. Quer dizer, está lá um reservador, e, no seu entendimento, os outros cinco lugares estão invisivelmente reservados. Mas a verdade é que os outros cinco lugares estão vazios. E perante as palavras "Está ocupado.", dever-se-ia perguntar "Por quem?" e sentar-se imediatamente.

 

Não há cá lugar para reservas invisíveis quando não há mais lugares onde sentar. Qualquer pessoa que já tenha comida na mão, tem preferência sobre qualquer outra pessoa sem comida, que esteja simplesmente a guardar os outros lugares para colegas.

 

Ainda por cima, enquanto o reservador espera que os outros cheguem, normalmente há tempo suficiente para outros comerem naqueles lugares invisivelmente guardados, ainda antes de serem ocupados pelos reservantes invisíveis.

 

Pior do que tudo isto, é reservar uma mesa de dois lugares durante largos minutos numa zona de restauração de um centro comercial verdadeiramente apinhada, para, no fim, quando chega a sua colega que esteve, calmamente, a passear pelos restaurantes a tentar decidir o que comer, abrir a mala e retirar de lá um tupperware com comida de casa. Não só esteve a ocupar uma mesa de dois lugares durante muitos minutos, como ainda por cima não ia consumir nada comprado naquele centro.

 

Por fim, destaque especial para o outro tipo de reservas invisíveis. E estas são especialmente invisíveis - quando não há qualquer reservador físico, mas sim uma toalha, ou livro. Caso das espreguiçadeiras junto a uma piscina num dia de sol. Nada como estar num hotel, ou navio de cruzeiro, acordar especialmente cedo, reservar uma ou mais espreguiçadeiras junto à piscina com um livro, um lenço, ou uma toalha, e voltar para a cama para dormir. Ou, então, ir calmamente tomar o pequeno-almoço. Tudo enquanto as outras pessoas, que querem mesmo utilizar as espreguiçadeiras, não têm uma única vazia.

 

Só entre nós, dava vontade de pegar nos livros e toalhas e atirá-las para dentro de água, não dava?

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Vidas

 

É triste quando já estamos acordados há três horas, e a trabalhar há um bom tempo, e ouvimos o despertador de alguém no andar de cima a funcionar...

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Hotel Estherea (Amesterdão)

 

Adoro viajar. E adoro decoração de interiores. Talvez por isso, a escolha dos hotéis para as nossas viagens seja sempre um assunto muito sério. Não basta ser limpo, bem localizado e com pequeno-almoço incluído. Para mim, um bom hotel tem de ser bonito, charmoso, elegante... No fundo, aquilo que vulgarmente se designa "boutique hotel". As estrelas são um critério secundário. Claro que se o orçamento o permitir, prefiro os 5 estrelas que cumpram os restantes critérios. Para começar, escolhi um dos hotéis mais fascinantes em que já estive até hoje - o hotel Estherea em Amesterdão. Dou a mão à palmatória, porque esta escolha foi integralmente feita pelo meu maridinho, que acertou em cheio! É um 4 estrelas localizado bem no centro de Amesterdão, junto a um dos belos canais que serpenteiam a cidade, pertinho do mercado das flores (onde fui todos os dias!). 

 

 

Foi a nossa primeira viagem a Amesterdão e escolhemos o Inverno para essa primeira visita. Se bem me lembro, foi a primeira de muitas escapadelas de Inverno pela Europa que agora são praticamente obrigatórias! Sim, bem sei que para muitos parece estúpido viajar pela Europa quando faz frio, em vez de aproveitar essa época para ir apanhar sol nos trópicos... Mas há coisa mais romântica que, no fim de um dia gelado a passear de mãos dadas pelas ruas de uma bela cidade, entre visitas a museus e experiências gastronómicas várias, sentir o calor de um lobby de hotel cheio de charme?

 

 

O calor de um quarto aconchegante, com as paredes forradas de um papel luxuoso, uma casa-de-banho acolhedora e quentinha, cheia de produtos cheirosos à nossa espera? Para mim, não há praia paradisíaca que bata isto! Mas, enfim, são meras opiniões. E, posto isto, voltemos ao Estherea. Esqueçam o estereótipo de hotel a que estão habituados. Aqui não entramos num lobby moderno e avassalador, cheio de elevadores. Não, bem pelo contrário. Quando entramos, estamos em casa. E somos recebidos por um lindíssimo aquário encastrado, cheio de peixes exóticos que nadam alegremente aos olhos de todos.

 

 

E temos também uma magnífica lareira virtual que nos mostra belas chamas e nos deixa ouvir o crepitar do fogo, sem fumo e sem cheiro. Atrás de um pequeno balcão, sobre o qual repousam pequenos vasos repletos de maravilhosos e muito amarelinhos narcisos tête-à-tête, espera-nos a chave do quarto, que aqui é mesmo uma chave e não um cartão magnético. E depois temos aquele chocolatinho quente e aquelas bolachinhas caseiras que não consigo esquecer até hoje... Que conforto depois do frio lá de fora, podermos servir-nos à vontade sem qualquer custo adicional, e desfrutar de um delicioso lanchinho, muito bem sentados num confortável cadeirão numa das pequenas e acolhedoras salas do piso térreo. Inesquecível.

 

 

Depois de subirmos ao quarto, somos surpreendidos por uma área muito generosa, que além da cama de casal inclui ainda uma cama barco que faz a vez de sofá. As paredes estão totalmente forradas a papel de parede, em tons de azul e às flores, emprestando ainda mais charme a um quarto muito elegante e confortável. A casa-de-banho, de dimensões médias, tem aquele charme vintage que tem tudo a ver com o hotel e o quarto, nada a ver com o standard a que estamos acostumados. O descanso é garantido num espaço como este. E as memórias das férias são ainda melhores depois de ficarmos num sítio destes. Só entre nós, havemos de voltar...

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Dizem que é um pediatra polémico...

 

No entanto, e só entre nós, acho que Carlos González é, essencialmente, um homem inteligente. E porquê? Porque consegue ser visto como o criador de uma filosofia já inventada há muito tempo, e largamente desenvolvida e defendida por tantas pessoas, conseguindo, com isso, esgotar edições de livros (não só em Espanha), dar entrevistas em todos os meios de comunicação e, consequentemente, aumentar consideravelmente a sua conta bancária, com filas de pais à porta do seu consultório.


Não acho nada disto errado. Pelo contrário. Comecei por escrever que o acho um homem inteligente. E quem me dera ter um décimo da sua astúcia para fazer o que ele fez. Já aquilo com o qual não concordo, é a filosofia que ele defende e que lhe tem dado tanto dinheiro e fama. 


Não gosto, nem nunca gostarei, de textos que recolhem frases isoladamente ditas por pessoas e, com isso, deturpam o seu verdadeiro significado. Porém, neste caso, a verdade é que Carlos González defende essencialmente:

Que as crianças devem dormir na cama dos pais, se assim quiserem;

Que não se deve bater nem castigar as crianças;

Que não se deve obrigá-las a comer, nem sequer verduras ou outros alimentos saudáveis;

Que não se deve dizer que não, mas dar amor e colo.


Claro que Carlos González, o intitulado pediatra polémico, desenvolve cada um destes temas e justifica-os, nalguns casos com alguma (muito pouca) razão. Para quem quiser, basta uma simples pesquisa na internet para ler tudo. Ou até podem juntar-se ao grupo de portugueses que aguarda, ansiosamente, pelos livros dele, que estão entretanto esgotados. No entanto, sem olhar para o resto, fará mesmo sentido tratar as crianças como adultos e não lhes dizer que não? Resultará num adulto saudável, bem educado e adaptado à sociedade?


Nalguns casos, até posso acreditar que sim. Mas será uma franja minúscula da sociedade. Este pediatra até pode ter acompanhado o crescimento de milhares de crianças nas suas consultas, mas não me conseguem convencer que é bom e correto o seguinte:


São dez da manhã de um sábado e a criança, de oito anos, está na cama dos pais, a dormir, descansadamente. Às dez e meia, ele teria aula de inglês, algo que o beneficiaria tremendamente no seu futuro pessoal e profissional. Os pais, que deixaram de ter intimidade graças ao filho sempre deitado na sua cama, tentam acordá-lo e fazer ver que já é tarde. Claro que antes de o acordarem discutiram entre eles, porque o correto seria que ele acordasse quando quisesse, e não se regulasse por despertadores. Porém, a aula de inglês é verdadeiramente importante. Até porque as notas na escola têm sido uma miséria. É que, por mais que lhe expliquem que é importante estudar, o miúdo continua a não querer saber da escola, e as negativas acumulam-se. Mas ele vai aprender com a vida, defende Carlos González.


Com muita calma, e algum medo aliado, os pais acordam o pequeno anjo, que se vira ao contrário, diz que tem sono e que não quer ir à aula de inglês. O que fazer? Recordar os ensinamentos desta filosofia e deixá-lo a dormir. Afinal, as crianças devem ser tratadas como adultos. E nós nunca iríamos obrigar um adulto a levantar-se da cama para fazer uma coisa que não queria fazer. Mesmo quando isso significava faltar às aulas, pagas com alguma dificuldade pelos pais, que só querem o melhor para o filho.


Por volta das doze horas, o pequeno anjo de oito anos decide acordar. Cheira ligeiramente mal, porque a noite foi quente e o pijama ficou todo transpirado, mas não se pode contrariá-lo e mandá-lo tomar banho. Fazem isso a um adulto? Não. O almoço é ele que escolhe. McDonald's, claro. Bic Mac, lógico. Menu gigante, evidentemente. Não vale a pena obrigar a criança a comer comida saudável. O que é que importa mais? A comida saudável que uma criança come enquanto cresce, ou a comida saudável que se come ao longo da vida? Quem pergunta é o próprio Carlos González, que aqui se esquece do que aprendeu na escola, universidade, e vida, e desvaloriza a comida saudável no crescimento de uma criança. Segundo ele, os gostos adquirem-se com a idade e a criança vai aprendendo que a comida saudável é melhor com o tempo. Claro. Quando tiver diabetes e cento e vinte quilos é que vai aprender. Mas não há problema. O importante é não dizer que não.


A roupa? Foi a que ele escolheu. Mal seria se lhe dissessem que ficava mal conjugar meias verdes com calças vermelhas e uma t-shirt amarela. Parece a bandeira de Portugal, mas talvez isso não seja mau, atendendo à proximidade do Mundial.


Depois do almoço, vão visitar os avós dele. Pequeno anjo, cheio que nem um ovo, assim que chega a casa pede chocolate, coca-cola e vinte euros. Os avós, já imbuídos nesta filosofia, apesar de não a terem utilizado quando educaram os seus nove filhos, tratam logo de atender a todos os seus pedidos. Quando chega o primo, o miúdo dá-lhe uma estalada e um murro na cara. O que fazer? Tratá-lo como adulto. Alguma vez iriam pôr um adulto de castigo? E bater numa criança? Nem pensar! Deus nos livre! Solução - ir falar com ele e perguntar-lhe porque é que ele bateu no primo. É isso que defende esta filosofia. "Bati-lhe porque ele é parvo.", resposta do miúdo, que é aceite por todos, até pelo coitado do primo, sentado a um canto com ranho a escorrer pelo nariz, de tanto chorar, e um saco de ervilhas congeladas encostado à cara esmurrada.


Regressados a casa, o pequeno texugo gordo revela estar um pouco triste. "O que é que se passa?", perguntam os pais. Se um adulto está triste, pergunta-se o que é que se passa e tenta-se ajudar. O mesmo com uma criança. "O Tozé tem um jogo novo da PlayStation e eu não..." Solução? Dar-lhe colo e muito amor e prometer-lhe o jogo para o dia seguinte. Ou até para aquela noite, se ainda houver centros comerciais abertos. E, claro, depois tem de se permitir que o miúdo jogue o jogo novo durante toda a noite, em vez de dormir.


Afinal, não se lhes pode dizer que não. Faz sentido, não faz?

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Brownies de Nutella e cerejas

 

Cozinhar é um dos meus passatempos preferidos, principalmente pratos doces. Adoro seguir uma receita passo-a-passo e, por fim, olhar para o resultado final e saber que fui que fiz.


Não me importo que as receitas sejam complexas, como o meu cheesecake no forno com coulis de vermelhos, nem que tenham uma lista enorme de ingredientes, como o meu shoarma. Até gosto da dificuldade inerente.


Porém, e por vezes, não existe muito tempo, ou paciência, e as receitas mais rápidas assumem prioridade. Exemplo destes brownies de Nutella. 15 minutos para preparar, 15 minutos no forno, e já está.


Apesar de não ser usual inventar, ou acrescentar ingredientes, desta vez lembrei-me de juntar cerejas aos brownies.


Resultado final? Aprovado por mim e, mais importante, aprovado pela minha mulher. 


Ingredientes
300g de Nutella

60g de farinha com fermento

2 ovos

cerejas q.b.


Pré-aqueça o forno enquanto prepara a massa, juntando muito bem todos os ingredientes num recipiente. 

Quando a massa estiver uniforme, coloque-a numa forma de ir ao forno, previamente untada.


Leve ao forno a 180°C por 15 minutos, aproximadamente. Verifique com um pau se o interior não está muito líquido, mas não deixe o interior cozer totalmente. O objetivo é que os brownies fiquem moles por dentro.


Retire do forno, coloque o recipiente em cima de uma grelha, para que o ar passe a toda a volta, e deixe repousar e arrefecer.

 

Depois de arrefecido, corte em quadrados e depois diga-nos, só entre nós, se não é delicioso.

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Seguros de saúde

 

De que valem os seguros de saúde quando nos dizem, com leviandade, que não aprovam os exames médicos que temos de fazer, sem qualquer tipo de justificação plausível? De que é que adianta pagar uma quantia mensal, para depois nos serem fechadas as portas quando mais precisamos? 

 

É triste termos de ser sujeitos a estas situações.

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Las Ficheras

 

Desde o encerramento do restaurante mexicano em Lisboa onde costumava ir, que fiquei sem um local de referência onde pudesse voltar com a certeza de que iria sair satisfeito.

 

 

Felizmente, o Las Ficheras, localizado no Cais do Sodré, em Lisboa, veio colmatar na perfeição a falta de um restaurante mexicano de confiança, dando a conhecer a verdadeira gastronomia mexicana, com um sabor caseiro.

 

O seu nome tem origem nas mulheres que trabalhavam nos cabarés mexicanos, a quem os homens entregavam uma ficha em troca de uma bebida, companhia ou dança.

 

 

Toda a decoração do restaurante é bastante interessante, com diversos elementos de destaque, como as máscaras de luchas libres mexicanas ou a parede em pedra. De realçar também a cozinha aberta, permitindo ver a confeção dos pratos.

 

O serviço é extremamente atencioso, eficaz e rápido.

 

 

Quanto à comida, optámos como entrada, para além do couvert servido, pelos Guacamole e totopos - molho fresco de abacate com cebola, tomate, sumo de lima e coentros, acompanhado com tiras de tortilha de milho crocante.

 

 

Como prato, escolhi uma carrillada de cerdo con salsa de chipotle - bochechas de porco estufadas lentamente com molho de pimento chipotle, puré de feijão preto e arroz. Verdadeiramente delicioso, muito bem feito e suficientemente picante.

  

 

A minha mulher optou pela enchilada de pollo e chorizo con mole de ciruelas - três tortilhas recheadas com frango, tomate e chouriço, cobertas com molho de ameixa, gratinadas e servidas com queijo. Igualmente deliciosas e cheias de sabor. Para quem não aprecia pratos picantes, esta é uma óptima escolha.

 

Por fim, como sobremesa, escolhemos uma refrescante mousse de maracujá com tequila.

 

Só entre nós, final perfeito com a certeza de que regressaremos.

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É favor não mexer

 

Um dos meus passatempos favoritos é visitar museus. Não sou daqueles que gosta de ver ao pormenor cada uma das três mil obras de arte expostas, mas também não sou dos que percorre uma sala em dois segundos. Gosto de me demorar nas peças que mais gosto, e olhar para as outras sem me deter em grandes detalhes.

 

Como gosto muito de visitar museus, é normal que faça questão de visitar, pelo menos, os mais importantes de cada cidade que visito, arrastando, por vezes, aqueles que me acompanham e que já estão fartos de andar a percorrer salas repletas de quadros. Porém, a sensação de poder admirar tantas obras maravilhosas, algumas com largas centenas de anos, é tão espectacular como viciante.

 

Certo é que existe uma coisa que me incomoda quase sempre que estou num museu. A falta de respeito dos visitantes.

 

Refiro-me, em particular, aos visitantes que ignoram todas as regras, inclusive as de bom senso, e tocam nas peças expostas, encostam-se ou sentam-se nelas, ou chegam, inclusivamente, a retirar algum bocado para levar como souvenir.

 

Já assisti a diversas situações que me deixaram de boca aberta, como:

- um homem que pousou o braço em cima da cabeça de uma escultura romana antiga, exposta no Museu Nacional de Atenas, enquanto posava para uma fotografia;

- várias pessoas a tocar nas telas de quadros para... não sei para quê;

- outras a raspar as unhas nas esculturas para, provavelmente, limá-las;

- ou uma mulher que se sentou encostada a uma escultura no museu Reina Sofia, em Madrid, descontraidamente a descansar, sem pensar que, com o peso do corpo, poderia facilmente derrubá-la, até porque a base era muito estreita...

 

De igual modo, também já me apercebi de obras de arte claramente danificadas por alguém que decidiu levar uma recordação para casa, ou até mesmo da falta da própria obra de arte. Num dos corredores do El Escorial, apercebi-me que, num mostruário de chaves antigas, havia um espaço em branco. Bem sei que é normal haver peças que são emprestadas a outros museus ou retiradas, provisoriamente, para conservação ou outro motivo qualquer. Contudo, naquele caso, as chaves estavam à mão de quem passava, sem qualquer vidro ou outra protecção à frente, e, por isso, duvido que o responsável pelo desaparecimento da chave não tenha sido um visitante menos respeitador.

 

E é isto que nem consigo compreender nem aceitar. Muito provavelmente, a maioria destas pessoas costuma ir a museus e gosta de os visitar. No entanto, violam as regras existentes, põem em causa o bom estado das peças que gostam de ver e, ainda, levam como recordação partes das obras de arte.

 

Se todos fizessem isso, tenho a certeza que não haveria museus ou monumentos para visitar.

 

Só entre nós, não custa assim tanto prezar a nossa história e fazer por deixá-la aos nossos descendentes.

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Vila Joya, 2 Estrelas Michelin

 

“Bem-vindo ao Paraíso.”

 

Foi assim que fomos recebidos naquele que foi recentemente considerado como o 22º melhor restaurante do mundo pela “The World’s 50 Best Restaurants”, e que tem conseguido a magnífica proeza de manter duas estrelas Michelin desde 1999.

 

 

O prinicipal responsável pelo sucesso do Vila Joya é o austríaco Dieter Koschina, que combina produtos locais com técnicas de cozinha do Norte da Europa, num restaurante com uma das melhores vistas que Portugal pode ter.


As expetativas eram bem elevadas e, desde cedo, que foi possível perceber que, se não estávamos efetivamente no Paraíso, esse não estava muito longe.

   

  

Instalado numa vivenda de estilo mourisco, o restaurante Vila Joya encanta imediatamente quem lá entra, com a sua arquitetura e decoração bem cuidada, e uma receção simpática e atenciosa.

 

 

A vista das mesas é tão bonita como relaxante e toda a envolvência com as árvores, o mar a perder de vista, o som das ondas a bater nas rochas e os pássaros a chilrear, transportam-nos para uma realidade paradisíaca, tal como pretendido.

 

Começando pelo serviço, este demonstrou ser muito competente, em sintonia com o patamar em que o restaurante se encontra.

 

 

Quanto à comida, foram-nos apresentadas duas hipóteses: menu de degustação do dia (€105 sem bebidas) ou menu à la carte.

 

 

Apesar dos nomes dos pratos virem, surpreendentemente, bem reduzidos no menu de degustação, contrariando a tendência atual para descrever extensivamente o que é servido, optámos pelo menu de degustação. Opção esta que revelou ser bem acertada.

 

Antes dos pratos do menu, foram-nos servidos alguns amuse-bouche, como habitual nestes restaurantes.

 

 

Praliné fígado de ganso com geleia de beterraba e folha de ouro e praliné de cocktail de maçã, rábano picante e flor de amor-perfeito. Ambas explosivas na boca, as primeiras foram, no nosso entender, as menos conseguidas de toda a refeição. Já as segundas, conquistaram-nos com um cocktail de maçã refrescante.

 

 

Cone com ovas de salmão e crepe de pepino com wasabi. Eram os dois bons, mas o cone com ovas de salmão era delicioso.

 

 

Crepe de pistáchio e amendoim falso. Ambos agradáveis, principalmente o amendoim que, de facto, parecia um amendoim, e sabia a amendoim, mas não o era. Unico defeito para o sal a mais do falso amendoim.

 

 

 Batata frita de arroz com creme de enguia. 

 

 

Espeto de chá príncipe com filete de enguia e ameixa, envolvido em bacon, e foie gras. 

 

Para além destes 9 amuse-bouche, foi-nos ainda apresentada uma bandeja com 4 tipos de pão (pão algarvio, pão com azeitonas, baguete e ciabatta), quadrados de verdadeira manteiga e um prato com azeite do Romeu para molhar o pão. A escolha do azeite transmontano não podia ter sido mais acertada. De realçar ainda que a manteiga foi substituída assim que acabou, tal como o pão.

 

 

Após uma hora de serviço, chegou então o primeiro prato do menu de degustação - Lavagante do Atlântico, couve-flor, caviar imperial e raviolis de aipo. Sabor, no geral, muitíssimo bom, com o lavagante bem fresco e saboroso. Destaque especial para os raviolis de massa fina, cozinhados na perfeição e recheio maravilhoso.

 

 

Seguidamente, foi servido o linguado com trufa negra e crocante de queijo, que levantou alguns questões quanto à sintonia do prato. Se é verdade que o prato pedia algo crocante, também é verdade que a intensidade do sabor do crocante de queijo acabou por omitir por completo o sabor dos outros ingredientes. Por outro lado, o sabor do peixe não era muito percetível, em parte devido ao crocante, o que fez com que fosse um prato bom, mas não extraordinário, como poderia ser.

 

 

O escolha do Chef para o prato de carne foi certeira. Duo de novilho americano (bife e bochecha) com cantarelos, cenoura baby e polenta de pimenta (e não de pimentos, como constava do menu, comprovando uma das críticas de outros clientes - erros na tradução - o que não se compreende). Se a carne estava divinal, principalmente o bife, a polenta, apesar de saborosa e suficientemente picante, graças ao wasabi, foi apresentada de forma quase líquida, misturada no molho. Tirando a parte da consistência da polenta, este duo de novilho americano foi um dos heróis da refeição.

 

 

O gelado de manga e kumquat, tapioca e côco falso (gelado de côco com casca de chocolate) conferiu um final refrescante ao equilibrado e inteligente menu de degustação. Destaque positivo para o delicioso gelado de manga e para a inovação do côco falso. Destaque negativo para as pequenas esferas brancas, que não chegámos a descobrir o que eram, mas que não sabiam bem, e para a tapioca, que nada acrescentou ao prato, a não ser uma textura e temperatura diferente.

  

Como nem tudo é o que parece nestes restaurantes galardoados com estrelas Michelin, a sobremesa não correspondeu, efetivamente, ao final da refeição, com mais umas surpresas a serem apresentadas pelo Chef.

 

 

Gelado de frutos silvestres com espuma de soro de leite.

 

 

After Eight desconstruído - o gelado de menta era irrepreensível, o que fez desta sobremesa o ponto alto dos pratos doces.

 

 

Sabayon de queijo fresco.

 

 

Caramelo com mousse de kumquat.

 

 

 

Trufas de chocolate.

 

 

Por último, bolachas caseiras para acompanhar o café.

 

 

E assim terminou um serviço de 3 horas e 19 pratos, que pecou somente na parte final, com uma demora excessiva em servir os últimos pratos e apresentar a conta. Conta esta que revelou aquilo que já se esperava: todos os amuse-bouche, couvert e surpresas do Chef encontravam-se já incluídos nos €105 de preço de menu. Por outro lado, os €4,50 por café e €9,50 por garrafa de água têm de ser vistos como preços exageradamente inflacionados, independentemente do restaurante.

 

 

Antes de sair do restaurante, foi-nos ainda oferecida uma lembrança: um batom comestível de chocolate branco e azuleta.

 

 

Em jeito de conclusão, foi uma experiência extremamente positiva e inesquecível. Compreende-se a referência ao Paraíso aquando da nossa chedada, as 2 estrelas Michelin mantidas há quase 15 anos, e o destaque do “The World’s 50 Best Restaurants” ao atribuir-lhe o título de 22º melhor restaurante do mundo.

 

 

Mesmo assim, e só entre nós, não podemos deixar de considerar que o Belcanto, do Chef José Avillez, com a sua criatividade e qualidade, consegue, com "apenas" uma estrela Michelin e nenhuma vista, superar a grandeza do Vila Joya.

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